Operadores

Para se ter uma noção do poder de operar os mercados enfeixado pelas agências classificadoras de risco, a Standard & Poor”s (S&P), presente em 70% do negócios globais, divulgou ou reviu, apenas em 2009, cerca de 870 mil ratings. Ao todo, ela avalia o risco de negócios que envolvem cerca de US$ 32 trilhões – valor equivalente a quase 2,5 vezes o Produto Interno Bruto (PIB) dos Estados Unidos. Com todo esse poder de fogo, potencialmente tão destrutivo quanto uma bomba de neutrons, a S&P, tal qual suas congêneres, foi incapaz de alertar sobre a quebra de bancos, seguradoras e indústrias antes do estouro da crise mundial. Aliás, vários delas exibiam classificação “AAA”, supra-sumo do aval desse tipo do cartel que controla o setor a respeito da solidez econômica de uma companhia.

Vidro&estilingue
Operando como avaliadora e “realizadora”, a S&P é ainda responsável por um dos principais índice das bolsas de valores da bolsas de valores norte-americanas: S&P 500, que existente há 54 anos.

Sem risco
Por isso, é emblemático que o pedido, apresentado à Procuradoria Geral da República de Portugal, por quatro conhecidos economistas lusitanos de abertura de inquérito-crime contra as agências classificadoras de risco Moody”s, Standard & Poor”s e Fitch tenha merecido estrondoso silêncio da mídia global e tupiniquim. José Reis e José Manuel Pureza, ambos da Universidade de Coimbra, e Manuel Brandão e Maria Manuela Silva, do Instituto Superior de Economia e Gestão, acusaram as três agências de manipulação do mercado financeiro. O pedido foi acolhido e o Departamento Central de Investigação e Ação Penal abriu inquérito contra as três irmãs, que, segundo a denúncia, além de dominarem cerca de 90% do setor mundial, têm um único fundo de investimento como controlador de duas delas.

Armazém
Os dados da CNI sobre exportações do Brasil para a China não deixam dúvida sobre a “primarização” de nossa pauta externa. Em 2000, a venda de manufaturados representava 19% das exportações para o país asiático, participação que caiu para 7% em 2009 e para 5% em 2010. As vendas de semimanufaturados ficou praticamente estacionada (13%, 16% e 12%, respectivamente). Já a de produtos básicos engrenou a quinta marcha: de 68% passou para 77% e finalmente pulou para 83% ano passado.
Ainda que as participações sejam influenciadas pela alta nos preços das commodities, os números são catastróficos. Os principias produtos vendidos pelo Brasil – minérios, escórias e cinzas, sementes e frutos oleaginosos e combustíveis minerais – somados respondem por 81% da pauta de exportação.

Tudo pronto
As compras do Brasil seguem o caminho inverso. A importação de produtos básicos da China caiu de 8,2%, em 2000, para 1,6%, em 2009, registrando pequena elevação ano passado, para 2,2%. As compras de semimanufaturados são quase nulas (1,3%, 0,3% e 0,4%, respectivamente). Quanto a manufaturados… em 2000 foram responsáveis por 90,4% das importações brasileiras daquele país; em 2009, 98,1%; em 2010, 97,5%.

Torneira fechada
Não há necessidade de o lojista abrir a torneira do crédito, porque o mercado está “comprador”. “Temos visto que o brasileiro não reduziu sua intenção de compra”, afirmou o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL), Roque Pellizzaro Junior. A entidade, preocupada com a inadimplência, vai orientar os seus mais de 800 mil associados a não conceder crédito além da capacidade do consumidor em honrar o débito. “Acendeu uma luz amarela”, alertou o presidente da CNDL. Em abril, a inadimplência do consumidor registrou alta de 3,5% ante igual mês de 2010, de acordo com dados do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil).

Junta ao norte
A Jucerja inaugura nesta quarta-feira sua 18ª delegacia regional. Segunda da região Norte Fluminense, a sucursal de São João da Barra começa a atender ao público dia 16. Na região está em construção o Porto de Açu, de Eike Batista, ímã de novas empresas.

Concentração
Em 1999, havia no Brasil 25 grupos seguradores que movimentavam pelo menos 0,5% do faturamento total do mercado de seguros de automóveis. Em 2010, apenas 17 grupos se encaixavam neste critério (R$ 100 milhões/ano), revela o consultor Francisco Galiza.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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