Finalmente chega ao fim a Guerra do Iraque. Uma guerra iniciada pela nação mais poderosa do planeta contra uma pequena nação no Oriente Médio que em nada ameaçava seu agressor, além de uma retórica estúpida de pequeno ditador.
Foi uma guerra decorrente de uma visão geopolítica doentia de George Bush, Cheney, Rumsfeld e outros neoconservadores. Por objetivo tinham a busca do domínio político da região através da democratização subjugada do país invadido e , ainda, o domínio de uma das maiores reservas existentes de petróleo. Uma guerra imoral e ilegal, que contou com a oposição das Nações Unidas
Do alto de uma profunda ignorância da realidade cultural e política da terra invadida, lançou-se os Estados Unidos numa aventura que estarreceu a esmagadora maioria da opinião pública Ocidental. Ao invadir, em vez de flores os invasores receberam inesperada e determinada resistência. Enfrentaram a mais temível das rebeldias, aquela que conta com o apoio da população ferida.
A par de recente homenagem de Obama aos heróicos soldados que se retiram, outra solenidade ocorre na minúscula cidade Sunita de Haditha, no interior desértico da província iraquiana de Anbar. Mulheres, homens e crianças trazem as fotografias de 27 civis. Uma exibe um homem em cadeira de rodas, outras mostram mulheres e crianças, todos assassinados por uma unidade dos marines.
Há poucos dias, 400 páginas de documentos militares foram recuperadas por correspondente da imprensa norte-americana, encontradas no lixo de uma empresa iraquiana. Estes documentos, secretos, porém esquecidos pela tropa que deixa o Iraque, revelam a multiplicação das Hadithas, dos massacres de civis, do comprovado tiro ao alvo sobre iraquianos desarmados, enfim, um verdadeiro genocídio de mais de 100 mil homens mulheres e crianças marcadas para morrer só porque lá estavam.
Como explicação do ocorrido, pronuncia-se o general Steve Johnson, comandante da área militar que abrange Haditha: É o custo do negócio, “the cost of doing business”.
Tem sido imensa a perda do inigualável soft power norte-americano, tanto no Ocidente como no Oriente Médio, devido a suas guerras desastradas. Hoje, o noticiário nos leva à expectativa de novo conflito na região, tendo o Irã por alvo.
Embasados na dúbia certeza de que o Teerã desenvolve sua bomba nuclear (Iraque redux?), a aliança EUA-Israel, através de uma imprensa submissa, prepara a opinião pública mundial para uma nova intervenção.
Ao espectador atônito fica a imagem de soberanias atropeladas, de civis massacrados e da ressaca moral que submerge as lideranças do mundo livre.
Pedro da Cunha
Consultor.















