País tinha 7,3 milhões com renda mensal per capita de até R$89 em 2020

5,7% da população do país viviam com menos de R$ 155 por mês.

O Brasil não tem uma linha de pobreza oficial. A Síntese dos Indicadores Sociais, divulgada nesta sexta-feira, pelo IBGE, analisa as condições de vida da população brasileira considerando as linhas sugeridas pelo Banco Mundial e, ainda, os critérios adotados em programas sociais do Governo Federal. Segundo a Síntese, em 2020, o país tinha 7,3 milhões de pessoas (3,5% da população) com rendimento mensal per capita de até R$ 89, abaixo da linha de pobreza extrema do Bolsa Família. Considerando-se a linha de extrema pobreza do Banco Mundial (renda de US$ 1,90/dia, ou R$ 155 mensais per capita), encontramos 12 milhões de pessoas (5,7% da população). Já abaixo da linha do BPC (R$261 per capita), havia 22 milhões de pessoas (10,5%).

Para o critério de pobreza, há a linha de elegibilidade do Bolsa Família (R$ 178 per capita), que concentrava 13,6 milhões de pessoas (6,5%); a linha do Banco Mundial de US$ 5,50/dia, que estava em R$ 450 mensais per capita e reunia 50,9 milhões de pessoas (24,1%), e a linha de ½ de salário mínimo utilizada para o Cadastro Único do Governo Federal, que estava em R$ 523 per capita e incluía 61,4 milhões de pessoas (29,1%).

Aluguel

Segundo a Síntese, a POF 2017-2018 mostrou que para 51,4% da população que residia em domicílios alugados, o contrato de locação era apenas verbal. Esse grupo representava 8,6% do total da população.

A taxa de informalidade nos contratos de aluguel era quase de 72,4% no quinto populacional de menor rendimento domiciliar per capita e quase três vezes menor (27,1%) no quinto com maiores rendimentos. Além disso, era de 16,0 pontos percentuais a diferença entre o índice encontrado na população branca (42,7%) e o da população preta ou parda (58,7%).

O estudo mostra que mais de um terço (37,5%) da população integravam famílias que atrasaram o pagamento de serviços de água, eletricidade ou gás por dificuldades financeiras ao menos uma vez em um período de 12 meses, segundo a POF 2017-2018. Essa proporção foi mais elevada entre os pretos ou pardos, entre os jovens, e nos domicílios do quinto de menor rendimento monetário per capita. A proporção da população em famílias inadimplentes no pagamento de serviços atingiu 54,3% no Amazonas. A menor proporção (19,7%) foi de Santa Catarina.

Cerca de 54,1% das pessoas que integravam famílias chefiadas por mulheres, sem cônjuge e com filho de até 14 anos enfrentaram situações de inadimplência de serviços (luz, gás, água e esgoto etc.). Este foi o tipo de arranjo familiar com o maior percentual de inadimplência.

De acordo com a Síntese, em 2017-2018, 10,3% da população compunham famílias que consideravam que seu domicílio estava localizado em área sujeita a inundação. Outros 2,9% identificavam que seu domicílio se situava em encosta ou área sujeita a deslizamento.

A POF estimou que 28,2% da população região metropolitana do Rio de Janeiro residiam em domicílios situados em áreas sujeitas a inundação, o percentual mais alto entre as localidades analisadas. E a região metropolitana de Maceió mostrou o maior percentual de pessoas residindo em domicílios situados em encostas ou áreas sujeitas a deslizamentos.

A POF 2017-2018 mostrou ainda que 9,8% da população brasileira ocupada demoravam mais de uma hora no deslocamento até o local de trabalho. Entre os moradores das áreas urbanas das capitais e das Regiões Metropolitanas, esse percentual chegou a 16,7%.

Entre as 27 áreas urbanas das capitais e das regiões metropolitanas integradas por capitais analisadas pela SIS, a do Rio de Janeiro apresentou o maior percentual de pessoas ocupadas que levavam mais de uma hora para chegar ao trabalho: 26,2%, ou mais de um quarto de seus trabalhadores. São Paulo (22,8%) e Belo Horizonte (16,5%) vinham a seguir.

A PNAD COVID19 mostrou que em maio de 2020, 35,8% da população locatária residia em domicílios onde o aluguel era igual ou superior a 30% do rendimento domiciliar – situação classificada como de ônus excessivo com aluguel. Nos meses seguintes, essa proporção recuou, chegando a 27,2% em agosto de 2020.

Sem os rendimentos dos auxilíos emergenciais relacionados a pandemia, a ocorrência de ônus excessivo com aluguel teria chegado a 49,6% em maio de 2020.

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