Os sem-conexão

O clicar dos mouses – hoje bem mais desafinado, é verdade – não consegue esconder mais uma verdade cristalina: o acesso à Internet no Brasil está estagnado ou tornou-se vegetativo. Segundo pesquisa Ibope eRatings, baseada em dados da Nielsen//NetRatings, entre novembro e dezembro passados, o número de brasileiros com acesso à Internet nos domicílios permaneceu em 9,8 milhões. Desse total, apenas 4,8 milhões são classificados de usuários ativos, os que acessaram a rede pelo menos uma vez no período. Feitas as ressalvas devidas a esse tipo de pesquisa, tem-se que apenas cerca de 6% dos brasileiros acessam a Internet a partir de suas casas.
Alavanca
Mesmo que se agregue a esse percentual os que o fazem a partir de seu trabalho – o que anabolizaria a pesquisa – ainda tem-se total bastante insignificante em relação ao conjunto da população. Dessa constatação, é tão precipitado, quanto leviano, concluir que se deve descartar a Internet como meio de informação ou ferramenta de trabalho e negócios, mas, sim que, isoladamente, ainda tem efeito bastante restrito sobre o mundo real.
O caminho a ser percorrido para a massificação da Internet, apesar de todos os preconceitos neoliberais, mais uma vez, dependerá da ação do Estado. Seja pelo subsídio à compra de computadores ou garantindo escala, ao equipar escolas e outros órgãos públicos, o Estado é a principal alavanca a garantir a extensão do acesso à Internet a um maior número de brasileiros, processo que, em maior ou menor tempo, deve ocorrer.
Nesse instante, ficará ainda mais explícito que a principal diferença não será entre os que acessam ou não a rede, mas entre o tipo de informação à qual cada um terá acesso.
Viúva
Não é à toa que setores ligados à indústria de informática querem que o governo banque um subsídio de R$ 10 bilhões, “zerando” a alíquota dos impostos de Importação (II), de Produtos Industrializados (IPI) e de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) durante três anos para computadores e periféricos.

Calçados
A prefeita Marta Suplicy, de São Paulo, recebeu apoio a sua campanha de minorar os problemas sociais. Uma doação de 30 mil pares de calçados infantis, para serem distribuídos neste ano, foi feita pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados, durante a abertura da 28ª Couromoda, no Anhembi, em São Paulo. A prefeita agradeceu e brincou dizendo que aguarda mais doações de outros produtos, como mangueira, foice, martelo e carrinho de mão.

Sexo proibido
O deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) apresentou o Projeto de Lei 3872/00, que proíbe a propaganda de serviços de acompanhantes, prostituição e outros de sexo nos meios de comunicação social, com a estipulação de multa de R$ 300 por peça ou anúncio veiculado em cada dia. A proposta foi anexada ao Projeto de Lei 3330/00, do deputado Márcio Matos (PT-PR), que prevê a mesma proibição e tramita pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. De acordo com o parlamentar, os veículos de comunicação têm dedicado cada vez mais espaço aos anúncios de produtos e serviços de sexo, em especial da prostituição.

Verão alagado
A chuva segue provocando estragos em São Paulo. Duas árvores caíram ontem, interditando as três faixas da avenida Brigadeiro Luís Antônio, na região central da capital.

Globalização alternativa
Até o fim da semana passada, cerca de 2.500 pessoas já tinham confirmado presença no Fórum Social Mundial-2001 (FSM), que começa no próximo dia 25, em Porto Alegre. O presidente da Ação pela Tributação das Transações Financeiras (Attac),Carlos Tibúrcio, prevê que esse total deve chegar a 3 mil pessoas, nos eventos pela manhã, saltando para 7 mil, na programação da parte da tarde, quando serão realizadas oficinas, entre outras atividades promovidas pelas entidades que participam do FSM.

Guarda-livros
A rigorosa Aneel, agência que deveria fiscalizar o setor elétrico, aplicou multa de R$ 391 mil em cima do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). Motivo: atraso na apresentação dos orçamentos do ONS para 2001 e 2002. O operador tinha até o dia 16 de outubro para entregar os orçamentos e não o fez. O ONS promete apresentar defesa até amanhã. A multa foi a primeira do ano 2001 aplicada pela Aneel. Já a Light continua seu regime de “apagões” diários sem que a agência tome providências práticas.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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