OMS diz que fará revisão da pandemia; China promete US$ 2 bi

Tedros Adhanom disse que OMS soou o alarme antecipadamente: 'avisamos frequentemente'.

Internacional / 12:37 - 19 de mai de 2020

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A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que uma revisão independente da resposta ao coronavírus começará assim que possível, e recebeu uma promessa generosa de repasse de verbas da China, que está no foco como a origem da pandemia.

O maior crítico da OMS, o governo do presidente norte-americano Donald Trump, denunciou "aparente tentativa de esconder o surto do vírus por pelo menos um Estado-membro" da organização.

Trump suspendeu o repasse de verbas dos EUA para a OMS, após acusar a entidade de ser muito centrada na China, enquanto lidera críticas ao que é percebido como falta de transparência do governo de Pequim nos primeiros estágios da crise.

O secretário de Saúde dos EUA, Alex Azar, não mencionou a China, mas deixou claro que Washington considera que a OMS compartilhava da responsabilidade.

"Precisamos ser francos sobre uma das principais razões pelas quais esse surto saiu fora de controle", disse. "Houve um fracasso por parte dessa organização para conseguir informações que o mundo precisa, e esse fracasso custou muitas vidas".

O ministro de Saúde da China, Ma Xiaowei, disse que Pequim agiu no tempo certo e foi transparente ao anunciar o surto e compartilhar a sequência genética completa do vírus. Ele também pediu que outros países "rejeitem rumores, estigmatização e discriminação".

O presidente chinês, Xi Jinping prometeu US$ 2 bilhões nos próximos dois anos para ajudar a lidar com a Covid-19, especialmente nos países em desenvolvimento. O valor representa quase o orçamento anual da OMS e mais que compensa o congelamento de repasses de Trump, de US$ 400 milhões por ano.

O porta-voz do Conselho Nacional de Segurança da Casa Branca John Ullyot, chamou o anúncio chinês de "gesto para distrair os pedidos de crescente número de países que exigem que o governo chinês seja responsabilizado pelo fracasso em alertar o mundo sobre o que estava para acontecer.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, disse que a entidade soou o alarme antecipadamente. "Avisamos frequentemente".

Quando a organização declarou a epidemia uma emergência global, em 30 de janeiro, havia menos de 100 casos fora da China e nenhuma morte, afirmou.

No Brasil, termina hoje a primeira etapa do levantamento Evolução da Prevalência de Infecção por Covid-19, intitulado Estudo de Base Populacional. Até ontem, 15 mil pessoas em todo o país fizeram o teste para saber se tiveram contato com o novo coronavírus. O objetivo é testar até 100 mil pessoas e saber com que velocidade a população está criando anticorpos para o vírus.

As regiões Norte e Nordeste foram as que mais aplicaram testes até o momento, somando 8.106 testes. O estudo, financiado pelo Ministério da Saúde, coordenado pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel), do Rio Grande do Sul, e executado pelo Ibope, será realizado em três etapas e prevê em 133 municípios.

O objetivo é avaliar como o vírus se propaga pelo país, por meio da testagem de anticorpos na população. A coleta de dados está sendo feita nos domicílios pelos profissionais do Ibope. Em cada casa, é escolhido um morador para participar do inquérito. Na visita, a equipe do Ibope também disponibiliza um questionário sobre doenças preexistentes e possíveis sintomas da covid-19 nos últimos 30 dias, além da aplicação do teste rápido.

A expectativa é testar cerca de 33 mil brasileiros em cada etapa, sendo 250 pessoas em cada município selecionado. As próximas etapas de coletas estão previstas para 28 e 29 de maio e 11 e 12 de junho.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a Reuters

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