Operação maquiagem

A tentativa do Banco Central de anabolizar o valor do PIB, corrigindo-o pelo IGP-DI – que capta a inflação dos preços industriais – não teve o aval do IBGE. O objetivo do BC, como esta coluna denunciou mais de uma vez, era diminuir o endividamento líquido do país em relação ao PIB, acalmando os financiadores externos, cada vez mais inseguros em relação à capacidade do governo de continuar honrando o pagamento da dívida. Não por acaso, o acordo assinado com o FMI tem como meta reduzir, até o fim de 2001, a relação da dívida líquida em relação ao PIB para 46,5%.
Assim, enquanto o PIB 99 made no BC atingiu R$ 1,013 trilhão, os números divulgados pelo IBGE mês passado apontaram um PIB de R$ 960,858 bilhões. A “revisão” dos números do governo devem elevar em pelo menos um ponto percentual a meta acertada com o Fundo.
Ao divulgar seus números, o IBGE, sem acusar o BC diretamente, divulgou nota técnica alertando para os riscos de usar o IGP-DI para corrigir o PIB, desconsiderando os efeitos da desvalorização do real. Como boa parte da inflação do atacado não foi repassada aos preços praticados no varejo, devido à recessão, a correção do PIB pelo indicador “cheio” inflou o produto do país.

Briga
O governador Anthony Garotinho disse ontem que lutará na Justiça para impedir o retorno dos policiais civis e militares postos em disponibilidade por acusação de envolvimento em atos ilícitos e irregularidades administrativas. A afirmação de Garotinho foi uma resposta ao recursos apresentados por esses policiais, que estão exigindo a reintegração imediata às suas funções. O governador considera que a sociedade sofrerá uma grande derrota se a Justiça determinar a reintegração dos 727 policiais civis e militares que foram afastados por desvio de conduta.

Estatísticas
A Fundação de Informações e Dados do Rio de Janeiro lança hoje, no Palácio Guanabara, o Anuário Estatístico do Estado do Rio versão 1999/2000 (impresso e CD-ROM). A publicação deste volume visa dar continuidade as estatísticas estaduais periódicas, consistentes e comparáveis ao longo do tempo. Na edição, os destaques ficam por conta dos indicadores do déficit habitacional nos municípios, do Censo Escolar 1999, das áreas integradas de Segurança Pública, dos investimentos privados, da geração de empregos por setor de atividade e da evolução do PIB estadual de 1985 a 1999.
“Este ano há uma novidade em relação aos anteriores, que é a apresentação de uma série histórica que permitirá conhecer não só os dados para o último ano-base, mas como têm se comportado os setores importantes nos últimos anos”, disse Epitácio Brunet, diretor executivo da fundação.

Última parada
Devem ser sólidos os motivos que levaram o prefeito Luiz Paulo Conde a conceder, no ostracismo do penúltimo mês de mandato, aumento de 11% na passagem dos ônibus do Rio. O aumento foi o segundo no ano.

Frankstein
Uma entrevista conjunta do ex-governador Leonel Brizola e do deputado federal Roberto Jeferson forneceu pequena amostra da atuação esquizofrênica que marcará a atuação do futuro PTB oriundo da fusão com o PDT. Enquanto Brizola assegurava que um dos principais objetivos da nova agremiação seria lutar contra a internacionalização da Amazônia, Jeferson reafirmava não nutrir um pingo de arrependimento por ter integrado como sentinela avançada a tropa de choque de Fernando Collor.

Droga perigosa
Ao anunciar, ontem, que a Campanha da Fraternidade de 2001, será dedicada ao “trágico, grave e complexo problema das drogas”, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) salientou que o uso de substâncias entorpecentes é “agravado” por sistemas econômicos como o neoliberalismo, que “favorecem o comércio, o tráfico e o consumo de drogas”: “A ideologia neoliberal atenta contra a dignidade da pessoas e do povo e descuida dos mais frágeis na sociedade, ao considerar o lucro e as leis do mercado como parâmetros absolutos”, afirma o texto-base da Campanha da Fraternidade. Para a CNBB, não é possível dissociar a campanha, que tem como slogan “Vida, sim; drogas, não!”, “sem lutar por profundas mudanças no modelo social vigente, gerador de empobrecimento da maior parte do povo, de exclusões e de esvaziamento do sentido da vida”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorMitos
Próximo artigoDinossauro

Artigos Relacionados

Fintechs e bancos disputam quem cobra mais

‘Não temos vergonha de sermos bancos’, diz Febraban; mas deveriam.

Terceira via tira a máscara

Diferença para atual governo está nos métodos, não nos fins.

Os EUA lavam mais branco

Lavagem de dinheiro através de imóveis tem poucos obstáculos na pátria de Tio Sam.

Últimas Notícias

Produção de cerveja retoma ao patamar de 2014: 14,1 bi de litros

Número de brasileiros que apreciaram uma cerveja em casa saltou para 68,6% em 2020, ante os 64,6% de 2019, de acordo com a Kantar.

Bem Brasil Alimentos acelera exportações de batatas pré-fritas

Indústria mineira realizou embarques para Bolívia, Uruguai e Estados Unidos e projeta quadruplicar o volume de vendas em 2021.

Vale cancela ações em tesouraria sem reduzir o valor do capital social

O Conselho de Administração da mineradora Vale aprovou o cancelamento de 152.016.372 ações ordinárias de emissão da companhia adquiridas em programas de recompra anteriores...

Eve: Aeronaves elétricas de emissão zero de carbono

A Eve Urban Air Mobility, da Embraer, e a francesa Helipass, plataforma de reserva de voo em helicópteros para turismo e mobilidade aérea, anunciaram...

Petrobras terá arquivos nas nuvens

A Petrobras inaugurou, na última sexta-feira (17), o Centro de Competência em Computação em Nuvem (CCC), que vai direcionar e acelerar a estratégia de...