OMS: recuperação econômica global pode ser mais rápida com vacina

Segundo Tedros Adhanom, 'o nacionalismo com vacinas não é bom, não vai nos ajudar'.

Internacional / 12:34 - 7 de ago de 2020

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A recuperação econômica em todo o mundo pode vir mais rápido se uma vacina contra a Covid-19 for disponibilizada a todos como um bem público, afirmou ontem o diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus.

"O compartilhamento de vacinas ou o compartilhamento de outras ferramentas efetivamente ajuda o mundo a se recuperar junto. A recuperação econômica pode ser mais rápida e os danos da Covid-19 podem ser menores", disse. "O nacionalismo com vacinas não é bom, não vai nos ajudar", acrescentou.

Na segunda-feira, Tedros havia dito que o coronavírus é a maior emergência de saúde desde o início do século XX, e que a corrida internacional por uma vacina também é "sem precedentes".

"Precisamos aproveitar este momento para nos juntarmos em unidade nacional e solidariedade global para controlar a Covid-19", afirmou ele no fórum. "Nenhum país estará seguro até todos estarmos seguros."

Na quarta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse ontem que é possível que o país tenha uma vacina contra o novo coronavírus antes das eleições de 3 de novembro - uma previsão mais otimista do que o tempo apresentado pelos próprios especialistas em saúde da Casa Branca. Trump acusou a OMS de se tornar um fantoche da China - onde o surto do novo coronavírus surgiu pela primeira vez no ano passado, e avisou que os EUA sairão da agência dentro de um ano.

Os EUA são o maior doador geral da OMS e contribuíram com mais de US$ 800 milhões até o fim de 2019 para o biênio 2018-19.

Tedros Adhanom, que negou que a OMS responda à China ou a qualquer outro país, disse que o principal dano da iniciativa do governo Trump, de sair da agência, não será a perda de financiamento.

"O problema não é o dinheiro, não é o financiamento, é realmente o relacionamento com os EUA. Isso é mais importante para a OMS - o vácuo, não o financeiro. E esperamos que os EUA reconsiderem sua posição", declarou.

No Brasil, o ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou, também ontem, que os estados estão mais preparados para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. Ele participou da live semanal do presidente Jair Bolsonaro, transmitida pelas redes sociais.

"A gente não tem uma solução imediata para o aumento de casos, mas para o tratamento dos doentes, sim. Eu posso afiançar que o Sul do país está seguindo claramente essas posições que eu coloquei aqui quanto ao tratamento", disse, em referência à mudança na diretriz do Ministério da Saúde, anunciadas no início de julho.

Na ocasião, a pasta alterou o protocolo médico para pessoas que sentirem sintomas leves da doença, passando a solicitar que tais pacientes passem a procurar um médico. Antes, a diretriz indicava a busca por ajuda profissional apenas em caso de sintomas mais graves.

"O que pode mudar a curva de óbito é você aplicar o aprendizado o mais rápido possível. E o aprendizado que nós mudamos foi: procure um médico imediatamente. O médico, de forma soberana, fará seu diagnóstico e vai prescrever os seus medicamentos.

Mais cedo, o presidente Jair Bolsonaro assinou Medida Provisória que abre crédito extraordinário de R$ 1,9 bilhão para viabilizar a produção e aquisição da vacina contra a Covid-19 que está sendo desenvolvida pelo laboratório AstraZeneca, em parceria com a Universidade de Oxford. Se a vacina for considerada eficaz, o governo brasileiro vai obter 100 milhões de doses e poderá iniciar uma campanha nacional de imunização no início de 2021.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a Reuters

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