Ômicron no radar

Ontem, EUA encerrou com comportamento misto e Bovespa fechou dia com perda de 0,65% e índice em 104.864 pontos.

A variante Ômicron da Covid-19 impede melhor desempenho dos mercados acionários no mundo, no chamado rali de fim de ano.

Ontem, os mercados nos EUA encerraram com comportamento misto, depois de recordes históricos no S&P, e forçaram a Bovespa um pouco mais na queda. Aqui, fechamos o dia com perda de 0,65% e índice em 104.864 pontos, dólar praticamente estável, com alta de 0,02% e cotado em R$ 5,64, o Dow Jones com alta de 0,26% e Nasdaq pressionado pelas ações de tecnologia em queda de 0,56%.

Hoje, a variante Ômicron pesa novamente sobre os mercados no mundo, com as Bolsas asiáticas encerrando com quedas e também comprometendo os mercados da Europa neste início de manhã. Os futuros do mercado americano operam com leve altas. Aqui, penúltimo pregão do ano, mercados indefinidos entre perder o patamar de 104 mil pontos ou se aproximar de 107 mil/108.500 pontos, quando poderia ganhar maior tração. Mas parece tarefa difícil em 2021.

A agenda do dia pode mudar o comportamento de curto prazo, mas o foco está na Ômicron. França e Portugal registraram recordes diário de contágio e outros países também indicaram contágio piorando. Já os EUA e a Rússia vão discutir o aumento de tensão na fronteira com a Ucrânia, e é possível esperar por resultados positivos, depois das pressões internacionais.

Já a China, através do seu Banco Cenatrl (o PBoC), injetou recursos de curto prazo para melhorar a liquidez do sistema bancário. E, no mundo, a vacinação de crianças já é uma realidade, enquanto o Brasil tergiversa, mas pode começar a imunização no início de janeiro com sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, mostrava quase estabilidade com queda de 0,08% e barril cotado em US$ 75,94. O euro era transacionado em queda para US$ 1,128 e notes de 10 anos com taxa de juros em alta para 1,49%. O ouro em queda e a prata em alta na Comex, e commodities agrícolas com viés de alta na Bolsa de Chicago.

Aqui, Bolsonaro em férias em Santa Catarina tem sido muito criticado nas redes sociais por calamidade na Bahia, e diz esperar não ter que abreviar a folga. Não seria por conta das chuvas que se encaminham para a região sudeste no fim do ano? Já a Justiça do Rio de Janeiro suspendeu o reajuste do preço do gás anunciado pela Petrobras, que vai entrar com recurso.

Na agenda do dia, teremos a divulgação do IGP-M de dezembro, que pode ter encerrado o ano com inflação pouco abaixo de 17,5%. Teremos também o resultado primário do governo central em novembro e o fluxo cambial da semana anterior pelo BC. Nos EUA, saem os estoques no atacado de novembro, as vendas pendentes de imóveis de novembro, os estoques de petróleo e derivados da semana anterior pelo Departamento de Energia.

Expectativa para o dia de mercado indefinido, mas podendo buscar melhora, dependendo do noticiário local e Ômicron. Dólar mais forte seguindo exterior e juros comportados.

Assim como nos campeonatos de futebol, os mercados estão apenas cumprindo tabela e esperando a entrada do ano de 2022. Mas não se iludam: o início de 2022 ainda será de expectativas com relação às projeções de indicadores de conjuntura e ausência de noticiário mais firme, determinados por férias e recessos nos Poderes do Estado.

A sessão de ontem mostrou o mesmo quadro dos últimos dias, com liquidez estreita nos diferentes segmentos dos mercados e a Bovespa não conseguindo acompanhar a performance externa positiva. Aqui, ainda pesam as preocupações com o quadro fiscal, polarização projetada para as campanhas, estagflação ou crescimento pífio em 2022, ou ainda mais medidas eleitoreiras dependendo do desenvolvimento do processo político. Mas sempre convém lembrar que os preços dos ativos já refletem boa parte de tudo isso, as empresas se prepararam para esse quadro; o que significa dizer que podemos estar vivendo o pior momento de 2022, antecipado nos preços em 2021.

No exterior, a Espanha aprovou reforma trabalhista e também o orçamento de 2022, enquanto o presidente Joe Biden revogou restrições de viagens para países africanos impostas pela variante Ômicron. Em compensação, elevou o risco de viagens em relação à Argentina. A China, com sua busca por autossuficiência em tecnologia, é que alimentou tensões com relação aos EUA e Europa. Nos EUA, o índice de atividade industrial de Richmond de dezembro registrou alta para 16 pontos, vindo de 12 pontos e expectativa de que ficaria em 11 pontos.

A terça-feira acabou por mostrar realizações em empresas de tecnologia e, na parte da tarde, o mercado americano foi enfraquecendo, puxando o mercado local ainda mais para baixo. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, mostrava leve alta de 0,54% (esteve bem mais forte), com o barril cotado a US$ 75,98 O euro era transacionado em queda para US$ 1,13 e notes americanos com taxa de juros de 1,48%. O ouro e a prata mantiveram altas desde o início da manhã na Comex, e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago. O minério de ferro teve forte queda durante a madrugada, em Qingdao, na China, encerrando com -3,04% e a tonelada cotada em US$ 119,44. Isso afetou bastante as ações de Vale e siderúrgicas.

No segmento doméstico, o IBGE divulgou dados da Pnad contínua do trimestre encerrado em outubro, com a taxa de desemprego em 12,1% e renda média real encolhendo 11,1%, contra igual trimestre de 2020. Os indicadores, de forma geral, vieram mostrando melhora e dentro do que estava sendo projetado, mas com taxa de informalidade de 40,7%, o que significa 38,2 milhões de informais. Desalentados somaram 5,1 milhões e inativos com 65,1 milhões. A população ocupada estava em 94 milhões, com crescimento em um ano de 8,7 milhões de pessoas.

Já o BC divulgou que o estoque de crédito de novembro cresceu 1,8%, para R$ 4,57 trilhões, representando 53,2% do PIB (anterior em 52,8%). A concessão de crédito livre expandiu 5,3% em novembro, e no ano com +18,4%. O endividamento das famílias referente a setembro foi de 49,8% (com imobiliário e o comprometimento da renda em 26,2%). Com a perspectiva de a inadimplência aumentar nos próximos meses, o crédito deve ficar mais difícil.

A FGV anunciou que a confiança do comércio encolheu 2,7 pontos, para 85,3 pontos, e a confiança de serviços com -1,3 pontos, para 95,5 pontos. No mercado, dia de dólar terminando com -0,02% e cotado a R$ 5,64. Na Bovespa, na sessão do último dia 23, os investidores estrangeiros voltaram a aplicar recursos no montante de R$ 587,8 milhões e, com isso, o mês de dezembro mostra ingresso líquido de R$ 10,7 bilhões e o ano também positivo em R$ 66,9 bilhões.

Ontem, no mercado acionário, com a Bolsa de Londres parada, o mercado em Paris encerrou com +0,57% e Frankfurt com +0,81%. Madri e Milão com altas de respectivamente 0,90% e 0,78%. No mercado americano, faltando ainda meia hora para o encerramento, o Dow Jones apresentava +0,30% e Nasdaq com -0,43%. Na Bovespa, também meia hora antes, tínhamos -0,66% e índice em 104.858 pontos.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

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