Ordem de grandeza

A edição de número 106 do informativo do MST traz mais um retrato do que representa o neoliberalismo para a vida dos brasileiros. “Segundo o professor da Unicamp Eduardo Fagnani, o pagamento de três dias de juros das dívidas interna e externa consome o orçamento de um ano da Reforma Agrária. Os gastos com 20 dias de juros são equivalentes ao que foi investido durante dez anos com habitação popular e saneamento básico”, diz o texto.

Conta
O Estado brasileiro, em 2005, gastou cerca de 9% do PIB, quase R$ 200 bilhões, com juros, quando o razoável seria gastar a quinta parte disso, calcula o economista Bresser-Pereira, ex-ministro da Fazenda.

Interna
Leonardo Attuch, repórter que entrevistou, para a IstoÉ Dinheiro, a secretária Fernanda Karina, um dos detonadores do escândalo do Valerioduto, conta este e outros momentos em A CPI que abalou o Brasil – os bastidores da imprensa e os segredos do PT (Editora Futura, 160 páginas). Com apresentação do deputado Gustavo Fruet (PR), o livro de Attuch mostra como o repórter foi investigado pela Polícia Federal e fez outras matérias, com a ajuda de “duas pessoas que arrecadaram recursos para o PT em 2002, autênticos “Gargantas Profundas””.

Altas e baixa
As prefeituras estão, de um modo geral, reajustando os impostos que serão pagos este ano utilizando índices próximos ao previsto para o IPCA (inflação oficial). São Vicente, no litoral paulista, surpreendeu: reduziu as taxas em 8%. Ubatuba se contentou com aumento de 2,38%. O levantamento foi feito pelo Instituto Civis. A ONG está em pé de guerra com a Prefeitura de Petrópolis (Região Serrana do Rio), que elevou IPTU, ISS e que tais em 11,28%, o dobro do que espera-se do IPCA.
Em 2004, taxas e tributos representavam quase um terço da receita total do município. De acordo com a ONG, Petrópolis está entre as dez cidades do Rio com maior IPTU e carga tributária. O instituto pede ao Ministério Público que entre no circuito.

Fim de linha
Atendendo à solicitação da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Ministério do Trabalho, enfim, determinou à delegacias regionais do Trabalho (DRTs) que anulem todos registros precários de jornalistas concedidos durante a vigência de liminar de uma juíza-substituta da 16ª Vara Federal de São Paulo, que, em outubro de 2001, suspendera a exigência de diploma para o exercício da profissão. A liminar e seus efeitos foram revogados, por unanimidade, pela Quarta Turma do Tribunal Regional Federal – 3ª Região no último dia 26 de outubro. Desde, então, a Fenaj solicitava que o ministério cassasse o registro dos janeleiros. Cerca de dois meses e meio depois seu pedido foi atendido.

Profilaxia
Entre as inúmeras propostas de reforma partidária e eleitoral nenhuma pode ter efeito mais fulminante sobre o mercado de compra e venda de parlamentares e partidos do que a perda do mandado do que mudar de sigla após eleito. Nenhuma sigla partidária pode manter aprisionados os que, por motivos volúveis ou substantivo$, queiram fazer qualquer tipo de swap no mercado político. Em respeito a Sua Excelência, o eleitor, no entanto, devem fazê-lo – na quantidade de vezes que lhes for conveniente – sem o mandato outorgado pelas urnas. Não é demais lembrar que parte do mensalão teve largada na engorda de legendas que, com déficit de votos, foram turbinadas pelos encantos do poder.

Aquecimento eleitoral
É tentação antiga: todo político gosta de sonhar com o adversário dos seus sonhos, aquele que, pelo menos teoricamente, é mais fácil de ser batido nas urnas. Que FH seja o abertamente escolhido pelo PT e seu entorno permite duas leituras complementares: 1) O interminável governo FH foi tão desastroso que, nem com Lula nas cordas, o eleitorado pensa em voltar ao passado; 2) Da primeira, se deduz que, enquanto o candidato tucano vai ter de se descolar de FH, Lula vai terá de explicar por que deu continuidade à herança maldita.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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