Pandemia salva contas externas de Guedes. Por enquanto

Déficit triplicou de 2017 para 2018 e seguiu em alta em 2019; cairá em 2020, mas ainda acima de 3 anos atrás.

O mundo entrou na pandemia com desequilíbrios externos persistentes e preexistentes, destaca o Fundo Monetário Internacional (FMI). A nova edição do relatório sobre o setor externo (External Sector Report) do Fundo mostra que os déficits e superávits mundiais em conta-corrente em 2019 ficaram próximos de 3% do PIB mundial, ligeiramente abaixo do registrado um ano antes. Os técnicos preveem para 2020 uma redução adicional de apenas cerca de 0,3% do PIB mundial, “um recuo mais modesto do que o ocorrido após a crise financeira global há 10 anos”.

O Brasil vinha em uma trajetória perigosa desde 2017. O déficit em conta-corrente naquele ano equivaleu a 0,7% do PIB. Em 2018, mais que triplicou, para 2,2% do PIB e foi a 2,7% no primeiro ano de Governo Bolsonaro. Para 2020, porém, o FMI espera que o déficit brasileiro caia para 1,7% do PIB. Principal responsável por esta queda é o resultado da balança comercial, mas não pelo aumento das exportações devido à desvalorização do real – as vendas externas do Brasil diminuíram, seguindo o movimento do comércio mundial. Mas as importações brasileiras caíram muito mais. Isso reforça o saldo na balança comercial e ajuda a aliviar o déficit em conta-corrente. As importações desabaram por causa da crise econômica, que foi agravada pela pandemia.

O FMI destaca que “os déficits e superávits externos não são necessariamente um motivo de preocupação. Há bons motivos para que os países mantenham um ou outro em determinados momentos. Contudo, as economias que tomam empréstimos demais do exterior e o fazem a um ritmo muito rápido, registrando déficits externos, podem se tornar vulneráveis a interrupções repentinas nos fluxos de capital”. Guedes e equipe conseguiram pequeno alívio. A vulnerabilidade estrutural permanece.

 

Luto e Luta

As Centrais Sindicais farão nesta sexta-feira um Dia de Luto e de Luta para protestar e alertar a sociedade sobre “as medidas equivocadas e desastrosas do Governo Bolsonaro, que desorganizaram e confundiram as ações de enfrentamento à pandemia da Covid-19, colocando o país na iminência de atingir 100 mil óbitos nesta semana”.

As entidades comandarão atos e paralisações. Em fábricas, propõem que trabalhadores cruzem os braços por 100 minutos. Há também uma campanha incentivando os brasileiros a colocarem pano branco nas janelas como forma de lembrar a situação que atravessamos.

 

Made in Minas

O ventilador pulmonar inteligente para dar suporte aos pacientes contaminados pela Covid-19 desenvolvido pela empresa mineira Tacom, por meio do projeto social Inspirar, obteve homologação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) nesta segunda-feira.

Os primeiros 1.500 aparelhos foram encomendados pela Federação das Indústrias (Fiemg), principal apoiadora do projeto, e têm como destino o Governo de Minas, que se encarregará de distribuí-los às cidades mais afetadas pela pandemia. A empresa pretende fabricar, nos próximos meses, 10 mil equipamentos, que terão valores mais acessíveis do que produtos semelhantes, além de serem mais fáceis de manusear.

 

Metade para poucos

Guedes quer acabar com a meia-entrada para estudantes e idosos. Poderia seguir a linha e extinguir, de sua proposta tributária, a meia-entrada para os bancos. Todas as empresas foram taxadas com alíquota de 12% com o novo imposto; os bancos pagariam apenas 5,8%.

 

Rápidas

O programa Lives com os Embaixadores de Turismo do Rio de Janeiro, coordenado por Bayard Boiteux, entrevista nesta quarta, às 20h, Cláudio André Castro, diretor da Sérgio Castro Imóveis e presidente da entidade, no @niceviaapiaturismo *** Nesta quarta-feira, às 19h, o grupo de ativistas sociais A Liga, conversa com Antônio Carlos Carballo Blanco sobre segurança na cidade do Rio de Janeiro. O bate-papo acontece no Facebook @aligario2020 *** Aasp realizará nesta quinta-feira, às 17h, o webinar “Previdência Privada Aberta e Fechada: Controvérsias Jurídicas e Desafios”. Inscrições aqui *** A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) alerta nesta quarta-feira, Dia Nacional da Saúde no Brasil, sobre os impactos da saúde mental na população, com o objetivo de conscientizar as pessoas sobre a importância e necessidade de garantir um atendimento psiquiátrico de qualidade para todos, principalmente em tempos da Covid-19.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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