Os ingênuos

A confirmação pelos fatos da manchete do MM de terça-feira de que o preço da gasolina para o consumidor subiria pelo menos os mesmos cerca de 10% praticados pelas refinarias não foi uma expressão de quiromancia. Ela se sustentava no ocorrido nos aumentos anteriores, quando o consumidor sempre pagou muito acima do estimado pelos representantes dos postos de gasolina, que desta vez restringia a alta a 4,5%, em média. A não consideração do histórico do setor revela que falta gás ao jornalismo declaratório.

Festa
O acordo fechado entre o parque temático Hopi Hari e os credores, para rolar uma dívida de R$ 178 milhões “pelo menos até outubro de 2008” (nenhum pagamento, nem juros, nem principal) fez esta coluna se debruçar sobre um livro de 1998, que reproduz as palestras do seminário Parques Temáticos: Legislação, Investimento e Mercado. Na época, os parques de lazer eram apresentados como “o negócio do futuro”, o shopping center do século XXI. Pio Borges, na época vice-presidente do BNDES, louvava a área de turismo, por considerá-la altamente dinâmica e empregadora de mão-de-obra. Dentro desse segmento estavam os parques. “Neste momento, como todos sabem, já existem importantes projetos de parques temáticos apoiados pelo banco”. Em 2003, o BNDES estava entre os credores do Hopi Hari, junto com Brascan e Bradesco. O empreendimento já acumula prejuízo de R$ 291 milhões desde a inauguração, em 1999.

Prejuízo anunciado
A ilusão com os parques temáticos não era exclusividade da diretoria do BNDES de então. Lendo as palestras de outros participantes do seminário de 1998 chega-se fácil à conclusão de que os projetos reuniam um pouco de aventureirismo e mistificação. Nenhum dos empreendedores tocou no assunto básico: como recuperar o dinheiro investido. Falavam da grandiosidade dos projetos, das áreas de milhares de metros quadrados e de gastos. Só um dos participantes falou – mesmo assim de passagem – em receita e, iludido pelo congelamento do real, estimava o valor do passaporte em dólares.

Viúva
Muita gente entrou na aventura temática. McDonald”s, Kibon e Coca-Cola foram alguns dos parceiros de projetos que naufragaram. Mas ninguém duvide que o grosso do prejuízo ficou com a viúva: além do BNDES, as fundações de empresas estatais foram alguns dos parceiros prediletos dos grupos que construíram parques temáticos. A Previ – fundo de pensão dos funcionários do Banco do Brasil – vendeu ano passado o Magic Park, considerado um dos piores investimentos feitos pela entidade, por R$ 3 milhões. A fundação enterrara R$ 40 milhões no empreendimento. “A Previ já havia admitido que o parque foi um mal investimento. Desde o início, não deu o retorno esperado”, informou na ocasião o diretor de Participações da Previ, Renato Chaves.

Dia D
Chegou a hora de ver quem tem mais garrafa vazia para vender. O candidato da situação à presidência da Fiesp, Claudio Vaz, divulga hoje os integrantes de sua chapa. O candidato da oposição, Paulo Skaf, já apresentou seus companheiros de chapa, que somariam 73 votos no colégio eleitoral que elege o presidente. O vencedor precisa de cerca de 62 votos (os dois candidatos divergem sobre os números).

Tratado
A Escola Politécnica da UFRJ inaugura dia 22 de junho, às 10h, Centro Experimental de Tratamento de Esgoto. Projeto pioneiro no estado, voltado para o ensino e pesquisa, o centro será utilizado por estudantes e profissionais de concessionárias públicas e empresas privadas.

Pesquisa de ponta
A Embrapa Solos, centro de pesquisa da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, tem novo chefe geral. O engenheiro agrônomo Celso Vainer Manzatto, que foi chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da mesma empresa entre1998 e 2003, toma posse nesta sexta-feira, às 15h, no Jardim Botânico. A cerimônia contará com a presença do presidente da Embrapa, Clayton Campanhola.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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