Os processos de Brasília

A expulsão de quatro parlamentares do PT a ser consumada neste fim de semana, em Brasília, não é assunto restrito à economia doméstica do partido. Estivesse em jogo descumprimento do programa partidário, a questão se restringiria aos filiados do partido. Como os parlamentares a serem expurgados têm pautado suas ações, seus discursos e seus votos pelo programa aprovado – com cerca de 70% dos votos do Congresso Nacional do PT, instância máxima decisória do partido – a cúpula petista deve satisfações menos superficiais à opinião pública que levou Lula ao poder. Com maior ou menor sofisticação, seu voto foi orientado pelas decisões do Congresso de Recife e pelas ações práticas dele decorrentes.
Para respaldar sua decisão, a cúpula tem recorrido ao argumento da jurisprudência, mencionando a expulsão dos deputados que votaram em Tancredo Neves, no colégio eleitoral, e o licenciamento da ex-prefeita de São Paulo Luiza Erundina, que aceitou convite para integrar o governo Itamar Franco. No mérito, nos dois casos, o partido estava errado – e muito – como, aliás, já reconheceram Lula e o presidente nacional do PT, José Genoino. Do ponto de vista partidário, porém, as punições estavam sintonizadas com o programa partidário, o que punha em relevo a falta de sintonia do partido com a realidade.
Desta vez, não se trata apenas de esperar mais 15 ou 20 anos para ouvir Lula, Genoino e outros reconhecerem que as expulsões de agora foram mais um equívoco a ser anexado à história do partido. Pela primeira vez, o PT pretende punir filiados pela razão de serem fiéis ao programa partidário, o que mostra falta de sintonia entre a cúpula e o próprio programa que aprovou e a levou ao poder. Mas, aí, já se teriam razões para outros tipos de julgamento.

Espeto de pau
Defensor ferrenho do cumprimento dos contratos financeiros, o presidente do PT, José Genoino, teve as contas de sua campanha para governador de São Paulo rejeitadas, por unanimidade, pelo  Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).  Segundo o TRE, Genoino não comprovou despesas nem esclareceu doações. O tribunal reclama da não apresentação de 51 recibos, como os de R$ 103.869,64, doados pela Klabin.

AES
“Estou mais preocupado com o parque industrial de São Paulo do que com o balanço do BNDES.” A afirmação é do presidente do BNDES, Carlos Lessa, sobre as negociações em torno da dívida da AES, controladora da Eletropaulo e AES Tietê, com o banco. “Essas duas empresas formam um binômio decisivo para a indústria nacional e não estou disposto a abrir mão do controle (direto ou indireto) da AES Tietê e Eletropaulo”, resumiu.

Locomotiva
Durante o lançamento do Programa de Apoio a Investimentos Sociais de Empresas (Pais), o secretário estadual de Ação Social do Rio de Janeiro, Fernando William, denunciou a “pressão da imprensa” para retirar o professor Carlos Lessa da presidência do BNDES. “A presença de Lessa à frente desta instituição é a certeza de que o banco retornará aos trilhos, voltando a ser um banco de desenvolvimento com objetivo de fazer nosso povo evoluir”. William lembrou que “há pouco tempo, o BNDES, lento na concessão de financiamentos para o social, era ágil na liberação de recursos para empresas estrangeiras,  muitas vezes em situação duvidosa”.

Mkt e RP
A Universidade Veiga de Almeida e o Centro de Estudos de Pessoal Gerência e Coordenação de Ensino a Distância – Gecead realizam na próxima quarta-feira o III Encontro de Marketing, no Campus Tijuca. Haverá palestras sobre “A integração do Marketing e as Relações Públicas” e a “Logística e o Marketing”. Informações e inscrições pelo telefone (21) 2574-8809.

Querida, encolhi o país!
Esta coluna, sempre pronta para ajudar a traduzir o “economês”, deixa claro o que o ministro Palocci quis dizer ao eleger a microeconomia como a bola da vez em 2004: é que a economia está encolhendo tanto que só vai dar para ver desenvolvimento com microscópio.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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