Os números, os números

A divulgação dos números da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do IBGE, deveria servir de senha para o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, aposentar o mantra favorito do ex-ministro Francisco Dornelles, de que o desemprego no interior era menor do que nos grandes centros metropolitanos e, portanto, os indicadores sobre o tema estariam defasados. A POF mostrou que “a pobreza extrema no Brasil é mais intensa no interior” e, como a miséria é um dos efeitos mais perversos do desemprego, Berzoini deve trocar de álibi.

Custo Brasil
Um dos dados da POF que melhor sintetiza os vencedores e perdedores da última década informa que as despesas dos brasileiros com tarifas bancárias saltaram de apenas 0,04% dos gastos médios das famílias, em 1995-96, para 0,9%, em 2003. Ou de R$ 0,84 ao mês, no primeiro período, para R$ 18,73 ao mês, ano passado. Para se ter uma idéia da drenagem perpetrada pelo sistema financeiro, basta lembrar que, para pagar os mesmos R$ 18,73 em CPMF – tão criticada pelos bancos – o cliente teria de movimentar R$ 4.928, quantia distante do bolso da esmagadora maioria dos brasileiros, que, no entanto, não podem se escusar na falta de dinheiro para fugir da gula da banca.

Pedalada
Chega hoje, às 11h, ao Rio de Janeiro, o australiano Paulo Harter, que há cinco anos pedala pelo mundo para protestar contra as políticas neoliberais e defender o cancelamento da dívida externa do Terceiro Mundo. Sempre de bicicleta, Harter percorreu 46 mil quilômetros, para fazer o percurso Austrália-Brasil, tendo passado por outros 30 países em cinco anos. Ele será recepcionado por ativistas da Campanha pelo Cancelamento da Dívida em frente à Câmara dos Vereadores, na Cinelândia.

Regime forçado
Reverenciados pela imprensa brasileira como paradigmas do jornalismo moderno, os jornais dos Estados Unidos fazem cada vez menos sucesso em casa. Segundo dados do Audit Bureau of Circulations, responsável pela circulação de 836 jornais daquele país, entre outubro de 2003 e março de 2004, a tiragem total média diária dos jornais norte-americanos recuou de 50.827.454 para 55.075.444, -0,9%.
Nem todos, porém, foram atingidos por esse processo de encolhimento. No mesmo período, USA Today, The New NewYork Times, The New York Post e The New York Daily News viram sua circulação crescer nos dias úteis em 1,4%, 0,3%, 9,3% e 1,4%, respectivamente. Os três últimos são publicados em Nova York. The Washington Post, um dos principais jornais do país, perdeu 3% de seu público – 24 mil pessoas – no mesmo período. Significativamente, a tiragem dos jornais em espanhol tem avançado, aproveitando-se do crescimento acima da média da população de origem hispânica naquele país.

Investimento
Um dos mais entusiastas senhores da guerra na mídia norte-americana, Rupert Murdoch vê seus jornais entrarem no vermelho na Inglaterra. Editados pela News Corporation, de Murdoch, The Times e Sunday Times somaram prejuízos de cerca de US$ 50 milhões entre julho de 2002 e junho de 2003. Os dois jornais já eram deficitários, quando foram comprados pelo magnata australiano, em 1981, o que reforça a opinião dos que vêem na mídia, não apenas um segmento de negócios, como uma importante alavanca para abrir portas e fazer amigos no poder.

Sr. Apagão
Não espanta que FH procure a mídia para manter-se em evidência. Espanta (será?) é a reverência que a maior parte da grande imprensa dedica ao ex-presidente quando ele fala de assuntos como desenvolvimento e energia, nos quais seu governo naufragou.

Por fora
Um campeão de votos deve balançar o movimentado quadro eleitoral em São Paulo. É muito provável que ele entre na disputa, reduzindo ainda mais as chances da atual prefeita, a petista Martha Suplicy, chegar sequer ao segundo turno.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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