Os seletivos

Como toda medida polêmica, a estatização do Banco da Venezuela pelo presidente Hugo Chávez tem defensores e opositores ardorosos. Estes últimos, no entanto, deveriam abster-se de esgrimir entre os argumentos ideológicos contrários à medida críticas ao emprego de dinheiro público no setor financeiro. Depois do silêncio sepulcral destinado pelos neoliberais globais ao hiperProer do Federal Reserve (Fed), tal tipo de argumentação ficou difícil de ser ressuscitada.

Vem de longe
A sucessão de escândalos financeiros e jurídicos que têm pipocado no noticiário tupiniquim tem origem secular, remontando à constituição de um Executivo que concentra poder em detrimento das demais instâncias do país. A análise é do professor de Ética e Filosofia da Unicamp Roberto Romano, em entrevista à última edição eletrônica do Correio da Cidadania – http://www.correiocidadania.com.br/content/view/2133/9/. Para Romano, foi na era FH que uma burguesia de forte caráter financeiro e com vínculos ainda mais diretos com o capitalismo começou a ganhar maior protagonismo. Esse processo, observa, foi resultado, em grande medida, da aceleração da “privataria”. No entanto, Romano defende que a origem do fenômeno deve ser buscada bem mais remotamente, “ainda sob a égide do Império”.

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De acordo com a argumentação do professor, o Executivo tupiniquim é herdeiro das características de um poder Moderador transposto para aqui, porém, não como um poder neutro, mas como um ente superior aos demais. Além de essa situação provocar uma anomalia jurídica, o Executivo passou a concentrar as políticas públicas. Com isso, inaugura-se uma tradição de promiscuidade entre o público e o privado, associada à onipotência do chefe do Executivo.
Essa tradição, argumenta Romano, faz com que o estouro da atual crise financeira mundial, que leva à privatização dos recursos públicos e sua transferência para o capital financeiro, encontre terreno tão favorável no país. E, acrescenta, que, por isso, a Polícia Federal, que deveria estar a serviço do Judiciário, foi transformada “em precioso instrumento de propaganda do Executivo”.

Ao mar
A indústria naval brasileira já é a sexta do mundo e tem preços competitivos inclusive frente aos asiáticos. Empresas internacionais estão vindo para o Brasil montar suas fábricas. Esses e outros temas serão abordados na palestra “Cenários e perspectiva da indústria naval brasileira”, que o coordenador do Fórum Empresarial da Indústria de Construção Naval e presidente do Sinaval, Ariovaldo Rocha, fará para os empresários da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, no próximo dia 20, às 12h30m, no Clube Americano (Avenida Rio Branco 123 / 21º andar, Centro – RJ). Mais informações pelo e-mail eventos@ahk.com.br ou em www.ahkbrasil.com/rj/ver_evento.asp?id=1050&area=Eventos

Acidente de trabalho
De acordo com dados do Ministério da Previdência, em 2007, as despesas com auxílio-doença acidentário e aposentadoria especial por insalubridade alcançaram a cifra de R$ 10,7 bilhões. Esse é o maior valor já desembolsado com esses benefícios pela Previdência. No mesmo período, o produto interno bruto (PIB) nacional atingiu R$ 2,6 trilhões. Ou seja, os gastos com acidentes do trabalho consumiram cerca de 0,4% do PIB, ano passado. O tipo de gasto que poderia ser evitado ou, ao menos, substancialmente reduzido.

Bola de ferro
Se é verdade que o futebol é cada vez mais um grande negócio, no qual patrocinadores valem mais do que diretores de clubes, as últimas operações da Polícia Federal contra acusados de crimes de colarinho branco podem provocar uma revolução no time das penitenciárias cariocas. Com banqueiros e milicianos freqüentando as mesmas celas, não vão faltar patrocinadores para contratar novos “craques” e argumentos para persuadir os árbitros a darem uma forcinha ao time das camisas listradas.

Antípodas
Se ainda havia alguma dúvida entre o descolamento do mercado financeiro da vida real, as seguidas quedas das bolsas de valores mundiais trazem um argumento definitivo. Enquanto a Petrobras cada vez mais firma-se, com as descobertas de bilionárias reservas de pré-sal, como uma da principais empresas do mundo, suas ações na Bovespa continuam a derreter a preços de pechincha.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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