ONG internacional pede que Israel rejeite projeto de lei que prevê pena de morte para palestinos

Anistia Internacional pede que Israel rejeite projeto de lei que prevê pena de morte para palestinos e alerta para violação de direitos humanos

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Vítima de massacre na fila de comida em Gaza (Foto: Malik Atallah/Agência Xinhua)
Vítima de massacre na fila de comida em Gaza (Foto: Malik Atallah/Agência Xinhua)

A Anistia Internacional pediu nesta quarta-feira (12) que o Parlamento israelense não aprove um projeto de lei que prevê a pena de morte para “terroristas” palestinos condenados por assassinar israelenses. O texto, já aprovado em primeira leitura no Knesset, foi apresentado pelo partido de extrema direita Otzma Yehudit e estabelece a pena capital para quem matar israelenses “intencionalmente ou por negligência”, quando o crime for motivado por “racismo ou hostilidade contra a população” e tiver o objetivo de “prejudicar o Estado de Israel ou o renascimento do povo judeu”. A pena seria apenas a palestinos, não sendo aplicada a cidadãos israelenses.

A diretora de Pesquisa, Advocacia, Política e Campanhas da Anistia Internacional, Erika Guevara Rosas, afirmou que “não há como amenizar o fato de que a maioria dos 39 parlamentares israelenses aprovou em primeira leitura um projeto de lei que obriga os tribunais a impor a pena de morte exclusivamente aos palestinos”. Segundo ela, “embora o texto do projeto de lei não vise especificamente os palestinos, o elemento mental exigido para o crime implica que suas principais vítimas serão os palestinos, inclusive aqueles que cometeram os crimes antes da aprovação da lei”.

Guevara Rosas criticou ainda a ampliação da punição. “Os parlamentares israelenses deveriam estar trabalhando para abolir a pena de morte, não para estender sua aplicação”, declarou. “A pena de morte é a punição mais cruel, desumana e degradante e uma negação irreversível do direito à vida. Ela não deve ser imposta em nenhuma circunstância, muito menos usada como uma ferramenta flagrantemente discriminatória para autorizar o assassinato, a dominação e a opressão pelo Estado”, acrescentou.

A representante da ONG alertou que a “imposição obrigatória e aplicação retroativa” da medida violariam o direito humanitário internacional. Para ela, a proposta representa “um retrocesso perigoso e dramático” e reflete “a impunidade do sistema de apartheid de Israel e seu genocídio em Gaza”.

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Guevara Rosas lembrou que o contexto é de “aumento dramático no número de assassinatos de palestinos, incluindo atos que equivalem a execuções extrajudiciais, e um aumento horrível nas mortes de palestinos sob custódia desde outubro de 2023”. Ela também destacou o “clima de incitação à violência contra os palestinos”, citando o crescimento dos ataques de colonos na Cisjordânia ocupada.

Julgamentos em tribunais militares

A diretora da Anistia também manifestou preocupação com a possibilidade de tribunais militares imporem sentenças de morte a civis palestinos. “Essas sentenças não podem ser comutadas, especialmente devido à natureza injusta dos julgamentos nesses tribunais, que têm uma taxa de condenação de 99% para réus palestinos”, observou.

Guevara Rosas lembrou que, “no papel, a lei israelense tem tradicionalmente restringido o uso da pena de morte a crimes excepcionais, como genocídio e crimes contra a humanidade, e a última execução ordenada pelo tribunal foi realizada em 1962”. Segundo ela, a aprovação do projeto colocaria Israel “em desacordo com a tendência global de abolição da pena de morte” e com compromissos assumidos pelo país ao ratificar tratados internacionais em 1991.

Para a Anistia Internacional, o texto é “mais uma manifestação flagrante da discriminação institucionalizada de Israel contra os palestinos, um pilar fundamental do sistema de apartheid do país”. A organização pediu que a comunidade internacional pressione o governo israelense a retirar o projeto e a “desmantelar todas as leis e práticas que contribuem para o sistema de apartheid”.

“As autoridades israelenses devem garantir que os prisioneiros e detentos palestinos sejam tratados de acordo com a legislação internacional, incluindo a proibição da tortura e outros maus-tratos, e que tenham garantias de um julgamento justo”, concluiu Guevara Rosas. “Elas também devem tomar medidas concretas para abolir a pena de morte para todos os crimes e todas as pessoas.”

Fonte: Europa Press

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