Os números não mentem?

Os números da rejeição do processo contra Michel Temer não são, para desgosto dos matemáticos, tão claros como seria o normal. Muitos dos que votaram pela aceitação da denúncia o fizeram para sair bem na TV, mas cumpriram compromisso com o ainda presidente para garantir o quórum da votação. Outros, que apoiaram publicamente Temer, assumiram o risco para ficar bem com o Planalto e garantir, na base de obras e outras benesses em seus currais eleitorais, a difícil reeleição em 2018.

Mas não foi a matemática a grande perdedora. Ao manter um presidente contra a parede, com menos de 5% de aprovação popular, o Congresso caminha para a ampliar a impopularidade, que já não é baixa. O grande perdedor é o Brasil, que verá o ocupante do Planalto pressionado para demolir as conquistas sociais não só dos últimos anos, mas boa parte das obtidas no século passado. Isto à base de generosas idas aos cofres públicos.

Pelo menos os deputados poderiam poupar o país das grotescas manifestações de apoio.

 

Onde está Kim?

A campanha pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff se apoiava na debilidade da economia e nas denúncias de corrupção. Temer, que a sucedeu, enfrenta, em meio à fragilidade econômica e com uma mala de dinheiro no colo, a ameaça de um processo por recebimento de propina.

Em defesa do “Fora, Temer”, um solitário mineiro protestava no início da tarde desta quarta-feira em frente ao Congresso. Onde andam o MBL e outros movimentos paladinos da moralidade?

 

Até lá

O salário mínimo na China mais do que dobrou de 2006 até 2015, saltando de 690 (R$ 320) iuanes para 1,51 mil iuanes (R$ 700). O custo mais alto da mão de obra está aumentando a automação, mesmo lá. Em Dongguan, em janeiro, quase 2,7 mil projetos receberam apoio financeiro do governo, apresentando 76 mil máquinas. As máquinas aumentaram a produtividade em 2,5 vezes, fazendo o serviço de 200 mil trabalhadores.

Agora, os operários são pessoas recém-formadas em universidades, que ficam em salas refrigeradas programando as máquinas.

Conhecida como a fábrica do mundo, Dongguan responde pela produção de um quinto dos smartphones do mundo, assim como um décimo dos sapatos.

 

Barril

Países exportadores de gás natural e petróleo do Oriente Médio continuam com as contas apertadas devido aos baixos preços. As estimativas da consultoria Mercator Business Intelligentsia apontam para um déficit orçamentário médio de 11% do PIB em 2016 e 8% em 2017, com Arábia Saudita, Bahrein e Omã sendo de longe os maiores afetados.

 

Desmonte

Como esta coluna alertou, a Prefeitura do Rio está mudando a prioridade na saúde do município, reduzindo a presença das unidades dedicadas à atenção básica e apoiando a visão hospitalar, que cuida das consequências.

Nesta terça, a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) reforça esta crítica. Segundo a entidade, o fim do contrato entre a Prefeitura e uma organização social (OS) “está sendo utilizado como ponta de lança para o desmonte de unidades dedicadas à atenção básica”.

Deverão ser fechadas 11 unidades, entre clínicas da família e centros municipais, na Zona Oeste, área que possui maior carência. “A ideia é, até o fim do ano, acabar com 30 equipes da Estratégia Saúde da Família”, denuncia a Abrasco.

 

Rápidas

O Passeio Shopping (RJ), em parceria com a artista plástica Cida Mansur, organiza nesta sexta-feira a “Oficina de Arte e Reciclagem”, das 14h às 16h, que terá como tema a criação de mandalas com utilização de fios de lã *** Até quando vai a crise? Esta e outras questões serão discutidas na palestra “O Cenário da Crise Política e as Eleições de 2018” com Ibsen Costa Manso, no auditório da Ancord (Rua Líbero Badaró, 425 – 8º andar – Centro – SP). Inscrições gratuitas através do e-mail eventos@ancord.org.br *** “Os caminhos da comercialização: pré-vendas e vendas” é tema de oficina com a diretora comercial da Cia. das Letras, Luciana Borges, na Estação das Letras, no Flamengo (RJ), neste sábado, das 10h às 17h. Maias informações em www.estacaodasletras.com.br *** O Comitê Acelera Fiesp fará a sexta edição do Hackathon neste final de semana. O desafio será criar um aplicativo para dispositivos móveis com código aberto com uso da inteligência artificial para combate a corrupção e pedofilia. Mais informações em http://hotsite.fiesp.com.br/hackathon *** Entre 4 e 13 de agosto, os visitantes do Rio Gastronomia poderão conferir a receita de moqueca amazônica do chef Marcelo Barcellos, que comanda o Barsa, na Cadeg. O prato será preparado com pirarucu, da Zaltana Pescados, e farofa de farinha Panko

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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