Onda de frio impactará preço dos alimentos e a inflação

Inflação acelera para 0,96% em julho, maior para o mês desde 2002, diz IBGE.

A recente onda de frio que atingiu as regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste vai afetar os preços dos alimentos e, consequentemente, a inflação.

Segundo a professora de Economia da Fundação Escola de Comércio Álvares Penteado (Fecap), Nadja Heiderich, a onda de frio impactou bastante as lavouras, inutilizando uma série de produtos, principalmente as hortaliças, que são mais sensíveis às temperaturas e têm uma cultura menos perene.

“Nas próximas semanas, o consumidor vai sentir o aumento do preço desses produtos, mas os valores devem se estabilizar e voltar ao normal dentro de um prazo de um a dois meses”, diz a professora.

Ela acrescenta ainda que o aumento desses produtos impactará a inflação até o final do ano, apesar de o cálculo da inflação levar em conta outros produtos e serviços.

“O governo já esperava uma inflação mais alta, por uma série de outros fatores: os reflexos da pandemia; os efeitos da crise hídrica sobre a energia elétrica, que puxam os preços para cima; e a alta dos combustíveis no início do ano, por conta do cenário internacional e da alta do dólar.”, acrescenta.

A professora lembra ainda que, no futuro próximo, serão comuns alterações no clima, por conta das mudanças climáticas.

“O mundo todo tem sentido eventos climáticos, e há uma tendência de que sejam recorrentes. Além do debate se as alterações são provocadas pela ação humana ou não, é fato que a temperatura da Terra está aumentando, e esses eventos atípicos impactam diretamente a agricultura e o agronegócio.”.

Além do frio intenso em regiões tropicais, como o Brasil, outro exemplo das alterações no clima é a onda de calor no Hemisfério Norte, com temperaturas acima de 40ºC.

“Aqui no Brasil já eram esperadas desde meados de maio as duas ondas de frio que estamos sentindo agora. Mas, especificamente, uma onda de frio tão atípica e forte não era esperada pelo governo, economistas e produtores.”, finaliza.

Segundo o IBGE, a inflação acelerou para 0,96% em julho com reajustes dos preços da energia elétrica, registrando o maior resultado para o mês desde 2002 (1,19%). Com isso, o indicador acumula alta de 4,76% no ano e de 8,99% nos últimos 12 meses, acima do acumulado nos 12 meses imediatamente anteriores (8,35%). Em julho de 2020, a taxa mensal foi de 0,36%. Os dados são do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), divulgado hoje.

Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, oito tiveram alta em julho. A maior variação (3,10%) e o maior impacto (0,48 p.p.) vieram da habitação com a alta da energia elétrica (7,88%), que acelerou em relação ao mês anterior (1,95%) e registrou o maior impacto individual no índice (0,35 p.p.). O resultado é consequência dos reajustes tarifários de 11,38% em São Paulo, de 8,97% em Curitiba (11,34%), e de 9,08% em uma das concessionárias de Porto Alegre (8,02%).

A segunda maior contribuição (0,32 p.p.) do mês veio dos transportes (1,52%), puxados pelas passagens aéreas, cujos preços subiram 35,22% depois da queda 5,57% em junho.

Os preços dos combustíveis (1,24%) também aceleraram em relação a junho (0,87%). Em particular, a gasolina teve alta de 1,55%, enquanto havia subido 0,69% no mês anterior, contribuindo com o terceiro impacto individual (0,09 p.p.) no índice do mês, após as passagens aéreas.

O resultado de alimentos e bebidas (0,60% e 0,13 p.p.) também ficou acima do registrado em junho (0,43%). A alimentação no domicílio passou de 0,33% para 0,78% em julho, principalmente por conta das altas do tomate (18,65%), do frango em pedaços (4,28%), do leite longa vida (3,71%) e das carnes (0,77%). No lado das quedas, destacam-se a cebola (-13,51%) batata-inglesa (-12,03%), e o arroz (-2,35%).

Por outro lado, a alimentação fora do domicílio (0,14%) desacelerou em relação a junho (0,66%), influenciada pelo lanche (0,16%) e a refeição (0,04%), cujos preços haviam subido 0,24% e 0,85% no mês anterior, respectivamente.

Somente o grupo saúde e cuidados pessoais (-0,65%) teve queda no período, com a redução dos preços dos planos de saúde (-1,36% e -0,05 p.p.). Em julho, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) autorizou um reajuste negativo de -8,19% em função da diminuição da utilização de serviços de saúde suplementar durante a pandemia.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) também acelerou para 1,02% em julho, ficando acima do resultado de junho (0,60%). No ano, o indicador acumula alta de 5,01% e, em 12 meses, de 9,85%, acima dos 9,22% acumulados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em julho de 2020, a taxa foi de 0,44%.

Os produtos alimentícios subiram 0,66% em julho, ficando acima do resultado de junho (0,47%). Já os não alimentícios tiveram alta de 1,13%, enquanto em junho haviam registrado 0,64%. O INPC também registrou alta em todas as áreas pesquisadas. O menor índice ficou com Rio Branco (0,61%), onde pesaram as quedas nos preços da cebola (-18,44%) e do arroz (-2,24%). Já a região metropolitana de Curitiba registrou a maior variação (1,82%), influenciada pela energia elétrica (11,68%) e pelos automóveis usados (3,13%).

 

Com informações da Agência IBGE de Notícias

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