Opas defende isolamento social como melhor opção de combate ao Covid

Segundo OMS, coronavírus já infectou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil.

Internacional / 16:45 - 31 de mar de 2020

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A diretora da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), Carissa Etienne, disse hoje que a pandemia de covid-19 é grave e que os países das Américas precisam fazer tudo o que estiver ao alcance para mitigar o impacto da doença.

"O melhor momento para fazer isso é agora, antes que os hospitais e os profissionais de saúde fiquem sobrecarregados. Sem evidências robustas sobre tratamentos eficazes e sem vacina, o isolamento social e outras medidas preventivas agressivas seguem sendo nossa melhor opção para a população poder evitar as consequências mais sérias da pandemia de covid-19 em nossa região. Este momento exige liderança com compaixão e ousadia. Não será fácil e sabemos que estamos pedindo para que as pessoas se adaptem a uma situação extraordinária, que está impactando todas as nossas vidas. Quero ressaltar mais uma vez, essa pandemia é séria", destacou.

De acordo com a diretora do órgão, os países devem proteger seus profissionais da saúde como nunca antes. "Eles devem ser capacitados a se proteger da infecção e receber equipamentos de proteção individual para longo prazo. É nosso dever protegê-los, já que estarão à frente nessa batalha. Este vírus não foi detido nem será detido por fronteiras desenhadas em mapas".

Carissa Etienne afirmou ainda que compete a cada país decidir quais são as medidas a serem tomadas, para quem e durante quanto tempo. "Pode ser o cancelamento de reuniões massivas, de negócios e escolas, de trabalhadores domésticos, medidas de isolamento obrigatórias ou voluntárias. Essas medidas podem parecer drásticas, mas são a única maneira de poder impedir que os hospitais estejam sobrecarregados com muitas pessoas doentes num período de tempo muito curto. As medidas devem ser implementadas o quanto antes", ressaltou.

Ela defendeu ainda que é prudente que os países planifiquem medidas para os próximos dois ou três meses.

"A única maneira de sair dessa situação será se todos fizermos nossa parte. Cada um fazendo a sua enquanto apoiamos os outros. Os países devem trabalhar juntos, compartilhar recursos e conhecimentos e tomar decisões conjuntas que acelerem o acesso a serviços de saúde, além de promover inovação e investigação, e aumentar a nossa capacidade de poder enfrentar essa pandemia", disse Etienne.

Questionado sobre a importância da quantidade de leitos em unidades de terapia intensiva (UTIs), o vice-presidente da Opas, Jarbas Barbosa, afirmou que a disponibilidade de UTIS's, CTI's, leitos e ventiladores é uma parte muito importante da resposta na luta contra a pandemia.

"Em primeiro lugar, os países estão implementando todas as medidas de distanciamento social, cujo principal objetivo é justamente reduzir a carga que se agregará a esses serviços. É muito importante combinar duas estratégias. A primeira é tratar de deter a transmissão com todas as medidas de distanciamento social que se possam incorporar à realidade do país. E, ao mesmo tempo, preparar os serviços de saúde para que possam aumentar sua capacidade de atenção. No Brasil, em especial, a taxa de unidades de cuidados intensivos e leitos por habitante se compara à dos países europeus, ou seja, o problema não é somente o número, mas sim a forma como se vai utilizar", disse.

Ontem, o chefe da agência da Organização das Nações Unidas para Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, em declaração aos membros do Conselho de Segurança alertou para "um impacto devastador" sobre as comunidades vulneráveis.

Ele lembrou que mais da metade da população, de 18 milhões de pessoas, foram forçadas a sair de suas casas. Mais de 11 milhões de pessoas, incluindo cerca de 5 milhões de crianças, precisam de assistência humanitária, cerca de 8 milhões não têm acesso garantido a comida, mais 20% do que em 2019, e 500 mil crianças sofrem de má alimentação crônica.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia de Covid-19, já infectou mais de 750 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 36 mil. Dos casos de infecção, pelo menos 148.500 são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar situação de pandemia.

 

Com informações da Agência Brasil, citando a RTP

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