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A se confirmar que o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) no primeiro trimestre, a ser divulgado nesta quarta-feira pelo IBGE, foi puxado pela agricultura e pelas vendas de caminhões, mais do que o número, provavelmente pífio, e o efeito base – comparação com uma base deprimida – o país estará, em pleno século XXI, diante de mais um passo da marcha para uma nova versão da República Velha. A diferença é que, no atual modelo, à exportação de café agregaram-se outros produtos agrícolas, aos quais se acrescentaram minerais. Serão os brasileiros capazes de se conformar com tamanha mediocridade diante do potencial singular do país?

Embalos de sábado
Na nota divulgada segunda-feira sobre os saques provocados pelos boatos do fim do Bolsa Família, a Caixa Econômica Federal dá uma informação relevante, que, porém, longe de encerrar o caso, aguça a curiosidade dos menos crédulos. Segundo a Caixa, embora historicamente, os participantes do programa tenham como praxe retirar o benefício na data do calendário, no último dia 17, o volume de saques foi inferior ao mesmo período de abril (649 mil contra 852 mil).
Ainda segundo a Caixa, apenas por volta de 13h do sábado ela verificou “o início da anormalidade de saques particularmente em alguns estados, quando também começaram a circular notícias sobre os boatos em relação ao Bolsa Família”. A partir, então, teria autorizado as retiradas independentemente do calendário para deter os tumultos. A nota, porém, não esclarece como a Caixa conseguiu abastecer seus caixas eletrônicos para suportar uma corrida de beneficiários em pleno fim de semana – quando foram feitos 900 mil saques, conforme o banco disse ao MONITOR – e quanto este número representa de aumento em relação ao ano passado.

‘É nóis’!
Ainda carecendo de identificar os culpados e a origem dos boatos, o evento, lamentável, não tem qualquer beneficiário identificável, o que pode sugerir tratar-se de trapalhada técnica -– neste caso, porém,  cabeças deveriam rolar. O episódio também deixa a lição de que, enquanto o Brasil continuar a gerar empregos de apenas até 1,6 salário mínimo, o Bolsa Família, independentemente de ser ou não institucionalizado, já foi apropriado por seus beneficiários. Embora isso dificulte sua extinção, não evita, porém, que governos demofóbicos optem pelo seu esvaziamento, via, por exemplo, correção abaixo da inflação ou aumento das condicionalidades para aceitar adesões.

Oferecidos
Atenção, economistas ávidos por entrar no maravilhoso mundo do mercado financeiro: atribuir a redução da inflação à alta da taxa Selic, perpetrada pelo Banco Central no início de abril, beira o charlatanismo, o que deveria ser punido com cassação pelo Conselho Federal de Economia.

Ganhos
Além de a redução da inflação ocorrer devido à queda dos preços nas prateleiras com a entrada da safra, além do alívio na conta de energia elétrica, economistas, ainda que conservadores, mas cientes de seus nomes, afirmam que alta dos juros só provoca impactos na inflação num prazo de seis meses. Antes disso, só trazem impacto – positivo – para os rentistas, que faturam mais uns milhões em cima da sociedade.

Perdas
A posição do mercado financeiro, uma vez mais, contrasta com a do setor produtivo: “Nossa expectativa é de que o Copom mantenha a Selic nos atuais 7,5%”, afirma José Ricardo Roriz Coelho, presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast): “É frustrante a nossa expectativa de crescimento em 2013. A equação da competitividade ainda é muito impactada pelos fatores juros, carga tributária, burocracia e infra-estrutura precária”, acrescenta.

Minha energia solar
A ampliação do uso de aquecimento solar dentro do programa Minha Casa, Minha Vida poderia gerar uma economia de energia elétrica de 741 gw/h por ano, o suficiente para abastecer uma cidade como Vitória, calcula a Abrava, entidade que reúne as empresas do setor de aquecimento e refrigeração. Atualmente, o equipamento é restrito às unidades unifamiliares que se enquadram na faixa de renda até R$ 1,6 mil.
Em 2012, havia 8,4 milhões de m² de coletores solares instalados no país, que geraram 5.714 gw/h, volume que corresponde a 1,3% do consumo nacional.
 

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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