Outro dia iniciando em alta

Dow Jones encerrou com +0,36%; Nasdaq, com +0,66%; Ásia, com altas superiores a 1%, exceto por Xangai.

Opinião do Analista / 10:41 - 2 de jun de 2020

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Nossa leitura sobre o comportamento dos mercados na sessão de ontem foi de consolidação dos movimentos de recuperação, com a Bovespa encerrando em alta de 1,39% e índice em 88.620 pontos, tendo vazado 89 mil durante o pregão. Mas o dólar esteve sempre pressionado obrigando o BC a intervir em operações à vista e compromissadas e fechou em alta de 0,93% com moeda em R$ 5,39. O Dow Jones encerrou com +0,36% e Nasdaq, com +0,66%.

Hoje mercados começando o dia com boas altas. Durante a madrugada na Ásia altas superiores a 1% (exceto Xangai), Europa operando acima da casa de 2% e futuros do mercado americano com altas razoáveis. Aqui seguimos cravando o objetivo ao redor de 92 mil pontos.

Os investidores apostando na liquidez enorme do sistema financeiro global e apetite ao risco determinado por juros muito baixos ou negativos, e ainda na reabertura das economias sem incidência, até aqui, de relatos de segunda onda de contágio pela Covid-19. Mascara um pouco esse otimismo, os protestos que ocorrem nos EUA e a relação diplomática entre os EUA e a China.

Porém, o presidente Donald Trump disse que pode intervir com os militares e sugeriu em reunião com governadores que usem a Força Nacional. Também tivemos notícias contrárias às divulgadas ontem sobre a China de que estão, sim, cumprindo os acordos comerciais com os EUA e comprando produtos agrícolas, inclusive a soja. A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) conseguiu antecipar a reunião de seus membros para 4 de junho e a Rússia diz concordar com a extensão dos cortes. O petróleo sobe forte nesse início de manhã. Portanto, o noticiário do dia está bem positivo, mesmo com a agenda fraca de hoje.

O Banco Central da Austrália decidiu manter os juros estáveis em 0,25%, mínima histórica para o país. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 2,77%, com o barril cotado a US$ 36,42. O euro era transacionado em alta para US$ 1,116 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,66%. O ouro em leve alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com viés positivo.

Aqui, o governo tenta destravar o crédito para pequenas e médias empresas e o Conselho Monetário Nacional ampliou em R$ 4 bilhões o limite de contratação de crédito sem garantia da União. Também tivemos MP liberando até R$ 20 bilhões para fundos do BNDES garantir crédito para o segmento. Já o secretário do Tesouro, Mansueto de Almeida, fala que o déficit primário de 2020 deve ficar em R$ 708,7 bilhões (perto de 10% do PIB) e a dívida bruta irá atingir 94% do PIB. O desafio é integrar internacionalmente exportando e importando mais.

O BC é que proibiu que bancos aumentem remuneração e concedam bônus aos executivos durante a pandemia. Já Rodrigo Maia diz que não tem urgência em decidir sobre se acata ou não pedido de impeachment do presidente Jair Bolsonaro e Dias Toffoli diz que vai colocar em votação em 10 de junho se continua com os inquéritos de fake news.

Em dia de agenda fraca e sem capacidade de mexer com os mercados, vamos ficar por conta do noticiário e na expectativa do resto da semana com a produção industrial por aqui. No exterior, decisão do Banco Central Europeu (BCE) sobre política monetária com novos estímulos e payroll americano de maio com destruição de vagas na economia. Expectativa para o dia é de Bovespa seguindo rumo ao objetivo de 92 mil pontos, dólar mais fraco e juros em queda.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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