Os sem-petróleo

Os generosos espaços – incluindo manchetes de primeira página – abertos por jornalões conservadores a denúncias de petroleiros contra a Petrobras animaram os funcionários da Gol, que debatem a realização, nesta sexta-feira, de greve contra a companhia. Será, porém, que o movimento de um setor no qual a segurança é vital e envolve integração nacional e aspectos estratégicos vai merecer a mesma cobertura desse tipo de imprensa? Ou a ausência de petróleo para ser distribuído a grandes grupos multinacionais não provoca o mesmo entusiasmo desses jornalões por campanhas sindicais?

Raposão
A proposta do diretor do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC), Ricardo Morishita, de que, nos setores de telecomunicações, TV paga, financeiro e cartões de crédito, predomine a auto-regulamentação é a oficialização do reinado da raposa na porta do galinheiro. Em tempo, o DPCD é órgão da Secretaria de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Portanto, pelo menos oficialmente, deveria defender os direitos do consumidor e não das empresas, que já mantêm relações bastante assimétricas com seus consumidores.

Bastidores
Fatos estarrecedores dos bastidores da política e do poder se somam a uma história de lutas, sofrimentos e vitórias no livro autobiográfico De Faxineiro a Procurador da República, cuja segunda edição o procurador do MPF Manoel Pastana lança em Brasília nesta sexta-feira, às 19h30m, na Livraria Cultura do Shopping Villa-Lobos. A história de vida do autor rendeu a ele o Troféu Superação de 2009, concedido pelo programa Mais Você, da Rede Globo (escolha feita em votação nacional).
No livro, Pastana antecipa a absolvição de José Dirceu e dos demais acusados de comandar o mensalão, assinalando que apenas integrantes braçais da quadrilha, como Marcos Valério e outros peixes pequenos, sofrerão alguma condenação.

Nada
Para o candidato ao Senado pelo Rio de Janeiro Cesar Maia, o ponto alto de José Serra na entrevista ao Jornal Nacional, quarta à noite, foi quando falou do imposto sobre combustíveis: “Do começo de 2003 para cá, foram arrecadados R$ 65 bilhões para transportes, para estradas, na Cide. É um imposto. Sabe quanto foi gasto disso pelo governo federal? R$ 25 bilhões. Ou seja, foram R$ 40 bilhões arrecadados dos contribuintes para investir em estradas do governo federal que não foram utilizados.”
Faltou perguntar, porém, quanto do que arrecadou com a Cide o governo do tucano FH, aliado de Maia, gastou em estradas?

Felicidade triste
O êxtase com que o presidente Lula comemorou os lucros recordes dos bancos tupiniquins, alegando que, “quando eles não ganham dinheiro, dão mais prejuízo”, esbarra, como quase sempre ocorre com a retórica de políticos erráticos, na questão da dimensão. Obviamente,  o problema não é os bancos daqui terem lucro, mas, sim, o tamanho dos seus ganhos, suas origens e a comparação com que é amealhado pelos setores produtivos. Quando parte substancial do lucro do setor financeiro é cevado pelo pagamento, por parte do setor públicos, dos juros reais mais elevados do planeta, nenhum presidente tem razão para estar “muito feliz”. Apenas, em 2009, por exemplo, a gastança com juros somou R$ 160 bilhões, dos quais dois terços, ou pouco mais de R$ 100 bilhões, foram destinados a somente 15 mil clãs. Ou seja, a alegria de poucos é devedora da tristeza de muitos.

Cadeado
O Ministério da Justiça deve iniciar até o fim do mês debate público sobre nova proposta para a proteção de dados pessoais no Brasil. O anúncio foi feito pela secretária de Direito Econômico do Ministério da Justiça (MJ), Mariana Tavares de Araújo.

Resultado
Em locais nos quais o Programa Saúde da Família (PSF) tem boa cobertura houve redução de 9% a 13% na taxa de mortalidade de crianças menores de 5 anos, especialmente nas mortes causadas por diarréias e por infecções respiratórias. Em municípios, nos quais a cobertura do PSF era baixa houve redução de apenas 4% na taxa de mortalidade. O estudo de pesquisadores da Universidade Federal da Bahia, divulgado pela agência Notisa, será publicado no jornal internacional Pediatrics.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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