OPINIÃO DO ECONOMISTA

277

Títulos italianos e Pacto Fiscal

Os mercados acordaram nesta segunda-feira repercutindo a boa rolagem de títulos públicos italianos realizada. Somado a isto, veio o tal Pacto Fiscal, mas os investidores se perguntam se já não estaria no prelo um possível rebaixamento destes países.
Este potencial downgrade dependerá, no entanto, de como os países da região se saírem esta semana nos leilões de títulos soberanos. A Itália hoje até que se saiu bem, mas ainda faltam para amanhã a Bélgica, Espanha e Grécia. Nos EUA, a semana reserva a reunião do FED e o CPI, na sexta-feira.

Mercados

Até que foi bem sucedida a operação de rolagem da dívida italiana nesta manhã. Esta rolagem chegou a 7 bilhões de euros em títulos de um ano, atingindo o máximo previsto, com juros um pouco inferiores. O rendimento exigido pelo mercado para demanda dos papéis com vencimento em 12 meses atingiu 5,952%, abaixo do valor pago na operação de novembro, quando atingiu 6,087% – o maior nível em 14 anos. A demanda superou a oferta m 1,92 vez, ante 1,99 vez do mês passado.
Nossa visão: é um dia de cada vez. Não dá para reconquistar a confiança dos investidores de uma hora para outra. Como todos nós sabemos, a crise é estrutural e não conjuntural. São anos de má gestão fiscal nestes países da zona do euro. A coordenação dos países em torno de um pacto fiscal foi uma boa alternativa, com forte previsão de corte de gastos, mas entre a teoria e a prática vai uma grande distância.
O plano da Autoridade Bancária Européia (EBA, na sigla em inglês) para recapitalizar os bancos europeus é um fato positivo, mas traz riscos para o sistema. Isto porque a meta de 9% do Tier 1 – exigência de capital para reduzir os exposures dos bancos – é muito alta para o que vinha sendo praticado na região, em torno de 6%. O risco é de que estas exigências de capital mais apertadas incentivem ainda mais a desalavancagem, aumentando o risco de uma crise de crédito e prejuízos adicionais. Ou seja, os bancos concederão menos crédito na economia, aumentando o mergulho recessivo.
Diante da falta de medidas concretas para combater a crise, as agências de rating começam a pensar em rebaixar ainda mais o rating dos países da região, e não apenas os periféricos, mas também os considerados pilares da região, como França e Alemanha.
A decisão do Reino Unido de não compactuar com a decisão da zona do euro acabou mal absorvida pelos mercados. Na verdade, esta decisão de James Cameron, premiê inglês se deveu muito mais a problemas paroquiais, políticos do país, do que a problemas da zona do euro como um todo. Com isto, o Reino Unido se isolou ainda mais na região.
Na China, há expectativas de novos cortes de depósitos compulsórios para os bancos até o final deste mês se o país continuar a registrar queda na posição líquida de compras no mercado de câmbio e no seu multiplicador de capital nos próximos meses.
Julio Hegedus Neto – Economista e consultor da JHN Consulting
http://jhn031299.blogspot.com/

Espaço Publicitáriocnseg
Siga o canal \"Monitor Mercantil\" no WhatsApp:cnseg

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui