Pai da matéria

O Banco Central classifica os R$ 7,6 bilhões que torrou no início do ano passado no mercado de câmbio de “custo da mudança para a livre flutuação”. Esta coluna, sempre disposta a traduzir o economês, explica: trata-se do “custo Gustavo Franco”.

“Chapa branca”?
Embora a estratégia esteja longe de esgotar as respostas a todas as perguntas suscitadas, o governador Anthony Garotinho, ao afirmar que as revistas semanais são pautadas pelo Planalto, produziu epíteto cuja resposta merece explicações tão ou mais detalhadas do que as que lhe são cobradas. Desde que daí nasça o famoso pacto de anormais, em que as armas ensarilhadas são mero poder dissuasório e não de esclarecimento.

Performance
Para quem ainda não alcançara os motivos do empenho, inclusive presidencial, para o Senado aprovar sua indicação para a diretoria de Fiscalização do Banco Central, Tereza Grossi, que já se destacara na solução relâmpago e perdulária aos Bancos Marka e FonteCindam, mostrou suas credenciais no inacreditável caso do sumiço do processo contra o Banco Nacional. O cargo dela, repetindo, é de fiscalização.

Reflexo
Do senador Roberto Requião (PMDB-PR) sobre as pesadas trocas de acusações e insultos ontem entre ACM e Jáder Barbalho: “A imagem do que aconteceu no plenário é hoje a imagem do Senado.”

Inside
Se as requentadas denúncias de Nicéa Pitta estão causando esta confusão toda, alguém pode imaginar o que ocorreria se a primeira-dama Ruth Cardoso resolvesse contar alguns detalhes da cozinha do Alvorada?

DNA
Assunto sempre polêmico, a propriedade das empresas jornalísticas e de radiodifusão vai ser objeto de emenda constitucional. Por iniciativa do senador Amir Lando (PMDB-RO), a Subcomissão de Rádio e TV da Câmara dos Deputados deve realizar audiência pública para debater a emenda. A discussão ganha maior atualidade com a intensificação do lobby para abrir o setor para estrangeiros sem, como já é praxe do neoliberalismo local, exibir qualquer contrapartida dos países beneficiários.

Fora da lei
Ao arrepio da lei, segundo interpreta o Procon, a Casas Sendas continua se recusando a etiquetar os preços de seus produtos. Esta semana, uma cliente, que de há muito alimentava desconfiança sobre a concordância entre os preços reais e os que pagava no caixa, resolveu promover uma checagem esclarecedora. Diante da má vontade habitual dos supermercados nestes casos, a fila na loja da Rua Barão de Itambi, no Flamengo, ficou paralisada pelo que pareceu a seus freqüentadores uma eternidade. A espera quase interminável, porém, não arrefeceu o apoio dos demais clientes à consumidora empenhada na defesa de seus direitos.

Nomenclatura
Sugestão semântica aos criadores dos neologismos do jornalismo econômico: em vez de nova economia, que tal nova gangorra?

Negócio da China
A troca de ativos entre a Petrobras e a Repsol (controladora da YPF) pode ser um excelente negócio para a multinacional espanhola, mas, no mínimo, representa retorno duvidoso para a empresa brasileira. Segundo a Aepet, os cerca de 600 postos de gasolina na Argentina que estariam sendo oferecidos pela Repsol em troca da refinaria Alberto Paqualini (Refap) , no Rio Grande do Sul, valeriam, no máximo, R$ 600 milhões. Enquanto isso, segundo avalia a Aepet, uma refinaria não custaria menos de US$ 2 bilhões.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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