Outra globalização

A economista Susan George propõe, no ensaio Outra Globalização é Possível, o resgate de uma utopia viável: em 1942, Keynes propunha um sistema de comércio internacional voltado para o pleno emprego e os direitos sociais. “Ao invés de deixar os habituais suspeitos – os Estados mais poderosos – organizarem o futuro das relações comerciais, é útil retornarmos à grande reestruturação das relações internacionais ocorrida após a Segunda Guerra Mundial. Naquela época, até o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI), cuja vocação foi espetacularmente desviada, um quarto de século depois, eram instituições bem-acolhidas, que, durante um certo tempo, foram úteis tanto para o Sul quanto para o Norte devastado pela guerra.”

Bancor
Segundo Susan, muito antes do fim da Segunda Guerra, o economista britânico John Maynard Keynes elaborou um projeto que renovaria profundamente as regras do comércio mundial. Ele propunha a criação de uma Organização Internacional do Comércio (OIC), apoiada por um banco central internacional, a União Internacional de Compensação (UIC), que deveria emitir uma moeda mundial destinada ao comércio, o bancor.
Com a OIC e a UIC, nenhum pais poderia registrar déficits comerciais gigantescos, como os Estados Unidos (US$ 763 bilhões em 2006), ou excedentes comerciais igualmente enormes, como faz a China. “Na estrutura de um sistema como aquele, também seriam impensáveis a assustadora dívida do Terceiro Mundo e as políticas de ajuste estrutural aplicadas pelo Banco Mundial. Certamente, esse plano não teria abolido capitalismo, e necessitaria de alguns ajustes para a atualidade. Porém, ele permanece atual em sua essência.” A OMC, que não obedece à ONU e está distante dos ideais de um mundo mais justo, seria varrida do mapa.

Bomba
A fórmula que Susan George sugere para ressuscitar a proposta de Keynes é os países emergentes utilizarem como barganha sua imensa dívida. A ameaça teria efeito de uma bomba atômica no combalido sistema financeiro mundial.

Vizinho do inimigo
A política de segurança do novo Governo do Estado do Rio de Janeiro ainda não incluiu o combate aos cambistas entre suas prioridades. No entanto, pelo menos perto de casa poderia mostrar serviço. Durante a semana, cambistas agem livremente em frente às bilheterias do Fluminense – localizada a poucos metros do Palácio Guanabara – na compra de bilhetes e no constrangimento aos torcedores comuns para que adquiram bilhetes de meia entrada para eles. Como cada torcedor só pode comprar um bilhete com desconto por partida, os cambistas pedem que adquiram entradas de jogos diferentes usando a mesma carteira de estudante.

Razõe$
A propósito de nota publicada nesta coluna registrando reclamações de passageiros brasileiros que, tendo como destino Miami, são obrigados a fazer conexões em cidades quase antípodas do destino final, um piloto amigo da coluna esclarece que essas rotas obedecem às sedes das empresas norte-americanas, em vez dos interesses dos passageiros. Já a desconfiança enfrentada na Alfândega local por brasileiros tão distantes do seu destino deve ser creditada à truculência destinada à forma como o país de Bush trata mesmo os que vêm gastar suas economias nos Estados Unidos.

Eldorado
Ainda sobre questões aéreas, embora a China seja, de fato, um promissor mercado para pilotos brasileiros atropelados pela quebra da Varig e da Transbrasil, não é o principal sonho de consumo da categoria. Emirados Árabes e Austrália, com salários mensais de até US$ 9,5 mil, fora mordomias, como acesso livre a serviços de hotéis, são o paraíso para os pilotos brasileiros.

VoIP corporativo
As companhias de pequeno e médio portes podem se beneficiar das ligações internacionais pela Internet, que fazem a festa do usuário particular e dão dor-de-cabeça às empresas de telefonia. A Betamax, provedora de serviços VoIP da Alemanha, fornece aos clientes corporativos conexões de telefonia internacional a partir de US$ 0,03 por minuto através da www.voicetrading.com

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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