Pandemia já afeta trabalho de 53,5% das famílias

Efeitos atingiram mais as famílias de menor renda, que ganham até R$ 2.100.

Conjuntura / 17:01 - 20 de mai de 2020

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A maior parte das famílias brasileiras já sente mais de perto os efeitos da pandemia no dia a dia. Levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), aponta que 53,5% dos 1.300 consumidores consultados afirmam que sua família sofreu algum tipo de impacto em seus trabalhos - quase metade desses (43,9%) ficou impedida de trabalhar em virtude do isolamento social. Os efeitos atingiram mais as famílias de menor renda, que ganham até R$ 2.100: 20,6% delas foram afetadas.

Outros 24,9% tiveram redução salarial proporcional à jornada de trabalho, 14,7% informaram que pelo menos um membro da família teve o contrato de trabalho suspenso, e 12,7% citaram que uma pessoa do núcleo familiar amargou a demissão. O resultado justifica a queda no consumo, que a pesquisa vem mostrando desde a prévia em abril - 78,3% responderam que só estão comprando apenas produtos e serviços essenciais, percentual um pouco mais baixo que em abril (79,1%). Nesse quesito, as famílias mais pobres também sofrem mais: 89% delas consomem somente o essencial.

O estudo também consultou 2.528 empresas com o objetivo de compreender, dentre outros temas, como estavam se adaptando à nova fase de isolamento social. Em todos os setores, exceto no Comércio, a maioria afirmou ter adotado parcial ou integralmente o teletrabalho (ou home office) como uma das estratégias para enfrentar o período. O trabalho remoto foi adotado por 80,4% das indústrias, 68,6% das empresas prestadoras de serviços e 59,6% das empresas de construção. No comércio, apenas 26,6% das empresas passaram a se utilizar deste artifício.

No setor de serviços, o mais afetado pela pandemia ao contrário de crises anteriores, está o maior percentual de empresas que realizaram antecipação de férias individuais de seus colaboradores (65%), reduziram proporcionalmente salários e jornadas de trabalho (46,4%), além de terem enxugado seu quadro de pessoal (45,8%). Chama atenção também o alto percentual de empresas que afirmam terem suspendido contratos de trabalho (42,3%), a maior proporção entre os setores, segundo dados da prévia dos quesitos especiais das sondagens de maio.

O comércio tem o maior percentual de empresas dizendo não ter adotado nenhuma das medidas (21,9%), algo que ocorre por influência da relativa resiliência dos segmentos de hiper e supermercados (30,3%) e de outros varejistas (28,9%).

Ainda analisando o setor de serviços, em que 45,8% das empresas reduziram o pessoal, os segmentos mais afetados foram os serviços de alimentação (64,7%), transporte rodoviário (57,5%) e serviços de alojamento (57,1%). Mas em outros setores, alguns segmentos reduziram seu quadro de funcionários com ainda maior frequência. Foram os casos de empresas produtoras de couros e calçados (68,3%), na indústria, e na construção de edificações não residenciais (61,9%).

Outro levantamento apontou que o trabalho remoto está acelerando a transformação digital das empresas na América Latina.  Desde que teve início essa nova era do distanciamento social, milhões de empregados estão trabalhando remotamente de suas casas, muitos deles pela primeira vez em suas carreiras. O uso de ferramentas de colaboração, videoconferência e comunicações unificadas se multiplicou. Mas, ao mesmo tempo, muitas empresas não possuíam um plano de continuidade dos negócios robusto o suficientemente para fazer esta transição. Mediante esse cenário, a Avaya Holdings Corp. e a Frost & Sullivan compartilharam, por meio de uma conversa virtual, estratégias e ferramentas tecnológicas para enfrentar a "nova realidade" gerada pelo trabalho remoto na América Latina.

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