Os intocáveis

Apesar de o ano estar no começo, pelo menos um setor já tem o que comemorar. Com a elevação da taxa básica de juros (Selic) para 26,5% ao ano, um banqueiro ou um rentista com um R$ 1 milhão para investir nos papéis ofertados pelo ministro Palocci e pelo presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, garante um ganho anual de R$ 265 mil. Esse número representa pouco mais de R$ 20 mil por mês, ou quase o dobro do teto de R$ 12 mil que se estuda impor ao funcionalismo. A festa, porém, pode estar perto do fim, pois, como anunciou o presidente Lula no fim de semana: não existem intocáveis. E, se a banca chiar, o presidente joga a opinião pública contra ela.

Autonomia
A garantia é de integrantes do PCdoB do Rio. Apesar da presença do deputado Aldo Rabelo (PCdoB-AL) na liderança do governo na Câmara dos Deputados, o partido não votará a favor da taxação de aposentados. Nos próximos dias, a agremiação deve divulgar um documento com suas posições sobre as propostas do governo Lula.

Pára pela paz
Com a popularidade em baixa recorde, o primeiro-ministro do Reino Unido, Tony Blair, pode ver seu país parar, literalmente. Representantes de cinco sindicatos britânicos que representam cerca de 750 mil trabalhadores já anunciaram que, se Blair for à guerra contra o Iraque, podem ser deflagradas greves em massa no Reino Unido. “Se Blair não mudar de postura, cairá”, advertiu Paul Mackney, do sindicato de professores universitários (Natfhe), lembrando que Anthony Eden, primeiro-ministro pelo partido conservador de 1955 a 1957, perdeu seu cargo por não escutar a opinião pública durante a crise de Suez de 1956.

Descarrilado
O secretário-geral do sindicato de maquinistas de trens (Aslef), Mick Rix, lembrou que  trabalhadores da ferrovia já se negaram a transportar materiais que poderiam ser utilizados em caso de conflito no Golfo Pérsico. As declarações dos sindicalistas ganharam ainda maior peso depois da manifestação Stop The War Coalition, que reuniu cerca de 1 milhão de pessoas em Londres contra a guerra ao Iraque.

Revival
No último fim de semana, alguns petistas por algum motivo se lembravam da síntese do governo FH feita pelo cientista política Wanderley Guilherme dos Santos: “Ele é forte com os fracos e fraco com os fortes.”

Unidos
Deputados federais e senadores do Estado do Rio de Janeiro deram ontem total apoio à governadora Rosinha Garotinho nas negociações com a União para contornar a crise financeira do Estado. Durante o encontro, o secretário de Finanças, Mário Tinoco, apresentou aos parlamentares a situação financeira do Rio. Rosinha explicou as quatro propostas de negociação que apresentou ao governo federal para equilibrar as finanças do Rio: estadualização das instalações portuárias localizadas no Rio, incluindo o porto de Angra dos Reis; o encurtamento do prazo de 10 para cinco anos dos CFTs, títulos federais em poder do Rio Previdência, possibilitando maior resgate mensal; a transferência para União de tributos fiscais do antigo Banerj, parte do banco que ficou com o governo estadual após a privatização; e a securitização dos excedentes dos royalties do petróleo, em função do aumento da produção e da alta do preço do barril.

Quase
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) lamentou a ausência dos representantes do PT e frisou que o Rio de Janeiro precisa pensar não só em uma solução emergencial para a questão financeira, mas em saídas a longo prazo. “Tecnicamente, as soluções existem. O que precisamos é de uma ação política conjunta”.

Causa & efeito
No mínimo, irônico, no máximo, despudorado. Os Estados Unidos que comandam uma cruzada exigindo o desarmamento do Iraque são o mesmos que, durante a longa guerra de Saddam Hussein contra o Irã, despejaram US$ 50 bilhões em armamento no colo do seu hoje desafeto.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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