Paladinos do livre mercado, EUA bloqueiam China e URSS

EUA impõem tarifa de 100% sobre veículos elétricos (EV) da China e proíbem importação de urânio da Rússia

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veículo elétrico sendo produzido na China
Foto tirada em 1º de fevereiro de 2024 mostra uma linha de produção de veículos de nova energia na Segunda Base de Manufatura Avançada da NIO em Hefei, Província de Anhui, no leste da China. (Xinhua/Zhang Duan)

A Casa Branca anunciou nesta terça-feira novas tarifas sobre as importações de veículos elétricos (VE), células solares e outros produtos de energia limpa da China, numa medida protecionista que se acredita que colocará em perigo a ambição norte-americana de descarbonizar a economia do país até 2050.

As tarifas sobre as importações chinesas de VE saltarão de cerca de 25% para 100%. E com uma tarifa adicional de 2,5% sobre todos os veículos importados para o mercado dos EUA, o total das taxas sobre os VE chineses será de 102,5%.

Pouco depois do anúncio, o Ministério do Comércio da China disse que o país se opõe firmemente ao novo aumento das tarifas e tomará medidas para salvaguardar seus direitos e interesses. As taxas atuais, impostas pelo então presidente dos EUA, Donald Trump, em 2018, e revistas pela administração Biden, expulsaram os veículos chineses do mercado de automóveis dos EUA.

A indústria automobilística dos EUA está anos atrás da China na produção de carros elétricos a preços baixos. “Confortáveis em um mercado protegido pela distância e pelas tarifas, e temerosos das mudanças drásticas exigidas tanto pela eletrificação quanto pela concorrência chinesa, muitos executivos (das montadoras norte-americanas) gostariam de acreditar que toda a transição energética foi apenas um sonho ruim”, disse o colunista da Bloomberg David Fickling em um artigo publicado no sábado.

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De acordo com relatórios públicos, os gigantes da indústria automóvel dos EUA, como Ford e General Motors, ou não conseguiram cumprir a sua meta de eletrificação ou reduziram os gastos em veículos elétricos.

Isótopos: EUA proíbem importação de urânio da Rússia
Isótopos (foto Rosatom)

Na segunda-feira, em outra medida para combater a ascensão chinesa e russa, o presidente dos EUA, Joe Biden, sancionou um projeto de lei que proibirá as importações de urânio enriquecido não irradiado da Rússia.

O conselheiro de Segurança Nacional dos EUA, Jake Sullivan, disse em um comunicado que a lei visa “reduzir e, em última análise, eliminar nossa dependência da Rússia para energia nuclear civil”.

Não se espera que a proibição tenha um impacto sério na indústria nuclear russa, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta terça-feira.

Peskov acrescentou que os Estados Unidos têm dificuldade em competir com a Rússia na arena internacional e, consequentemente, recorrem a medidas que distorcem todas as normas e princípios do comércio internacional.

A lei proporciona isenções até 1º de janeiro de 2028 para empresas de serviços públicos que tenham que desligar reatores nucleares devido ao corte do fornecimento de urânio russo. Cerca de 12% do urânio usado nas usinas norte-americanas em 2022 veio da Rússia.

As empresas norte-americanas pagam cerca de US$ 1 bilhão por ano pelo urânio enriquecido da Rosatom, o conglomerado estatal de energia nuclear da Rússia, segundo o jornal The Washington Post. A publicação afirmou que a lei pretende “cortar um dos últimos fluxos significativos de dinheiro dos Estados Unidos para a Rússia” em meio ao conflito desta com a Ucrânia.

A convite do presidente chinês, Xi Jinping, o presidente russo, Vladimir Putin, fará uma visita de Estado à China nestas quinta e sexta-feira, anunciou a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Hua Chunying.

Com Agência Xinhua

Matéria atualizada às 18h58 para inclusão da visita de Putin a Xi Jinping

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