Os culpados

Depois das crises asiática, russa e da queda da bolsa em Marte, os executores da política econômica tucana buscam na decisão do Supremo Tribunal Federal sobre a tunga ao FGTS o novo bode expiatório para justificar seu fracasso. Antes que o feitiço se volte contra o feiticeiro, é preciso dizer não ser necessário sair do círculo da plutocracia econômica para encontrar os culpados pelos eventuais desdobramentos da decisão do Supremo. Bresser, Maílson da Nóbrega, Antônio Kandir e outros que tais responsáveis por confiscos e outros atentados aos direitos adquiridos foram e continuam sendo integrantes ativos da nomenclatura que tem mandado e desmandado na política econômica dos últimos 15 anos.
Prova de que suas gestões tiveram e têm a aprovação dos atuais mandarins dentro e fora do governo é o prestígio que desfrutam como oráculos do mercado e os polpudos salários que embolsam a títulos de consultorias, cujo principal lastro está no acesso a fontes privilegiadas no aparelho oficial. A eles, portanto, que seja cobrada pelo menos a conta do desgaste político e da execração pública, já que seu forte nunca foi coçar o próprio bolso para pagar pelas, estas sim, incalculáveis perdas provocadas ao país por seus dogmas e crendices econômicos.

Pós-privatização
Após 20 anos o Sindicato dos Bancários do município do Rio de Janeiro volta a ser presidido por funcionário de banco privado. José Ferreira, do Unibanco, acaba de ser eleito para substituir Fernanda Carísio, que concluiu seu segundo mandato. A vice-presidência continua a ser ocupada por Vera Lúcia Xavier Ferreira, do Banerj. Militante do PT, José Ferreira assegura que a política de defesa de instituições como Banespa, Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal vai ser mantida.

Barrados no baile
O MST denuncia que a PM da Bahia estaria impedindo o acesso de sem terra a Porto Seguro para participar das comemorações dos 500 anos do descobrimento do Brasil e protestar contra a política econômica. Segundo o MST, o cerco se estende a toda a BR-101, com a detenção de ônibus e caminhões com trabalhadores de várias partes do estado. Em Itabuna, onde a sede da Secretaria regional do MST foi cercada, já teriam ocorrido prisões. Em protesto, o MST está pedindo a seus simpatizantes entulharem os computadores do presidente FH e do governador César Borges com mensagens lembrando-lhes que o direito de ir e vir está garantido a todos os cidadãos brasileiros pelo artigo 5°. da Constituição Federal.

Amadores
Sem vocação para pitonisa, esta coluna espera, porém, não estar assistindo a um replay das rusgas da oposição em 90. Naquela ocasião, vaidades e objetivos eleitoreiros inviabilizaram a união para a eleição ao governo do estado depois da engenharia política que permitira o palanque único para enfrentar Collor no segundo turno. O resultado é conhecido. Com a birra do PT, que negou apoio à candidatura Brizola, este acabou nos braços, e outras partes menos nobres do corpo, dos Náder e Cadornas, opção pela qual pagou altíssimo desgaste político. Como corolário, o Rio amargou o Governo Marcello Alencar, sobre o qual se dispensa comentários. Agora, espera-se que a irresponsabilidade e a fragilidade da oposição não chegue ao ponto de jogar novamente o governo do estado nas mãos de um dos muitos candidatos do neoliberalismo.

Nação viva
Uma caminhada pelas praias da Zona Sul do Rio, neste domingo, para mostrar que a nação brasileira está viva. A manifestação pretende reunir famílias vestindo roupas com as cores da bandeira, caminhando em silêncio, em repúdio a qualquer tipo de violência. Apesar de não ter dirigentes nem patronos, o ato está sendo convocado de maneira informal por várias entidades. Os pontos de concentração serão no Leme e no Leblon, às 9h, com encerramento previsto para 12h no Forte Copacabana.

Trocado
Prestes a ser incorporado pela Bovespa, a Bolsa de Bahia, Sergipe e Alagoas é mais uma prova da pouca capilaridade, para citar o ex-ministro Magri, do mercado acionário brasileiro. A bolsa nordestina tem movimento diário de R$ 10 mil, pouco mais do que salário de muitos dos turbinados yuppies do mercado financeiro.

Javanês
O homem é o estilo. Em nota divulgada sexta-feira para acalmar os humores do mercado sobre as conseqüências do julgamento da tunga do FGTS, os ministros da Fazenda, Pedro Malan, e do Planejamento, Orçamento e Gestão, Martus Tavares,  afirmam  “inexistir razão substantiva que autorize preocupação extemporânea com a execução do programa de estabilidade fiscal”. “É inabalável a disposição do governo de assegurar a consecução das metas fiscais como, aliás, vêm fazendo com determinação, responsabilidade e indiscutíveis resultados positivos reconhecidos no país e no exterior”, completam. Pela nota, dá para imaginar Malan e Tavares em pleno incêndio em suas mansões pedindo aos empregados uma mangueira de “maior valor agregado” para produzir um efeito heterodoxo de H2O sobre “uma combustão desfuncional”.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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