Oxigênio carioca

O aprofundamento da recessão exigido pelo FMI ao menor sinal de aquecimento da economia, via, principalmente, elevação de juros e cortes de investimentos das estatais, pode ter resultados ainda mais deletérios para o Rio de Janeiro.
A queda da produção industrial do país, que chegou a 3,5% nos primeiros sete meses do ano, na comparação com o mesmo mês de 98, poderia ter batido em 6,5%, se não fosse o expressivo crescimento de 11,01% no período do setor extrativo mineral, capitaneado pelos investimentos da Petrobras.
Ou seja, se prosperar a política de esvaziamento da empresa, o Rio, que tem se mantido acima da média nacional, tanto em termos de produção industrial, quanto de nível de emprego, pode ter desligado seu mais importante balão de oxigênio.
Está aí, um bom motivo para o governador Garotinho, o prefeito Conde e as demais lideranças políticas e empresariais do estado se unirem em defesa da manutenção dos investimentos da Petrobras.

Cimento, ô pá!
A compra, anunciada ontem em Portugal, do Brennand pela Cimpor, por cerca de US$ 600 milhões, torna o grupo português o terceiro maior do setor de cimento do Brasil. A Cimpor passa a deter 9,2% do setor, atrás apenas dos  grupos Votorantim e João Santos. A capacidade instalada das fábricas adquiridas é de 2,8 milhões de toneladas de cimento e as vendas da Brennand em1998 somaram cerca de dois milhões de toneladas. Dentro da perspectiva de maior concentração e aumento do papel dos monopólios, especula-se agora na imprensa portuguesa que a Cimpor estaria voltando suas baterias para a fábrica no Brasil da Soiencom, do português Antônio Champalimaud.

Caiu do céu
Com os juros mantidos nas nuvens, a redução do compulsório sobre os depósitos à vista de 75% para 65% terá pífia influência sobre o aumento da oferta de crédito.  Em compensação, pode ser uma mão na roda para bancos encalacrados, que terão mais recursos disponíveis para serem remunerados pelos gordos juros dos papéis do Tesouro.

Contramão
A Executiva Nacional dos Bancários rejeitou proposta feita ontem à tarde pela Federação Nacional dos Bancos por considerá-la insuficiente em vários aspectos. Este será o indicativo para as assembléias da categoria que se realizarão pelo país na próxima semana. No Rio, será na quinta-feira, dia 16, às 19h. O reajuste oferecido foi de 4% contra 10,48% reivindicado pela categoria (5,65% para repor as perdas salariais de set. 98 a agosto de 1999, mais 4,58% equivalente ao resíduo inflacionário do período de set. 94 a agosto do ano passado). Para os sindicalistas a proposta representa um retrocesso, entre outros motivos, por extinguir o anuênio e tentar acabar com a jornada de 6 horas, aprovada por decreto em novembro de 1933.

Direto da fonte
Pioneiro na atividade de refinação de petróleo no Brasil, o Grupo Peixoto de Castro é o único que ficou fora do monopólio assumido pela Petrobras desde a década de 50. Com a sua refinaria instalada numa das maiores concentrações urbanas do Rio – Manguinhos – o grupo possui uma rede de postos – Wal – para a comercialização dos seus próprios produtos. Ao lado da refinaria, na Avenida Brasil, tem um posto que cobra R$ 1,299 pelo litro gasolina comum, um dos preços mais altos da cidade. Provavelmente, a gasolina ali abastecida deve vir diretamente da fonte, situada a menos de 200 metros, fato que, no mínimo, reduz os custos com transporte.

Rio exportação
O Conselho de Negócios Brasil-Estados Unidos e a Câmara Americana de Comércio vão receber o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, em Washington D.C., no próximo dia 14. Garotinho falará no seminário “Oportunidade de Negócios no Estado do Rio de Janeiro” e apresentará as diretrizes de seu governo. Serão apresentados também painéis sobre investimentos no Rio, com participação de investidores e de dirigentes de empresas públicas e privadas. O evento começará às 9h30, seguido de almoço.

Guiné
O TSE deve enviar nova missão para auxiliar nas eleições em guiné Bissau. Uma equipe do tribunal acaba de regressar daquele país, onde colaborou para organizar a primeira eleição após a guerra civil, que terminou com  a deposição do presidente Nino Vieira. O ministro Néri da Silveira, presidente do TSE, recebeu um apelo do primeiro-ministro de Guiné-Bissau, Francisco Fadul, para que a ajuda se estendesse. Néri da Silveira disse que o envio de novo grupo brasileiro é quase certo.

Foco errado
As opiniões sobre economia de Clarice Seibel (ex-Pechmann), diretora do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos da Fiesp, não estão tendo aprovação unânime na federação; muito pelo contrário. Dia desses, durante uma reunião na entidade, a economista foi interrompida por um diretor que fez questão de lembrá-la que ela era funcionária da Fiesp, e não da Febraban.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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