Oito em 10 brasileiros precisaram fazer cortes no orçamento em 2021

Segundo CNDL, 40% precisaram realizar 'bicos' para ajudar na renda; custo de vida na Grande São Paulo tem a maior alta desde 2015.

De acordo com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo SPC Brasil, em parceria com a Offer Wise Pesquisas, 51% dos brasileiros acreditam que as condições da economia em 2021 pioraram em relação a 2020. A pesquisa aponta ainda que quatro em cada 10 brasileiros avaliam que a própria condição financeira piorou em 2021 (43%), enquanto 31% acreditam que não melhorou nem piorou, e para 23% houve melhora. Em 2019 – período pré-pandemia -, 26% avaliaram que havia piorado e 30%, melhorado.

Entre aqueles que acreditam que houve piora da situação financeira em 2021, 60% consideram que seu salário/rendimento não aumentou na mesma proporção dos preços dos produtos/serviços, 44% tiveram redução da renda familiar e 35% ficaram desempregados ou tiveram alguém da família que perdeu o emprego.

O cenário mostra um aperto financeiro das famílias brasileiras: 40% dos entrevistados tiveram que renunciar a produtos ou serviços que compravam, enquanto 32% tiveram que fazer uso de alguma reserva de dinheiro que possuem. Já 31% ficaram muitos meses com as contas no vermelho (em 2019, antes da pandemia, eram 24%) e 25% ficaram desempregados.

A respeito das consequências da Covid-19, sete em cada 10 entrevistados afirmaram que a vida financeira familiar sofreu impacto da pandemia (77%), enquanto 22% garantem que não.

O cenário de aperto financeiro se confirma uma vez que 83% tiveram que fazer cortes ou ajustes no orçamento em 2021, sendo que 59% tiveram que redirecionar o dinheiro para pagamento de contas do dia a dia, 35% para pagar contas em atraso e 25% para economizar e guardar dinheiro.

Entre aqueles que realizaram cortes no orçamento, 55% reduziram as refeições fora de casa/delivery, 48% os itens supérfluos de supermercado e 44% cortaram a compra de vestuários, calçados e acessórios.

A pesquisa aponta ainda que os planos e projetos pessoais também foram impactados pelo cenário de crise. De acordo com o levantamento, 92% dos consumidores deixaram de realizar algum projeto que tinham para 2021, principalmente juntar uma reserva de dinheiro (29%), comprar ou reformar a casa (25%), fazer uma grande viagem (25%), pagar dívidas em atraso (20%) e comprar um carro/moto (18%).

Entre os motivos que impediram a realização dos planos, 57% justificaram que foi porque os preços das coisas estavam muito altos, 48% devido ao pouco dinheiro que dispunham e que mal permitia pagar as contas e 29% ficaram inseguros em gastar dinheiro.

De acordo com o levantamento, 55% dos consumidores estão insatisfeitos em algum grau com o padrão de vida atual. Por outro lado, 40% estão satisfeitos, sendo que 35% se dizem satisfeitos e 5% muito satisfeitos. Além disso, 46% alegam ter havido piora do padrão de vida em comparação ao período pré-pandemia. Por outro lado, 25% afirmam ter havido algum grau de melhora, e 26% dizem que está igual.

Com relação aos meios de sustento atuais, 34% exercem trabalho autônomo, 22% trabalham com carteira assinada e 22% fazem trabalhos temporários ou “bicos”.

Para manter ou aumentar seu padrão de vida, 40% precisaram realizar trabalhos extras; 29% utilizaram o cartão de crédito; e para 17%, mais pessoas da família tiveram que trabalhar. Entre aqueles que afirmaram ter sido necessário realizar “bicos” para manter ou aumentar o padrão de vida, 19% afirmam estar trabalhando como diarista ou lavando roupa, 19% realizando serviços gerais de manutenção e 17% revendendo produtos.

No ano passado, a população que vive na Região Metropolitana de São Paulo (RMSP) enfrentou a maior elevação do custo de vida desde 2015. As famílias com menor poder aquisitivo foram as mais afetadas pelo aumento. Os dados são da pesquisa Custo de Vida por Classe Social (CVCS), realizada pela Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomércio-SP). De acordo com o estudo, o CVCS terminou 2021 com variação de 10,02%. Em 2015, o valor acumulado era de 11,56%. Na classe E, a alta foi de 11,38%, enquanto para a classe A, inferior aos 10% (9,09%).

A disparada do preço do petróleo no mercado internacional impactou fortemente os combustíveis e seus derivados, contribuindo para que o grupo de transportes registrasse aumento, em 2021, de 20,61%. O etanol subiu 63,70%; a gasolina, 42,80%; e o óleo diesel, 41,43%. Outros itens também pressionaram o grupo, como pneus (31,31%) e automóveis novos (15,77%) e usados (16,01%). Além destes, ao considerar os serviços, destacou-se a passagem aérea, com alta de 20,21%.

O petróleo também influenciou os preços da habitação, com aumentos de 38,05%, no preço médio do gás de botijão, e de 23,26%, do encanado. No entanto, a segunda maior variação no ano (12,67%) entre os grupos pesquisados foi mais pressionada pela energia elétrica residencial, que apontou alta anual de 25,82%, resultado da estiagem que o País enfrentou, levando ao acionamento das termelétricas – que têm custos mais altos, os quais são repassados ao consumidor.

O impacto dos custos da energia e dos transportes na cadeia produtiva, somado ao aumento do custo no campo, desde o preço dos animais (no caso das carnes), passando pela alta na ração e nos fertilizantes, levou o grupo de alimentação e bebidas, que possui o maior peso no CVCS, apontar elevação anual de 7,26% – abaixo dos 10,90% observados em 2020. Embora a variação tenha sido menor, o impacto para o consumidor continua, sobretudo pelo aumento de 10,07% nas carnes, 13,25% na farinha de trigo e 10,22% nos leites e derivados.

Ao contrário dos alimentos, que obtiveram redução da variação entre 2020 e 2021, o vestuário saiu de uma deflação de 1,8%, em 2020, para o acumulado de 10,44%, no ano passado. Todos os tipos de roupas registraram aumento, com destaque para as peças masculinas, com avanço de 17,18%, seguidas das femininas, com 10,36%. Com a reabertura da economia e a volta dos eventos sociais (públicos e privados), a demanda para compra de roupas e calçados voltou, afetando o preço ao consumidor final. As demais altas no ano foram dos seguintes grupos: artigo do lar (7,51%), saúde (3,86%), despesas pessoais (3,82%), comunicação (3,66%) e educação (1,48%).

Na habitação, o grande vilão foi o gás de botijão, que subiu 1,6%. O grupo registrou aumento médio de 0,59%, tendo impacto de 0,10 p.p. no mês.

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