Pacote de maldades sobe no telhado

Rio de Janeiro / 20:49 - 4 de nov de 2016

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

Cortes e aumento de impostos no Rio são criticados por deputados e empresários O pacote de medidas detalhado nesta sexta-feira pelo governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão (PMDB), com o qual o governo espera reduzir o tamanho do rombo das contas em 2017 e 2018, tem poucas chances de alcançar o objetivo. Dos R$ 13,3 bilhões pretendidos de economia, quase R$ 11 bilhões viriam do confisco sobre salários e aposentadorias, proposta que deve enfrentar reações tanto na Assembleia Legislativa quanto na Justiça. “Muitos projetos são inconstitucionais”, criticou o deputado Luiz Paulo (PSDB), que classificou a cobrança de uma alíquota de 16% durante 16 meses como “uma espécie de empréstimo compulsó-rio”. O pacote prevê que o desconto previdenciário sobre os vencimentos dos servidores passe de 11% para 14%, mais uma alíquota extra de 16% durante quatro quadrimestres. Os inativos que recebem até R$ 5.189, hoje isentos de desconto, passariam a deixar 30% das aposentadorias no caixa do governo. “Como fazer um cidadão que ganha R$ 1 mil, reduzir o salário para R$ 700?”, questiona Luiz Paulo. Marcelo Freixo (Psol) classificou as medidas de “pacote de maldades”. “Não há dúvidas de que vivemos uma grande crise. O que sempre afirmamos é que esta crise já era prevista e ela tem nome e causa: é a forma como o Estado conduziu sua gestão no Rio de Janeiro. A dívida do governo já está em R$ 92 bilhões, sendo que o orçamento é de R$ 72 bilhões. O Estado deve mais do que arrecada. Sem contar nos inúmeros empréstimos que a Alerj votou sem nem saber como seria a política de juros”, acusou. A Federação das Indústrias (Firjan) divulgou nota em que apoia a redução de gastos com pessoal, mas critica o aumento de impostos. O projeto aumenta o ICMS para cerveja e chope (de 17% para 19%), fumo (25% para 27%), energia residencial acima de 200kW (25% para 29%) e telecomunicações (26% para 30%), entre outros. A passagem com o bilhete único intermunicipal passará de R$ 6,50 para R$ 7,50, com limite do subsídio pago pelo estado de R$ 150 por mês por usuário, o que impactará as empresas que dão vale-transporte. A previsão do governo estadual é que o déficit atinja R$ 52 bilhões até dezembro de 2018 se as medidas não forem aprovadas.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor