Cerca de um em cada oito países gasta mais com dívidas do que com serviços sociais, de acordo com um novo relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) lançado nesta quinta-feira, pedindo alívio do serviço da dívida e reestruturação para permitir que os países se recuperem da pandemia.
De acordo com o levantamento “A Covid-19 e a crise crescente da dívida”, em 2019, 25 países – em sua maioria atingidos pela pobreza – gastaram uma proporção maior dos gastos do governo com serviços da dívida do que com educação, saúde e proteção social combinados.
“Os custos pessoais e públicos são enormes, deixando as crianças, suas comunidades e seus países com poucas esperanças de um desenvolvimento econômico e social sustentável”, disse a diretora-executiva do Unicef, Henrietta Fore.
Antes da pandemia, os países com os níveis mais altos de serviço da dívida gastavam ao menos US$ 3 em dívidas para cada dólar pago a serviços sociais essenciais, de acordo com o relatório. “É improvável que as crianças que vivem em países com dívidas elevadas e recursos limitados para proteção social, educação e saúde jamais se libertem da pobreza e da privação”, advertiu Henrietta.
O relatório conclui que uma nova arquitetura internacional de reestruturação da dívida – que inclui maior apoio aos países pobres altamente endividados; maior transparência sobre a dívida como parte dos processos orçamentários nacionais; e ação coordenada por parte dos credores – é crucial para proteger os direitos das crianças na esteira da pandemia.

















