Países pobres gastam mais em dívida do que em saúde e educação

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Fila por comida em Moçambique (foto de Ricardo Franco, Unicef)
Fila por comida em Moçambique (foto de Ricardo Franco, Unicef)

Cerca de um em cada oito países gasta mais com dívidas do que com serviços sociais, de acordo com um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançado nesta quinta-feira, pedindo alívio do serviço da dívida e reestruturação para permitir que os países se recuperem da pandemia.

De acordo com o levantamento “A Covid-19 e a crise crescente da dívida”, em 2019, 25 países – em sua maioria atingidos pela pobreza – gastaram uma proporção maior dos gastos do governo com serviços da dívida do que com educação, saúde e proteção social combinados.

“Os custos pessoais e públicos são enormes, deixando as crianças, suas comunidades e seus países com poucas esperanças de um desenvolvimento econômico e social sustentável”, disse a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore.

Antes da pandemia, os países com os níveis mais altos de serviço da dívida gastavam ao menos US$ 3 em dívidas para cada dólar pago a serviços sociais essenciais, de acordo com o relatório. “É improvável que as crianças que vivem em países com dívidas elevadas e recursos limitados para proteção social, educação e saúde jamais se libertem da pobreza e da privação”, advertiu Henrietta.

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O relatório conclui que uma nova arquitetura internacional de reestruturação da dívida – que inclui maior apoio aos países pobres altamente endividados; maior transparência sobre a dívida como parte dos processos orçamentários nacionais; e ação coordenada por parte dos credores – é crucial para proteger os direitos das crianças na esteira da pandemia.

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