Paleolítico

A tendência do governo de taxar o bolso dos consumidores como opção preferencial para minimizar os efeitos do racionamento vai agravar ainda mais as desigualdades sociais no país. Levantamento da ONG Ilumina revela que, com 2 mil kWh, o Brasil é o 31º país em consumo per capita de energia. A média nacional está a anos-luz da Noruega, a primeira colocada nessa ranking, com 25 mil kWh/habitante, além de ser inferior à de países com economia muito menos desenvolvida que a nossa, como Malásia, Jamaica, Croácia e Cazaquistão.
Paleolítico II
Levantamento junto às operadoras de eletricidade, mostra ainda que existem 20 milhões de domicílios no país sem acesso à luz elétrica. No Maranhão, o consumo médio mensal não passa de 90 kwh por habitante. Esse total equivale a uma pequena geladeira, a um ventilador e a uma lâmpada. Os números deixam claro que o tarifaço programado pela tecnocracia tucana para beneficiar as operadoras estrangeiras vai empurrar a população mais pobre para a era da vela.

Quem assume risco
Responsabilizar a Petrobras pelo fracasso do plano de construção de termelétricas, como quis fazer na semana passada uma colunista – digamos – simpática à equipe econômica do governo, é mais ou menos como inverter a antiga história do assassino que matou pai e mãe e depois pediu ao júri clemência por ser um pobre órfão.

Abandonadas
Não importa se a administração é federal, estadual ou municipal – as estradas ao redor da cidade do Rio de Janeiro estão com a sinalização em péssimo estado de conservação. Na Avenida Brasil placas enferrujadas denunciam que já não são trocadas há muito tempo. Na Rio-Santos a sinalização é confusa ou inexistente. No sentido Rio, por exemplo, uma placa indica para seguir em frente para chegar a Mangaratiba, logo após a entrada para a cidade. Já na rodovia estadual que liga a Rio-Santos à antiga Rio-São Paulo (passando por Itaguaí e Seropédica) não existe ao menos uma placa de sinalização. Isso para não falar dos incontáveis buracos ao longo (do que resta) da via.

Geografia
Em nota divulgada ontem, o governador do Amapá, João Alberto Capiberibe, anuncia sua pré-candidatura à Presidência da República em 2002. Segundo sua assessoria, Capiberibe teve seu nome lançado, em reunião extraordinária do PSB, pelo governador do Pará, Ronaldo Lessa. Como o Pará é governado pelo tucano Almir (“Eldorado dos Carajás”) Gabriel e Lessa governa Alagoas e, diante da vocação bajulatória do Planalto de certos governadores formalmente eleitos pela oposição, é melhor Capiberibe explicar, com rapidez, que tudo não passou de erro geográfico e não de ato falho a denunciar alguma dobradinha com o tucanato.

Genérico
Será inaugurada amanhã, em São Paulo, a primeira farmácia daquela capital que venderá exclusivamente medicamentos genéricos. O farmacêutico responsável pela Casa dos Genéricos, Sérgio Araújo de Andrade Jr., diz que o novo estabelecimento prevê atender cerca de 20 mil pessoas por mês e faturar R$ 15 mil. Até o fim de junto, a Casa dos Genéricos, cuja matriz fica em Campinas, inaugurará mais duas filiais em São Paulo.

Balanço
Ontem a Lei de Responsabilidade Fiscal, que elevou o programa de ajuste fiscal tucano a preceito constitucional, completou um ano de vigência. Não por acaso, a comemoração do aniversário vai ser à luz de velas, como conseqüência mais visível dos cortes de gastos públicos impostos ao país para garantir o pagamento de juros aos rentistas e especuladores, que embolsaram R$ 90 bilhões, apenas ano passado.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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