Opção pelo latifúndio e monocultura encarece alimentos

Alta do dólar e redução da agricultura familiar pressionam preços de arroz e feijão.

A proposta de orçamento do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) em 2021, enviada por Jair Bolsonaro ao Congresso Nacional, praticamente reduz a zero a verba para a reforma agrária. A medida vai na contramão das necessidades do Brasil, que deveria incentivar a desconcentração da terra, favorecendo a produção de alimentos que estão no dia a dia dos brasileiros, produzidos pela agricultura familiar.

A opção do agronegócio pela monocultura tem provocado uma alta no preço dos produtos da cesta básica. Levantamento do Dieese, divulgado na sexta-feira, mostrou que os alimentos básicos registraram um aumento muito acima da inflação. No atacado, subiram 15,02% em 12 meses, até agosto. E para o mesmo período, no varejo, houve alta de 8,5%.

Com a alta do dólar, cotado acima de R$ 5,30, grandes produtores rurais estão dando preferência à exportação, deixando o mercado interno menos abastecido. E, com isso, o preço sobre, como explica o diretor técnico do Dieese, Fausto Augusto Júnior, em sua coluna no Jornal Brasil Atual.

Um conjunto de produtos está vinculado à bolsa internacional, são commodities cotadas internacionalmente, como é o caso do açúcar. E, nesses casos, quando o mercado internacional se aquece, o trabalhador aqui no Brasil perde”, afirma Fausto.

O feijão tem uma produção cada vez menor, vinculada ao Nordeste, e vem perdendo espaço na cesta de produtos da agropecuária, em especial porque a agricultura familiar vai encolhendo. Hoje, o quilo do feijão está passando da casa dos R$ 8. É algo quase que inadmissível num país da dimensão do Brasil, com a área produtiva que o país tem, termos alimentos de alta necessidade com redução de produção e inclusive com dificuldades para se encontrar dentro do mercado”, alerta o diretor técnico do Dieese.

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