Os prejuízos da demissão silenciosa

Por William Margreiter Alves

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A demissão silenciosa, também conhecida como quiet quitting, consiste na forma como o empregado exerce suas atividades, especificamente no que tange à atitude do colaborador no ambiente corporativo. Nesse cenário, o empregado limita-se a realizar somente as tarefas básicas no desempenho de suas atividades laborais. Ou seja, ele realiza apenas o estritamente necessário para não ser demitido, empregando o menor esforço e utilizando bem menos do seu potencial.

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Aqueles que defendem esse movimento afirmam que a ideia principal é equilibrar a vida pessoal e profissional, dando prioridade às atividades fora da empresa. Esse movimento ganhou notoriedade há pouco tempo, especialmente com o engenheiro Zaid Khan em seus vídeos no TikTok. Entretanto, há estudiosos que afirmam que o tema já foi abordado há alguns anos atrás com um nome diferente.

É possível afirmar que a maioria dos adeptos está localizada nas gerações Z e Millennial, que gradualmente estão dominando o mercado de trabalho e têm como prioridade o bem-estar, enxergando o trabalho apenas como um meio.

O fato é que as empresas estão cientes de que há um número considerável de adeptos ao movimento e, aos poucos, estão criando alternativas para minimizar o impacto desse movimento dentro das corporações. Exemplos incluem semanas de trabalho mais curtas e férias ilimitadas.

Entretanto, a principal arma para combater a demissão silenciosa é o modelo de gestão de um líder, especificamente por meio da influência. Se o líder conquistar o respeito de seus liderados e conseguir servir como modelo, a tendência é que os empregados passem a segui-lo, tornando-se exemplo para os demais.

Por isso, é imprescindível que o líder, ao perceber esse tipo de situação, converse com o liderado e explique as consequências e o impacto negativo que tal atitude poderá trazer para a sua carreira profissional. É importante esclarecer que esse tipo de comportamento pode acarretar a falta de chances de crescimento profissional dentro das empresas, já que as oportunidades de promoção são dadas àqueles que desenvolvem um trabalho diferenciado. Isso seria praticamente impossível para um empregado adepto ao movimento da demissão silenciosa.

Além disso, podemos citar que o impacto negativo dentro da equipe pode ser devastador. Imagine o exemplo: um empregado que dá o seu máximo no dia a dia descobre que tem um colega de trabalho adepto ao movimento da demissão silenciosa, e ambos recebem o mesmo salário. Como esse empregado, que se esforça diariamente, terá motivação para continuar se esforçando, sabendo que tem um colega de equipe que faz apenas o básico e ainda recebe o mesmo salário que ele?

Consequentemente, essa situação trará consideráveis prejuízos aos resultados da empresa. Sem mencionar que o fato de haver na equipe empregados que fazem somente o básico tende a resultar em mediocridade nos resultados. Ou seja, a empresa estaria sempre na média, sem alcançar resultados expressivos.

Fica o questionamento: será que fazer o mínimo é o bastante para vencer a concorrência? Sinceramente, entendo que não. As pessoas que se contentam com o básico tendem a alcançar resultados medianos. Já aquelas que fazem “um pouco mais”, na maioria das vezes, são as que obtêm os melhores resultados.

William Margreiter Alves é advogado trabalhista do Zarif Advogados.

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