Onde há fumaça é fogo

Jair Bolsonaro diz querer liberar o Brasil de uma agenda ambiental – burilada no exterior – prejudicial ao país. Se era esta a intenção, as declarações do presidente tiveram efeito inverso: pessoas bem e mal intencionadas se uniram na condenação à atuação brasileira na Amazônia. A campanha #BoycottBrazil ganha visibilidade, governos ameaçam convênios, o Acordo Mercosul–União Europeia é questionado. As pressões crescem, assim como a pauta ambientalista, de forma emocional.

Geólogo amigo da coluna tenta colocar alguma razão na discussão. Lembra, primeiro, que é antiga, e conveniente, a confusão entre Amazônia Legal, instituição política que agrega cerca de 60% do território brasileiro, e a Floresta Amazônica. Segundo esta fonte, o bioma Amazônia está preservado em mais de 95% no Amazonas, Roraima e Amapá, e mesmo no Pará, em pelo menos 50%.

Algumas ações sugeridas para o futuro da Amazônia passam pela regularização fundiária, zoneamento ecológico-econômico, agregação de valor às produções locais e melhora das infraestruturas necessárias para permitir ganhos de qualidade de vida às populações locais, que somam mais de 25 milhões de pessoas, cujo IDH é consideravelmente inferior à média nacional.

O geólogo – que não é de escritório e já esteve várias vezes na Amazônia – diz que o melhor sistema para avaliar o desmatamento é o TerraClass, que não é utilizado desde 2014 por falta de verbas. “É no mínimo uma negligência que um sistema mais preciso não esteja sendo utilizado em uma tarefa tão sensível para o país.”

Agora se soma um risco maior: a decisão do governo brasileiro de contratar uma firma privada para monitorar o desmatamento. Há grande possibilidade de a tarefa caber a uma empresa multinacional, retirando do Brasil o controle.

 

Cortina de fumaça

Há quem veja na atuação tosca de Bolsonaro uma forma calculada de manter o protagonismo nas mídias, colocando a Amazônia como centro da discussão e relevando pontos como recessão, desemprego, entrega do pré-sal e desmonte do projeto nacional.

Se essa é a intenção, é arriscadíssima. Crescem na crise figuras que vão conquistando a confiança do mercado, principalmente Rodrigo Maia.

 

Inovações

Três aplicações digitais prometem transformar o mercado financeiro: facilitar a concessão do crédito, diversificar investimentos ou investir em dólar sem precisar da moeda física. Essas são algumas possibilidades trazidas pela transformação digital aos negócios do mercado financeiro.

O uso de inteligência artificial (IA) na análise para liberação de crédito possibilita elevar a oferta e reduzir o risco de inadimplência. O Neurolake, sistema da empresa Neurotech, integra centenas de milhões de dados que circulam pela internet e refina a análise de crédito de pessoas e empresas.

Outra ruptura chega aos investimentos por pessoas físicas em ativos reais. A plataforma da Hurst Capital utiliza robôs que vasculham sites dos tribunais de justiça, diários oficiais e processos que contenham precatórios, que podem remunerar o investidor entre 20% e 40% ao ano.

Para investir em dólar, uma alternativa é a criptomoeda GMC, que é atrelada à moeda norte-americana (1 GMC = 1 USD) e negociada pela plataforma GoMoney, sediada no Brasil.

 

Novo excesso

Por “temor excessivo”, Lava Jato deixou de investigar grandes bancos. O rigor que sobrou para as empreiteiras brasileiras também faltou para as dos EUA. Aqui, a ação foi a denúncia de cartel. Para as estrangeiras, busca de “novos acordos com DOJ”, o Ministério da “Justiça” de lá.

 

Rápidas

Na próxima quarta-feira, às 9h, a Facha recebe o narrador e apresentador Claudio Uchôa para um painel sobre os bastidores do jornalismo esportivo na aula inaugural do Curso de Comunicação. A Facha Botafogo fica na Rua Muniz Barreto, 51 *** A palestra “Os caminhos para o futuro – um workshop sobre transformação digital e inovação” será ministrada pelos estrategistas Maurício Longo e Alexandro Strack, no Hotel Hilton Barra, em 27 de agosto. Inscrições: bit.ly/2Yvaf1v *** Nesta segunda, Baile Dançante do Carioca Shopping, das 15h às 19h *** Para discutir as melhores práticas de gerenciamento das obrigações fiscais e a Reforma Tributária, a Taxweb realizará, dia 27, em São Paulo, o “Café com Tributos”. Inscrições: bit.ly/cafecomtributos *** A Fiesp realizará nesta segunda, às 9h, o 8º Encontro de Nozes e Castanhas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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