Palestina: solução de 2 Estados une da França à Rússia

França se une a Reino Unido, Canadá, Portugal e Austrália e reconhece Palestina.

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O presidente francês, Emmanuel Macron, na ONU (foto de Li Rui, Agência Xinhua)
O presidente francês, Emmanuel Macron, na ONU (foto de Li Rui, Agência Xinhua)

O presidente francês, Emmanuel Macron, afirmou na segunda-feira, na conferência ONU sobre a solução de 2 Estados, que seu país reconhece o Estado da Palestina, juntando-se a mais de 150, dos 193 países da ONU, que já anunciaram o reconhecimento.

A Conferência Internacional de Alto Nível para a Solução Pacífica da Questão da Palestina e a Implementação da Solução de Dois Estados é copresidida pela França e pela Arábia Saudita. A reunião, realizada nesta segunda-feira, antecede a Assembleia Geral das Nações Unidas, na sede da organização, em Nova York, que começa nesta terça-feira. “Chegou a hora. Não podemos mais esperar”, disse ele, acrescentando: “Queremos 2 Estados em paz e segurança, lado a lado.”

No domingo, Reino Unido, Canadá, Austrália e Portugal reconheceram formalmente o Estado da Palestina para pressionar por uma “solução de dois Estados”, enquanto Israel prosseguia com sua ofensiva e anexação em Gaza, apesar da crescente condenação global.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, na Conferência, que está ocorrendo em Gaza não só extermínio do povo palestino, mas uma tentativa de aniquilamento de seu sonho de nação.

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“Como apontou a Comissão de Inquérito sobre os Territórios Palestinos Ocupados, não há palavra mais apropriada para descrever o que está ocorrendo em Gaza do que genocídio”, afirmou Lula.

Lula reforçou o apoio brasileiro ao processo aberto pela África do Sul, exigindo o reconhecimento do Estado Palestino, tal como plano de partilha apresentado pela ONU há 78 anos: “Um Estado se assenta sobre três pilares: o território, a população e o governo. Todos têm sido sistematicamente solapados no caso palestino”, declarou.

Annalena Baerbock, presidente da 80ª sessão da Assembleia Geral da ONU, afirmou que a Assembleia Geral foi muito clara: “Precisamos de um cessar-fogo imediato, incondicional e permanente em Gaza. Israel deve facilitar imediatamente a entrada e a entrega completa, rápida, segura e desimpedida de assistência humanitária aos civis palestinos. O Hamas deve libertar imediata e incondicionalmente todos os reféns.”

Ela enfatizou que o conflito israelense-palestino, que já dura uma década, não pode ser resolvido com guerras sem fim, ocupação permanente e terror recorrente, e que a única maneira de garantir que as futuras gerações de palestinos e israelenses possam viver em paz, segurança e dignidade é a solução de dois Estados.

A Rússia também acredita que uma solução de 2 Estados encerraria os conflitos no Oriente Médio, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, nesta segunda-feira, ao comentar o reconhecimento da Palestina por vários países ocidentais.

Greve geral em apoio à Palestina paralisa a Itália

Uma greve geral em solidariedade à população palestina de Gaza paralisou o transporte público, escolas e outros serviços na Itália nesta segunda-feira, atingindo as principais cidades. Esta foi a segunda iniciativa do tipo em poucos dias, após uma primeira paralisação de 4 horas convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGIL), o maior sindicato da Itália, em na sexta-feira (19).

Transportes locais e algumas conexões ferroviárias foram interrompidos, especialmente durante a manhã e o horário central, enquanto as atividades nos portos de Gênova e Livorno foram interrompidas devido à abstenção dos estivadores.

Como a maioria das escolas, universidades e diversos órgãos públicos permaneceram fechados, um grande número de italianos se reuniu nas ruas expressando solidariedade aos palestinos e protestando contra as ações militares de Israel na Faixa de Gaza.

Manifestações foram organizadas em pelo menos 75 cidades do país, com os maiores protestos sendo registrados em Roma, Bolonha, Milão, Turim e Veneza. A emissora italiana Rai News informou que pelo menos 100.000 pessoas participaram das manifestações.

De acordo com a agência de notícias italiana Ansa, centenas de manifestantes pró-Gaza entraram em confronto com a polícia em Milão, perto da Estação Central da cidade. Mais de uma dúzia de pessoas teriam sido detidas por desordem pública, enquanto cerca de sessenta policiais ficaram feridos ou com hematomas, 23 dos quais foram levados ao hospital.

No geral, os manifestantes tinham como objetivo pressionar o governo da primeira-ministra Giorgia Meloni a exigir sanções contra Israel, apoio a iniciativas humanitárias para civis palestinos e a suspensão de todos os acordos comerciais e militares com Israel até o fim do conflito em Gaza e o fim da ocupação da Cisjordânia.

Os sindicatos também pediram ao governo que reconheça o Estado da Palestina, uma medida que o gabinete italiano ainda não tomou, ao contrário do que fizeram neste final de semana e nesta segunda-feira Portugal, Espanha, França, Grã-Bretanha, Canadá e Austrália.

Com informações das agências Xinhua e Brasil

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