Pandemia acentua extrema pobreza no mundo

Das 27 capitais do Brasil, 18 tiveram aumento na taxa de extrema pobreza (quando a renda per capita é igual ou inferior a R$ 160 ao mês).

Segundo relatório divulgado pela Fundação Bill e Melina Gates, a pandemia de Covid-19 já arrastou cerca de 31 milhões de pessoas no mundo inteiro para uma situação de extrema pobreza. De acordo com a ONG Child and Family Foundation (CFF), esta é uma emergência global, que acarreta em vulnerabilidade, fome e inúmeras mazelas sociais. Somente no Brasil, segundo dados da FGV Social, antes da Covid-19, em 2019, eram pouco mais de 23 milhões de pessoas que viviam abaixo da linha da pobreza. Atualmente, já são quase 28 milhões nesta triste situação de vulnerabilidade social. Outro estudo, feito pelo economista e pesquisador da FGV, Daniel Duque, mostrou que das 27 capitais do Brasil, 18 apresentaram aumento na taxa de extrema pobreza, que é considerada quando a renda per capita é igual ou inferior a R$ 160 por mês, padrão de referência utilizado pelo Banco Mundial.

Mesmo que a pandemia já dê sinais de melhora com a vacinação em massa e uma retomada da economia comece a ser desenhada, o impacto causado na educação e nas finanças de muitos brasileiros, devido aos altos índices de desemprego, não será amenizado em pouco tempo.

“É importante nos conscientizarmos dessa triste realidade que vem se agravando a cada dia e lembrar que muitos se encontram na situação de extrema pobreza, levando a diversas consequências que colocam em risco a vida dessas pessoas, como fome crônica, miséria, desabrigo e doenças. Por isso, é extremamente importante que a sociedade mas também e, principalmente, as empresas apoiem verdadeiramente o trabalho de organizações sociais e participem das diversas ações que eles promovem para auxiliar e buscar a mudança nesse cenário”, comenta Davi Damazio, diretor geral da myWorld no Brasil, grupo internacional que dá suporte a duas ONGs de atuação mundial: a Child & Family Foundation e a Greenfinity Foundation, que desenvolve projetos voltados para a preservação do meio ambiente e a sustentabilidade.

Agora, neste momento crucial de volta às aulas em grande parte dos países, outro problema encontrado tem sido a grande evasão escolar, principalmente em países mais pobres como o Brasil.

Segundo o Relatório de Riscos Globais do Fórum Econômico Mundial 2021, a desilusão do jovem é um risco para o nosso planeta e sentiremos os impactos e reflexos desse desânimo nos próximos dois anos. Além das crises sociais, econômicas e ambientais, a atual geração enfrenta desafios relacionados à educação e saúde mental.

Em paralelo a isso, vivemos a maior geração de jovens no Brasil, e com dados como estes as perspectivas para as juventudes não são positivas e com isso, corremos o risco de perder o potencial de uma geração capaz de mudar a realidade social e econômica do nosso país.

Nesse contexto, o Conselho Nacional da Juventude (Conjuve) envia ao Governo Federal e ao Congresso um pacote de medidas em prol das juventudes. A iniciativa visa a servir como um documento propositivo, apontando soluções e caminhos para direcionar a mudança dessa realidade, criando mecanismos para ampliar e melhorar a empregabilidade dos jovens no país.

O Brasil conta, atualmente, com 47,2 milhões de jovens, representando 1/3 da população total. No entanto, apesar de sua capacidade produtiva, 54% estão desocupados, de acordo com dados do Ipea. Levantamento do IBGE aponta que ¼ da juventude está sem oportunidade de estudo ou trabalho. A situação é ainda mais crítica por falta de uma política de inclusão, que afeta as populações negra, indígenas, mulheres, pessoas com deficiência e LGBTQIA+.

Para o presidente do Conjuve, Marcus Barão, o contexto atual influencia no processo de desenvolvimento da população jovem e amplia a exposição à pobreza, ao subemprego e à precarização do trabalho. O pacote de medidas, segundo ele, é um compromisso para o enfrentamento desses desafios.

“A situação é grave. Precisamos urgentemente de ações concretas, com real capacidade de promover mudanças, atendendo as demandas emergenciais e apresentando perspectivas de futuro. Uma série de direitos têm sido violados ou negligenciados e para o enfrentamento da complexidade deste cenário será fundamental a construção de soluções que sejam baseadas em evidências, fruto de um amplo processo de diálogo social”, afirma.

O pacote de medidas conta com propostas dentro dos seguintes eixos: desafios do primeiro emprego, educação: qualidade e evasão, competências do futuro, fomento ao empreendedorismo jovem, acesso aos centros de trabalho: inclusão digital e mobilidade urbana, diversidade no mercado de trabalho, enfrentamento à desigualdade social, participação social e da juventude, reinserção de jovens em medidas socioeducativas, trabalhos verdes: sustentabilidade e cadeias de valor rurais.

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