Palavras vazias

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Deve visto sob a ótica do mundo virtual que caracteriza o tucanato o anúncio do diretor-geral da Agênc+ia Nacional de Petróleo (ANP), David Zylbersztajn, de que as empresas estrangeiras de petróleo investirão US$ 60 bilhões no país durante dez anos. No mundo real, estudo da Unicamp revelou que em 494 anos (1500-1994), as 6.311 multinacionais que passaram pelo Brasil nesse período investiram US$ 72 bilhões, enquanto a Petrobras sozinha investiu US$ 80 billhões em apenas 40 anos (1954-94).
Promessas de investimentos virtuais, aliás, não são novidade no setor de petróleo no país. Para justificar a assinatura dos contratos de risco, em 1975, anunciou-se que ondas de bilhões de dólares inundariam o país. Quando a poeira baixou, viu-se que, em 13 anos (1975-88), as concorrentes da Petrobras investiram mero US$ 1,6 bilhão. E, deste total, US$ 600 milhões foram gastos pela aventura malufista da Paulipetro.
As estrangeiras gastaram apenas US$ 650 milhões, dos quais 70% na compra de sondas do exterior. Durante 13 anos, essas empresas não acharam uma só gota de petróleo no país; recorde-se que encontraram um solitário campo de gás: Merluzza, na Bacia de Campos. A descoberta, porém, não agradou a seus autores, que tentaram passá-la à Petrobras, que recusou a oferta por considerá-la antieconômica. De real, nesses 13 anos, apenas os US$ 26 bilhões investidos pela Petrobras.

Preservação
Ao encerrrar, ontem, o IV Encontro da ESG com a Mídia, o comandante e diretor de estudos da Escola Superior de Guerra, general de divisão Carlos Patrício Freitas Pereira, deixou clara a posição da instituição em relação à globalização: “Para a cultura não devem existir fronteiras, mas aqueles aspectos fundamentais que nos dizem respeito devem ser preservados”, destacou.

Fugindo da CPMF
Além de compensar a CPMF para recursos que permanecerem no mínimo três meses na caderneta de poupança, a Caixa Econômica Federal está lançando um fundo com reembolso da contribuição, o Caixa FAC Prêmio 60. Neste caso, a CPMF será reembolsada ao cotista após o prazo mínimo de 120 dias de aplicação. Caso o resgate, total ou parcial, seja feito antes dos 120 dias, a devolução dos 0,38% será equivalente ao saldo remanescente aplicado.

Troco
Já começam a circular pela Internet mensagens propondo um boicote à Telefônica (de São Paulo). Sugerem que ninguém use o 15, número da empresa que abocanhou a Telesp fixa, para realizar ligações DDD e DDI. Os adjetivos mais amenos falam em “péssima prestadora de serviços” e lembram que a Telefônica conseguiu piorar o já precário sistema estatal. A vingança dos usuários tende a crescer.

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Olho do furacão
O Departamento de Pesquisa do Unibanco faz uma aposta arriscada no boletim Panorama Econômico, mês de maio. Diz que, após análise do dinamismo da dívida pública, “associada à tendência de queda da taxa de juro nominal e de estabilidade na taxa de câmbio, tornam o cenário bastante confortável.” Resta saber até quando dura este conforto.

Consumo
Apesar da queda geral das importações em 99, a participação do item Bens de Consumo se mantém estável, com 15% das compras totais no primeiro bimestre deste ano, mesmo nível de 98. Bens de Capital e Matérias Primas tiveram pequeno aumento na participação (de 41% para 43% e de 33% para 35%, respectivamente). A queda se concentrou no item Petróleo e Derivados, que representava 11% das importações em 98 e agora caiu para 7% (compras 42,9% inferiores).

Bala na agulha
Quem acredita nos montantes de investimentos em petróleo no país anunciados pelas empresas estrangeiras deve ser recordado que essa é uma brincadeira cara. Um furo em único poço pioneiro (para confirmar ou não a existência de óleo) na Bacia de Campos não custa menos de US$ 30 milhões.

Quem manda
A saída do Estado chinês da economia para dar vez a empresas estrangeiras está restrita à  associação de estatais locais com empresas que garantam a tecnologia e os capitais inexistentes ou insuficientes. Os demais setores continuam sobre o controle do Estado, inclusive em setores onde essa presença é considerada exótica pelos privatistas. Um executivo brasileiro que se hospedou num dos mais luxuosos hotéis da China, por exemplo, descobriu que o proprietário do estabelecimento era o Exército Popular de Libertação, que se limitara a arrendá-lo a grupo japonês, sem abrir mão do direito de ter um representante no board da casa.

Extermínio
Ao contrário do prometido por seus defensores, a privatização de estatais não fortaleceu o mercado acionário brasileiro. Em vários casos, o número de acionistas encolheu. A Telebrás, por exemplo, que chegou a ter 3 milhões de acionistas, ao ser vendida tinha apenas 300 mil. Os demais tiveram suas ações compradas por iniciativa do então ministro Sérgio Motta, que queria passar a empresa com o menor número possível de sócios para seus futuros controladores.

Prioridades
Com apenas 25% do que a Bahia vai gastar financiando a instalação de uma fábrica da Ford no estado, o Rio Grande do Sul vai gerar 100 mil empregos para jovens, durante quatro anos. Só esse dado seria suficiente para justificar a decisão do governador gaúcho, Olívio Dutra, de endurecer e não enterrar R$ 600 milhões na multinacional para criar um punhado de empregos. Indo para a Bahia – longe do mercado consumidor, especialmente Mercosul, e dos fornecedores – a Ford opta antes por um negócio financeiro que industrial. Sorte do povo baiano – e azar do restante dos brasileiros – que ACM vai espetar a conta no BNDES e na Sudene.

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