Pandemia do coronavírus deverá reduzir exportações brasileiras

Menor demanda global tende a pressionar para baixo os preços em dólar de commodities.

Negócios Internacionais / 15:07 - 16 de mar de 2020

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Redução nas exportações e queda dos preços de commodities podem estar entre os principais efeitos da pandemia de coronavírus sobre a economia brasileira, avalia a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Economia. O texto, divulgado antes de a Organização Mundial de Saúde (OMS) classificar o coronavírus como pandemia, pondera que ainda é cedo para precisar impactos e que, pelo menos por enquanto, não houve alterações significativas nas vendas externas brasileiras.

A redução do ritmo de atividade global tende a gerar uma queda na demanda das exportações brasileiras, sobretudo de commodities. Os dados completos da balança comercial dos próximos meses trarão informações adicionais”, informa a nota. O documento destaca que, desde a confirmação da primeira morte pelo coronavírus, em 11 de janeiro, os preços das principais commodities da pauta de exportações do Brasil recuaram, principalmente café, carne bovina e minério de ferro. E, se de um lado a demanda pode ser menor, o custo de insumos importados pode aumentar, com menor disponibilidade.

A menor demanda global tende a pressionar para baixo os preços em dólar de commodities. Os preços de insumos importados também podem aumentar, tendo em vista menor disponibilidade no mercado”, avalia a nota, citando também a aversão a risco provocada pelo impasse entre grandes produtores mundiais de petróleo.

Outro aspecto destacado pelo Ministério da Economia é a possibilidade de interrupção de cadeias produtivas, especialmente na indústria, dependente de componentes fabricados na China. Este tem sido um fator de preocupação para diversos segmentos, entre eles o de máquinas e implementos agrícolas

 

Agronegócio exporta US$ 6,41 bi em fevereiro

As importações do setor totalizaram US$ 1,06 bilhão no mês e, como resultado, o saldo da balança comercial foi de US$ 5,35 bilhões. As exportações de óleo de soja, carne (bovina, suína e de frango), algodão e complexo sucroalcooleiro (açúcar e álcool) tiveram desempenho favorável na balança comercial do Agronegócio, que contabilizou US$ 6,41 bilhões, em fevereiro.

A participação do agro no total das exportações brasileiras ficou em 39,2%, já que houve recuo de 6,3% nas vendas externas na comparação com o mesmo mês do ano anterior. As importações do setor totalizaram US$ 1,06 bilhão no mês e, como resultado, o saldo da balança comercial foi de US$ 5,35 bilhões, de acordo com a Balança Comercial do Agronegócio, elaborada pela Secretaria de Comércio e Relações Internacionais (SCRI) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).

 

Apex e Softex renovam projeto de exportação

A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) e a Softex anunciam a renovação para o biênio 2020-2022 do convênio do Projeto Setorial Brasil IT+, o maior e mais abrangente plano de internacionalização competitiva de empresas desenvolvedoras de software e prestadoras de serviços de TI já realizado no país. Iniciado em 2005, ele tem por objetivos gerar novas oportunidades de negócios no mercado internacional para as companhias brasileiras participantes, ampliar o volume de exportações, aumentar a exposição da indústria brasileira de TI e fortalecer a imagem do Brasil como um centro mundial de excelência no setor.

O diretor de Negócios da Apex-Brasil, Augusto Pestana, destaca que o Brasil IT+, projeto feito em parceria com a Softex, está há 15 anos apoiando os negócios internacionais das empresas brasileiras do setor de TI. “A Agência entende este setor como extremamente importante para colocar o Brasil na era da transformação digital e com empresas que muitas vezes já nascem prontas ou rapidamente transformam suas soluções para o mercado internacional. Avaliamos criteriosamente os resultados anteriores e o potencial de negócios do setor e renovamos nosso plano de trabalho para os próximos dois anos”, reforça Pestana.

 

Franquia de frango crocante chega nos EUA

O ano de 2020 começa para lá de próspero para a Hot n’ Tender, franquia brasileira de frango crocante que possui 45 lojas. A empresa fechou, no ano passado, o negócio dos sonhos: o megaempresário indiano Jay Pandya investiu US$ 50 milhões na marca e colocou o frango frito brazuca na terra do tio sam.

O CEO da Rohan Group foi o primeiro investidor internacional da HNT e planeja inaugurar, até o final de 2025, 50 unidades da franquia nos Estados Unidos. Dany Levkovits, o fundador da HNT, iniciou o contato com Jay durante a edição de 2018 da Multi-Unit Franchising Conference Las Vegas, feira na qual a empresa participou graças ao apoio do Franchising Brasil — projeto setorial de internacionalização realizado por meio de uma parceria entre a Associação Brasileira de Franchising (ABF) com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

Hoje, o Rohan Group é dono de franquias de marcas de peso, como a Pizza Hut e o Dunkin’ Donuts. O ponta pé inicial da operação norte-americana comandada pelo grupo já aconteceu: a HNT abriu seis lojas, nos estados da Filadélfia e de Connecticut. Além do investimento norte-americano, a Hot n’ Tender também está negociando com candidatos colombianos e argentinos.

De acordo com o fundador da HNT, a empresa é prova viva de que o ambiente das feiras pode, sim, trazer resultados surpreendentes para as franquias em busca do mercado externo. “Nossa negociação com o parceiro americano durou 8 meses. Nesse meio tempo foram sete viagens aos Estados Unidos e muitas reuniões com advogados e consultores”, conta Dany. E acrescenta: “o foco e a determinação são os principais fatores para o negócio dar certo”.

 

Exportações de carne suína crescem 54,6%

As exportações brasileiras de carne suína (considerando todos os produtos, entre in natura e processados) totalizaram 67,4 mil toneladas em fevereiro, informa a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O número é recorde para o mês e supera em 24,7% o volume embarcado no mesmo período de 2019, quando foram exportadas 54,1 mil toneladas. A receita mensal das exportações chegou a US$ 154,9 milhões, número 54,6% maior em relação ao resultado obtido no segundo mês de 2019, com US$ 100,2 milhões.

No acumulado do ano, as exportações de carne suína chegaram a 135,9 mil toneladas, volume 32,4% maior em relação ao alcançado no primeiro bimestre de 2019, com total de 102,6 mil toneladas. As vendas do período geraram receita de US$ 319,1 milhões, saldo 66,2% superior ao registrado nos dois primeiros meses de 2019, com US$ 192 milhões.

O preço médio das exportações segue elevado, pressionado pela forte demanda asiática por proteína animal. Os impactos das ocorrências de Peste Suína Africana no rebanho de mercados como China e Vietnã mantiveram o fluxo dos embarques elevados, em níveis atípicos para o período”, aponta Ricardo Santin, diretor-executivo da ABPA.

Principal destino das exportações, a China incrementou suas compras em 161% na comparação com o mesmo período do ano passado, com total de 31 mil toneladas exportadas em fevereiro.

As questões pontuais de logística decorrentes das ações de controle ao Covid-19 não geraram impactos significativos no saldo final das exportações brasileiras. Ajustes logísticos garantiram o desembaraço das cargas no mercado chinês. O governo chinês prioriza o trânsito de alimentos”, analisa Francisco Turra, presidente da ABPA. O Japão também elevou suas compras de carne suína do Brasil, com total de 678 toneladas em fevereiro, número 239% maior que o embarcado em fevereiro de 2019.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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