Os insaciáveis

O aumento da gasolina que assaltará o bolso do contribuinte a partir de amanhã – e que só a Velhinha de Taubaté ainda crê se restringirá aos 8,3% anunciados oficialmente – é revelador do “custo FH” imposto ao país. Autorizado numa hora em que o preço do petróleo recua no mercado internacional, o reajuste deita raízes em dois dogmas tucanos. O primeiro, a oficialização dos aumentos trimestrais para tornar o mercado “mais atraente” para as empresas internacionais que têm desembarcado aos borbotões no país atrás do cumprimento da promessa de que o petróleo é vosso. Uma das exigências dessas multinacionais é de que o preços sejam livres como raposas no galinheiro.
O segundo pressuposto é fazer caixa a qualquer custo para garantir a meta de superávit primário (exclui gastos financeiros) de quase R$ 30 bilhões. De fato, para a goela de um governo perdulário que torrou R$ 56 bilhões com pagamentos de juros apenas nos cinco primeiros meses do ano, não basta cortar e desviar verbas de Educação, Saúde e Segurança, aumentar alíquotas de impostos sobre o setor produtivo ou pagar salários africanos. É preciso inventar continuamente novas formas de drenagem do setor produtivo para a rapinagem financeira.

Modernidade tucana
O mais emblemático na demissão da mulher, Maria Helena Ferreira, da Secretaria estadual de Ação Social não foram as denúncias de corrupção que envolviam a cara metade do governador do Espírito Santo, o tucano José Ignácio Ferreira. Para muito além disso, o caso serve de estudo de caso da contradição entre prática e discurso dos menestréis do neoliberalismo. Ícone mais saliente do desmonte do Estado na safra de governadores eleitos ano passado, Ferreira não via contradição essencial entre o discurso contra o patrimonialismo e a prática de massacre do funcionalismo – inclusive com a redução de salários – e o fisiologismo familiar, que se estendia à nomeação do cunhado para a Secretaria de Governo. Ou seja, mesmo na sua versão pós-moderna, o tucanato, que não cansa de brandir a bandeira do fim da Era Vargas, não esconde o ranço saudosista da República Velha, aquele paraíso no qual tratar problema social como caso de polícia não causava maiores constrangimentos nem exigia maiores malabarismos retóricos.

Dividido
A não intervenção do Banco Central no mercado cambial ontem, apesar da disparada de 2,88% do dólar pode dever-se a razões pátrias. Cidadão norte-americano, o presidente do BC, Armínio Fraga, deve ter trabalhado a meio vapor devido à comemoração do Dia da Independência dos Estados Unidos. Já o ministro Pedro Malan deve ter lamentado não poder passar o dia em Nova York.

“Blind Justice”
Para assegurar um mínimo de credibilidade aos seus trabalhos, o Tribunal Penal Internacional (TPI) deveria intimar os comandantes das tropas da Otan nos Balcãs às suas barras. Afinal, uma corte que se arvora o direito de epitetar de “carniceiro” o principal líder de um dos lados envolvidos na guerra, no mínimo deveria tratar de genocidas os que submeteram populações civis e seus próprios soldados a radiação, como mostram as mortes de jovens e, até então, saudáveis militares europeus que integraram as tropas da organização no teatro de combate. Menos que isso tornará insuportável o cheiro de quintal dos EUA que vem das salas do TPI e fornecerá argumentos preciosos para Slobodan Milosevic esgrimar contra seus acusadores.

Cassado
Se a imagem de político que lutou contra a ditadura prevalecesse, o governador Mário Covas ficaria envergonhado com o que ocorreu no governo paulista. O professor Antônio Geraldo Justino, o Tonhão, empurrado pelo então governador ao tentar impedir sua entrada no prédio da Secretaria de Estado  da  Educação, durante uma manifestação de docentes em maio do ano passado, foi demitido após processo administrativo. Covas, que sempre protestou contra as cassações de políticos e funcionários – especialmente professores contrários ao regime militar -, não merecia mais essa mancha no currículo.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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