ONU e União Europeia alertam para aceleração da anexação israelense na Cisjordânia

Organismos internacionais denunciam aumento da violência de colonos, demolições e deslocamentos forçados

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Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral das Nações Unidas, apresentando o mapa do 'Novo Oriente Médio' sem incluir Gaza nem Cisjordânia (foto: Loey Felipe, ONU)
Benjamin Netanyahu na Assembleia Geral das Nações Unidas, apresentando o mapa do 'Novo Oriente Médio' sem incluir Gaza nem Cisjordânia (foto: Loey Felipe, ONU)

ONU aponta avanço da anexação e recorde de ataques

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos afirmou nesta sexta-feira (14) que Israel está intensificando o processo de anexação ilegal da Cisjordânia. Segundo o órgão, o avanço ocorre acompanhado por “um aumento significativo de atos violentos contra a população palestina, a demolição de suas casas, as restrições de movimento, a expansão dos assentamentos e o deslocamento forçado”, práticas que configuram violação do direito internacional e “um crime de guerra”.

O porta-voz do Alto Comissariado, Thameen al-Kheetan, destacou que os 260 ataques de colonos israelenses registrados em outubro representam o maior número desde o início da coleta de dados pela ONU, em 2006. Ele afirmou que os episódios refletem “um padrão mais amplo de aumento da violência contra os palestinos”, sobretudo porque muitos ataques ocorreram para impedir a colheita de azeitonas — atividade fundamental para a economia local.

A ONU também relembrou a operação militar israelense lançada no início do ano na região norte da Cisjordânia, especialmente nas cidades de Jenin e Tulkarem. Em outubro, o diretor da agência de refugiados da ONU na Cisjordânia, Roland Friedrich, constatou que o exército havia “esvaziado os três campos de Jenin, Tulkarem e Nur Shams e impedido diretamente o retorno de seus residentes”.

Al-Kheetan reforçou que “a afirmação do governo israelense de sua soberania sobre a Cisjordânia ocupada, bem como a anexação de partes desse território, representa uma violação da lei internacional, conforme constatado pela Corte Internacional de Justiça”, acrescentando que o deslocamento forçado equivale a “transferência ilegal, que é um crime de guerra”.

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O porta-voz do Alto Comissariado insiste mais uma vez que Israel deve pôr fim a essas operações, retirar-se dos territórios que ocupa na Cisjordânia, retirando suas posições militares e evacuando todos os colonos do território para facilitar a implementação do direito dos palestinos à autodeterminação.

UE cobra medidas imediatas contra violência de colonos

Em Bruxelas, a União Europeia também manifestou preocupação com o cenário. O porta-voz de relações exteriores do bloco, Anouar El Anouni, afirmou que a situação na Cisjordânia é “difícil”, citando o crescimento da violência de colonos e o avanço dos planos de assentamento.

“Pedimos a Israel que tome medidas concretas para evitar a violência dos colonos contra os palestinos e para garantir que os autores desses crimes sejam responsabilizados”, declarou. Segundo ele, “na difícil situação atual, todos os esforços devem ser genuinamente voltados para a redução das tensões”.

El Anouni descreveu as ações de colonos como movimentos que buscam “anexar a área” e defendeu que práticas como “a construção de assentamentos, as demolições, as transferências forçadas, os despejos e os confiscos de casas palestinas devem parar”.

A UE reiterou que trabalha para ampliar sanções contra extremistas que ameaçam a solução de dois Estados, embora novas penalidades contra colonos israelenses estejam bloqueadas por falta de unanimidade entre os países membros.

Comunidade internacional reforça denúncias

A União Europeia citou ainda o alerta divulgado no mesmo dia pelo Alto Comissariado da ONU, lembrando que a organização identificou um ritmo acelerado de anexação e um número recorde de ataques de colonos em outubro — a maioria vinculada à tentativa de impedir a colheita de azeitonas.

Tanto ONU quanto UE insistem que Israel deve adotar medidas imediatas para conter a violência, suspender ações de anexação e garantir o direito dos palestinos à autodeterminação.

Fonte: Europa Press

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