Em meio a novos relaxamentos nas medidas de distanciamento social, o otimismo com a reabertura chinesa apoia Bolsas e commodities nesta manhã. Após um forte ajuste ontem, com as taxas de juros das treasuries voltando às mínimas desde setembro, juros sobem, com os investidores preparando-se para a decisão do Fomc na próxima quarta, resultando em dia de ganhos leves para o dólar. Por aqui, o alívio no front político, em meio à tramitação tranquila da PEC da Transição no Senado, com licença de até R$ 200 bi, e suspensão da votação das Emendas RP-9 no STF, deve abrir espaço para dia de recuperação nos ativos locais, em meio ao clima mais positivo para Bolsas e commodities no exterior. As taxas de juros, no entanto, devem ter a dinâmica pautada pelo leilão de pré-fixados do TN.
Na Ásia, sessão negativa para as Bolsas, acompanhando Nova Iorque, com exceção de Hong Kong, que decolou 3,0% em meio a notícias de relaxamento das medidas de distanciamento social. No Japão, PIB acima da prévia (ante expectativa de 0,3%), caindo 0,2% (-0,8% a/a) no terceiro trimestre, acumulando 1,1% nos últimos 12 meses. O déficit em conta-corrente atingiu US$ 0,5 bi (ante expectativa de US$ -4,6 bi) em outubro. Na Austrália, a balança comercial teve superávit de US$ 8,2 bi (ante expectativa de 0,8 bi) em outubro, com exportações de US$ 40,3 bi (38,4% a/a) e importações de US$ 32,1 bi (43,8% a/a). Na China, Shanghai acabou com a necessidade de testes PCR negativo para a restaurantes e cinemas. Segundo o SCMP, Hong Kong deve reduzir a quarentena para cinco dias e acabar com o uso obrigatório de máscaras em ambientes abertos. Hoje, conta-corrente da Coreia (outubro) às 20h e CPI e PPI de China (novembro) às 22h30.
Na Europa, sessão mista, tentando firmar em terreno positivo, em meio ao otimismo com a reabertura chinesa, após novos relaxamentos nas medidas de distanciamento social do gigante asiático. PIB da Zona do Euro acima da prévia (prévia 0,2%), com alta de 0,3% (4,8% a/a) no terceiro trimestre, crescendo 5,3% em 12 meses. Peter Kazimir (do BCE) afirmou que o CPI de um mês não é suficiente para reduzir a alta de juros e que há múltiplas razões para seguir subindo os juros. E Christine Lagarde (tambe´m do BC europeu) discursa às 9h.
Nos EUA, após quatro quedas seguidas, futuros operam estáveis, em meio a reposicionamento dos investidores a um cenário de recessão e política monetária restritiva, com as atenções já se voltando para a decisão do Fomc na próxima quarta-feira. Hoje, pedidos de seguro-desemprego (do último dia 2) às 10h30.
No Canadá, o BoC elevou a taxa básica de juros me 0,50% (ante expectativa de 0,50%), de 3,75% para 4,25%, com o comitê visualizando que apesar da desaceleração econômica global, a inflação segue alta e disseminada e que altas adicionais serão avaliadas nas próximas reuniões para trazer a inflação de volta à meta.
Aqui no Brasil, em dia negativo no exterior, em meio a receios de recessão nos EUA, o mercado local teve dia dividido, com o Ibovespa fechando aos 109.068 pontos (-1,02%), penalizado pelas ações de commodities, com Vale liderando as quedas após guidance abaixo do esperado e recuo nos preços do minério de ferro. Em meio à expectativa de um Copom sem surpresas, o recuo nas commodities e nos juros internacionais levou a recuo na curva de DI futuro, com os vértices de médio e longo prazo caindo cerca de 10 pontos. Em dia de fraqueza global do dólar, com performance forte das moedas ligadas a commodities, a menor busca por hedge fiscal fez o real seguir os pares e performar bem, com o dólar fechando em R$ 5,20 (-1,21%).
Segundo a Anfavea, a produção de veículos subiu de 206,0 para 215,8 mil (4,9% a/a) em novembro. IGP-DI em linha com o consenso, recuando 0,18% (ante expectativa de -0,19%) em novembro, com a taxa em 12 meses subindo para 6,05%. O IPA subiu de -1,04% para -0,43% (5,97% a/a), o IPC saiu de -0,69% para 0,57% (4,53% a/a) e o INCC de 0,12% para 0,36% (9,55% a/a). Fluxo cambial positivo em US$ 1,6 bi na semana passada, com US$ 1,6 bi no financeiro e zerado no comercial. Em novembro, o fluxo de US$ 3,5 bi e no ano, a entrada é de US$ 22,4 bi ($ 14,4 bi em 2021). A Petrobras cortou o preço do GLP, a partir de 8 de dezembro, de R$ 3,58 para R$ 3,32/kg (-7,26%), o que deve tirar 0,05% do IPCA de dezembro.
O Copom manteve a Selic em 13,75% (ante expectativa de 13,75%). Apesar de subir as projeções de IPCA – 5,8% para 6,0% (2022), 4,8% para 5,0% (2023) e 2,9% para 3,0% (2024) – o comitê segue com inflação na meta no fim do horizonte de política monetária. A grande mudança foi a adição do trecho em que o comitê afirma que “acompanhará com especial atenção os desenvolvimentos futuros da política fiscal e, em particular, seus efeitos nos preços de ativos e expectativas de inflação”. Por ora, não acreditamos que haja motivos para revisar o cenário de Selic. No entanto, uma PEC da Transição com licença mais próxima de R$ 200 bilhões deve levar à uma revisão altista nas nossas projeções. Na agenda, vendas no varejo (outubro) às 9h e leilão do TN (LTN e NTN-F) às 11h30.
O plenário do Senado aprovou em dois turnos a PEC da Transição, com licença de gastos de até R$ 200 bilhões, rejeitando os destaques reduziam o valor da licença, com a proposta indo para a Câmara. O deputado Ricardo Barros (PP-PR) disse que a PEC deve ser reduzida para um ano durante a tramitação na Câmara. A ministra Rosa Weber, do STF, suspendeu a sessão que julga a constitucionalidade das emendas RP-9 (Orçamento Secreto), com retomada prevista para 14 de dezembro.
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Nicolas Borsoi
Economista-chefe da Nova Futura Investimentos

















