País dividido

O Brasil continuará irremediavelmente dividido seja qual for o resultado do impeachment. De um lado, os que desejam a volta dos tempos do tucanato, sonhando com um ministério integrado por Armínio Fraga, Pedro Malan e José Serra (e pesadelo pior seria colher Romero Jucá e Paulo Maluf, entre outros apoiadores da destituição da presidente).

De outro, um governo combalido, vítima de seus próprios erros e de uma pesada campanha jurídico-midiática que repete o que foi feito na Argentina e Venezuela, visando a erradicar o movimento popular na América Latina, como tentado em outras tristes ocasiões. Ainda que sobreviva ao impeachment, Dilma Rousseff continuará sob fogo cerrado, e o país seguirá paralisado, salvo uma improvável, ainda que necessária, virada de mesa.

Ranulfo Vidigal, integrante do Conselho Editorial do MONITOR MERCANTIL, escreveu, em artigo publicado dia 13: “A saída pode vir através de uma concertação/negociação entre lideranças políticas, empresariais, trabalhistas e comunitárias. Ou pela ruptura e conflito aberto. A história política brasileira nos ensina que o conformismo – predominante na coletividade – criou condições para saídas que buscaram acordos entre as elites para superação das crises e impasses no passado. Tendo a acreditar que essa pode ser a saída atual. Ou não?”

Dia seguinte

Se o impeachment passar, e Michel Temer assumir, esta coluna arrisca palpitar quais seriam os primeiros projetos que enviará ao Congresso. Em meio a salamaleques e perfumarias, estaria uma proposta de “independência” do Banco Central (que ficaria mais dependente das instituições financeiras, as mesmas que elevaram seus lucros em 30% na crise), para “elevar a credibilidade” e “permitir a redução dos juros” (no futuro, sempre, que nunca chega); o fim do regime de partilha na área do petróleo; e a volta do financiamento privado das campanhas políticas.

Além disso, o novo governo encontraria uma solução para salvar Eduardo Cunha, ainda que a base de protelações no seu julgamento.

Discurso surrado

Professores, pesquisadores e funcionários da Escola de Ciências Sociais da Fundação Getúlio Vargas (CPDOC/FGV), divulgaram abaixo-assinado em defesa da democracia. “Nós, como cidadãos e cidadãs, mas também como profissionais das áreas de História e Ciências Sociais, compreendemos que o justo e importante combate à secular corrupção e às práticas patrimonialistas que contaminaram parte expressiva do sistema político e do mundo empresarial não pode e não deve colocar em risco o Estado Democrático de Direito, conquistado com muitas lutas e imensos sacrifícios da sociedade brasileira.”

Sabemos bem que, em outros momentos críticos de nossa história, setores antidemocráticos utilizaram fartamente o discurso de combate à corrupção para apear do poder governos legitimamente eleitos”, alertam.

Barreiras

A dificuldade para abertura de conta bancária aparece em primeiro lugar entre os entraves destacados por empresários franceses interessados em investir no Brasil. O alto valor de impostos e taxas ocupam o segundo lugar. Regulamentação e procedimentos burocráticos vêm a seguir, segundo a Câmara de Comércio França-Brasil de São Paulo (CCFB-SP).

Dominó

A crise no governo fluminense está afetando fortemente as concessionárias de serviços públicos. Além de não receberem em dia do estado, também estão sofrendo com atrasos nos pagamentos das contas dos servidores públicos. O caixa da Light, por exemplo, já viveu dias melhores.

Rápidas

Octavio Barros, economista chefe e diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas do Bradesco, faz palestra sobre “O Momento Atual e Perspectivas da Economia Brasileira”, em 28 de maio, das 9h30 às 11h, no Ibef-Rio (Av. Rio Branco, 156/4º andar – Ala C – Centro – RJ). Inscrições: (21) 2217-5566 *** A comédia Não vamos pagar!, com texto do dramaturgo italiano Dario Fo, está em temporada no Teatro Sesi no Centro do Rio até 14 de maio. As sessões são de quinta à sexta-feira, às 19h30, e aos sábados, às 19h. No elenco, os atores Guilherme Piva, Elisa Pinheiro, Zéu Brito e George Sauma vivem personagens que protestam contra o aumento abusivo dos preços, desencadeando assim, situações inesperadas num supermercado *** O portal Doméstica Legal (www.domesticalegal.com.br) oferece gratuitamente um sistema de gestão de diarista. Nele, o empregador pode emitir recibos de pagamento e declaração de início e término de prestação de serviços *** A nova edição da revista Aerovisão traz como capa uma reportagem sobre as etapas de desenvolvimento do novo cargueiro da Força Aérea Brasileira (FAB), o KC-390. Acesse a revista em https://issuu.com/portalfab/docs/aerovisao_2016_abr_mai_jun?e=3672131/34756183 *** Representantes do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) e outras entidades da área estão discutindo com a Receita Federal a expansão do Autoatendimento Orientado, para levar os serviços a municípios que não contam com postos da RFB. O grupo se reunirá em 17 de maio para discutir um termo de colaboração.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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