Ordem de grandeza

A redução de 2,5 pontos percentuais na taxa básica de juros – de 24,5% para 22% ao ano -deve resultar em uma economia entre R$ 8,7 bilhões e R$ 11,1 bilhões (dependendo da fonte do cálculo) no pagamento de juros pela União nos próximos 12 meses. Segundo o economista-chefe da consultoria econômica Global Invest, Marcelo Ávila, essa redução corresponde a 22,83% do que o governo pretende deixar de gastar em 20 anos com a reforma previdenciária. Traduzindo: numa canetada dos burocratas do Banco Central, o governo Lula economizou o que espera arrancar em 4,5 anos dos aposentados.

Na pressão
A emblemática mistura da voz rouca das ruas, do berro dos gabinetes e a proximidade da votação do projeto de autonomia do Banco Central foi, enfim, capaz de despertar a nomenclatura do torpor que a impedia de enxergar a recessão que envolve o mundo real. Mais importante do que a queda de 2,5 pontos percentuais, fantástica para o dogmatismo do BC, foi a reafirmação do peso das pressões políticas e sociais no enquadramento de tecnocracias financistas.
Apesar do avanço, é preciso não exagerar nas comemorações, nem muito menos nas ilações. O Brasil continua carregando a mancha de praticar a segunda maior taxa de juros reais – cerca de 15% quando deflacionada pelo IPCA – do mundo, atrás apenas da Turquia. Essa percepção é fundamental na busca de alternativas ao cancro monetarista enquistado no aparelho de Estado e que devem ter como norte a construção de uma economia que não flutue e, no geral, afunde, ao sabor dos humores dos especuladores de todas matizes.

Atraso
A redução da taxa Selic em 2,5 pontos chegou com três meses de atraso, sentenciou o presidente do Instituto Brasileiro dos Executivos de Finanças de São Paulo (Ibef-SP), Walter Machado de Barros. Fazendo as contas, os radicais do BC fizeram a viúva gastar entre R$ 2,2 bilhões e R$ 2,8 bilhões a mais no período.

Secretário tricolor
Durante a inauguração do primeiro porto privado de Niterói (RJ), Brasco Logística Offshore, ontem, a banda da Polícia Militar não tocou o hino nacional, em função do luto oficial de três dias, decretado pelo governo federal em função da morte do embaixador brasileiro Sérgio Vieira de Mello. No entanto, na hora do descerramento da placa em homenagem a inauguração, a Banda da Polícia Militar tocou o hino do Fluminense, para delírio do secretário de Energia e Indústria Naval do Rio, Wagner Victer. O secretário, que viaja amanhã para Noruega, está levando na bagagem dezenas de camisas do Fluminense para distribuir entre empresários da área naval daquele país.

Recordista
Se fizesse parte dos Jogos Pan-Americanos, a modalidade de “voadores” certamente garantiria mais uma medalha de ouro para o Brasil. Segundo o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro), um único brasileiro emitiu 1.883 cheques sem fundos. Apavorado com essa incrível façanha, o Sincopetro lançou uma campanha junto aos postos da capital e do interior do estado, para tentar moralizar o uso de cheques, principal meio de pagamento utilizado pelos consumidores nos postos de combustíveis. Os donos de postos querem que os bancos sejam responsáveis pelos correntistas, aos quais atestam crédito. Até agora, mais de 100 mil cheques sem fundos foram recolhidos entre todos os postos que aderiram à campanha.

Voe Canadá
Seguir para o Japão via Canadá é a opção que a agência Sem Destino oferece aos brasileiros que quiserem evitar pagar US$ 120 pelo visto dos Estados Unidos, que a partir de agosto passou a ser exigido para passageiros em trânsito pelos EUA. O Canadá também faz a exigência, mas o visto é gratuito.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorDesagrado
Próximo artigoHomenagem

Artigos Relacionados

Falta de servidores traz prejuízo, inclusive financeiro

Fila de segurados no INSS vai engrossar precatórios em R$ 11 bilhões.

Desmonte do Estado se dá pelas beiradas

Miçangas e espelhos empurram reformas administrativas nos municípios.

O que vale pros precatórios vale pra dívida interna?

Se calotes são defensáveis, poderiam ser estendidos para os títulos públicos.

Últimas Notícias

Distribuição comercial: quais cláusulas e condições mais importantes?

Por Marina Rossit Timm e Letícia Fontes Lage.

Mercado corre do risco em momento de estresse

Se tem uma coisa que o mercado é previsível é com relação ao seu comportamento em momentos de estresse é aversão ao risco. “Nessa...

Petrobras: mais prazo de inscrição no novo Marco Legal das Startups

Interessados em participar do primeiro edital da Petrobras baseado no novo Marco Legal das Startups (MSL) poderão inscrever-se até o dia 12 de dezembro....

Canal oficial para investidor pessoa física na B3

A partir desta sexta-feira, a nova área logada do investidor da B3, lançada em junho, passa a ser o canal que centraliza todas as...

Fitch Ratings atualiza metodologia de Rating de Seguros

A Fitch Ratings, agência de classificação de risco, publicou nesta sexta-feira relatório de atualização de sua Metodologia de Rating de Seguros. Segundo a agência,...