OMC quer vacina para países pobres

Ngozi Okonjo-Iweala nasceu em 1954 na Nigéria, mas passou grande parte de sua vida nos EUA; e, março, substituirá o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo.

Ngozi Okonjo-Iweala, futura líder da Organização Mundial do Comércio (OMC), disse que a organização deve retomar o objetivo de melhorar o nível de vida das pessoas e promover o acesso dos países pobres às vacinas contra a Covid-19.

A nigeriana, primeira mulher e primeira africana a liderar a OMC, afirmou, em entrevista à agência de notícias France Presse (AFP), Ngozi Okonjo-Iweala, que comandará a OMC a partir de 1º de março, disse que a organização é “demasiado importante para estar atrasada, paralisada e moribunda” e enumerou os objetivos imediatos: assegurar que as vacinas sejam produzidas e distribuídas em todo o mundo, não só nos países ricos, mas também resistir à tendência para o protecionismo que cresceu com a pandemia, de modo que o comércio livre possa contribuir para a recuperação econômica.

“Creio que a OMC pode contribuir mais para a resolução da pandemia, ajudando a melhorar o acesso às vacinas por parte dos países pobres. É realmente do interesse de cada país ver todos serem vacinados.

Alguns países, como a Índia e a África do Sul, apelam à isenção dos direitos de propriedade intelectual sobre as vacinas contra a Covid-19 para torná-las mais acessíveis e permitir uma implantação mais rápida. Ngozi quer evitar uma discussão entre os membros da OMC e aborda o problema de um ângulo diferente.

“Em vez de passarmos tempo a discutir, deveríamos olhar para o que o setor privado está fazendo”, com acordos de licenciamento para permitir a produção de vacinas em vários países, acrescentou citando o caso do laboratório britânico AstraZeneca na Índia.

Segundo a futura líder, a OMC deve ainda trabalhar para o seu objetivo primordial de “melhorar o nível de vida” nos países pobres e “criar empregos decentes para as pessoas”, sendo que “o comércio tem certamente um papel a desempenhar na recuperação econômica”.

De acordo com Ngozi Okonjo-Iweala, os negociadores são o “calcanhar de Aquiles” da OMC.

“Genebra está cheia de especialistas em negociações, mas os problemas não foram resolvidos, pioraram”, porque, “para eles, é uma questão de ganhar ou não perder, e por isso estão bloqueando uns aos outros”.

A escolha da nigeriana para liderar a OMC – uma instituição que está quase paralisada – já era esperada após a retirada, no último dia 5, da candidatura da ministra do Comércio sul-coreana, Yoo Myung-hee, a única que ainda disputava o cargo com Okonjo-Iweala.

Após vários meses de impasse, o novo governo norte-americano liderado por Joe Biden preferiu suspender os obstáculos à nomeação de Ngozi Okonjo-Iweala, dando o seu apoio à candidatura da africana. Ngozi Okonjo-Iweala foi por duas vezes ministra das Finanças da Nigéria e chefiou a diplomacia do país durante dois meses. Começou a sua carreira em 1982 no Banco Mundial, onde trabalhou durante 25 anos. Em 2012, não conseguiu tornar-se presidente da instituição financeira, que escolheu para o cargo o norte-americano de origem sul-coreana Jim Yong Kim.

A nova líder da OMC nasceu em 1954 na Nigéria, mas passou grande parte de sua vida nos EUA, onde estudou em duas prestigiadas universidades, o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e Harvard. Ela substituirá o diplomata brasileiro Roberto Azevêdo, que renunciou ao cargo em setembro do ano passado.

Autodenominada “realizadora” e conhecida por enfrentar problemas aparentemente insolúveis, Okonjo-Iweala terá muito com que se ocupar. Como diretora-geral, uma posição que concede poder limitado, Okonjo-Iweala precisará intermediar tratativas comerciais internacionais perante um conflito persistente entre os EUA e a China, reagir à pressão pela reforma das regras comerciais e se contrapor ao protecionismo acentuado pela Covid-19. No discurso feito na OMC após a vitória, ela disse que fechar um acordo comercial na próxima grande reunião ministerial será uma “das maiores prioridades” e exortou os membros a rejeitarem o nacionalismo da vacina, de acordo com um delegado presente à reunião fechada, que foi realizada virtualmente. No mesmo discurso, ela descreveu os desafios que a entidade enfrenta como ““numerosos e traiçoeiros, mas não insuperáveis”.

Veterana de 25 anos do Banco Mundial, onde supervisionou um portfólio de US$ 81 bilhões, Okonjo-Iweala enfrentou sete outros candidatos defendendo a crença na capacidade do comércio de tirar as pessoas da pobreza. Ela estudou Economia do Desenvolvimento em Harvard depois de testemunhar uma guerra civil na Nigéria na adolescência. Em 2003, ela voltou ao país para servir como ministra das Finanças e apoiadores ressaltam sua postura rígida nas negociações, que ajudou a selar um acordo de cancelamento de bilhões de dólares de dívida nigeriana com as nações credoras do Clube de Paris em 2005.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a RTP; e da Agência e Notícias Brasil-Árabe

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