Pandemia trouxe atraso na educação infantil

Brasil está na 42ª posição entre 50 países com respeito a iniciativas para promover educação.

Estudo do Centro de Pesquisas e Análises Heráclito (CPAH) avaliou pais e alunos no Rio e apontou atraso na educação infantil. Para Fabiano de Abreu Rodrigues, doutor em Neurociências e Psicologia, com Pós-Graduação em Neurociência Infantil, coordenador do Centro, “foi constatado que em Portugal, as aulas por EAD contemplam tarefas e trabalhos de casa, testes e provas, individuais e coletivas, orais e escritas. Sendo, portanto, o conhecimento avaliado nas áreas verbais, escritas e no comportamento. Comprovou-se também que há fiscalização dos professores no ambiente quando aplicam o teste individual, para avaliar se há abas abertas ou consultas a livros ou cadernos ao fazer a prova. Isso acontece tanto no sistema público quanto no particular”.

Já no que diz respeito à realidade brasileira, Abreu tece outro tipo de análise:

“No Brasil, como avaliado no Rio de Janeiro, o sistema público estadual não aconteceu a aplicação de provas ou testes. Todos os alunos passaram utilizando o sistema automático de aprovação. Em uma escola particular na Barra da Tijuca os testes e provas tinham prazo de entrega, sem nenhum tipo de fiscalização sobre o aluno, como forma de verificar se o conhecimento foi absorvido. Poucas atividades ou tarefas para casa e raros os trabalhos solicitados. Não houve também aplicação de prova oral”.

Segundo ele, este período de pandemia vai ter consequências a longo prazo na vida acadêmica dos alunos assim como no seu desenvolvimento.

“Esta pandemia atrasou um ano a assimilação de conteúdo acadêmico. Isto irá prejudicar toda uma vida escolar, principalmente em crianças que iniciaram a alfabetização. A aprovação automática de série, sem ter tido a base do ano anterior, sem a aquisição de conhecimento, haverá defasagens cognitivas que irão reverberar nos estágios posteriores do aprendizado. O cenário negativo é potencializado quando a criança, em casa, segue um ritmo que desencadeia uma má adaptação num momento crucial para o desenvolvimento integral, físico e cognitivo, que se desdobra com perdas na convivência social e em seu ambiente emocional interno”, garante o neurocientista.

Para Abreu, “as aulas por EAD podem funcionar bem, se houver utilização de estratégias não só do sistema educacional como também no familiar. Em casa, deve-se avaliar a atenção das crianças, postura, participação, engajamento, motivação e aprendizagem. Tarefas para a casa com trabalhos que fomentem a busca pelo conhecimento, através da curiosidade legítima. Além de testes e provas orais e escritas, que avaliem a interpretação, a redação com encadeamento de ideias, vocabulário e criatividade. A troca de conhecimento sendo a maior ferramenta para tanto, o professor bem preparado e motivado como mediador de saber. Recursos técnicos através de ferramentas para melhor aproveitamento do sistema híbrido (presencial X virtual), performando melhores resultados no par aluno/professor. A gestão de pessoas e administração de tempo para a execução de tarefas em ‘tempo real’, traz resultados positivos para a vida acadêmica. No ambiente familiar, cabe aos pais acompanhar e promover atividades lúdicas para desenvolvimento psicomotricidade (ampla e fina), principalmente na primeira infância. Regular o uso de telas, por no máximo duas horas por dia. Videogame apenas final de semana. Dormir à noite e não de madrugada e uma dieta balanceada que pode promover a saúde da mente e do corpo, trazendo como recompensa uma maior manutenção do foco atencional, absorção de conhecimento e prazer em aprender”, conclui.

Outro estudo, realizado pela consultoria Oliver Wyman, apontou que o Brasil está na 42ª posição do ranking de 50 países avaliados com respeito ao nível de conhecimento atual sobre risco cibernético de suas populações e a relevância das iniciativas para promover educação e treinamento sobre esse tipo de risco no futuro – de acordo com o estudo global Índice de Educação em Risco Cibernético.

De acordo com o levantamento, Suíça, Cingapura, Reino Unido, Austrália, Holanda, Canadá, Estônia, Israel, Irlanda e EUA lideram o ranking. Além de terem uma boa pontuação em todos os fatores analisados (por exemplo, uso de internet em escolas, pessoas certificadas em segurança cibernética e existência de políticas públicas relevantes), essas nações são as que melhor integram o tema do risco cibernético em seus sistemas educacionais, no mercado de trabalho e em políticas governamentais.

Os países incluídos no ranking foram selecionados de acordo com a sua influência econômica, política, cultural ou militar na sua região; se são desenvolvidos ou estão em desenvolvimento econômico; se tem infraestrutura para acesso amplo a computadores; disponibilidades de dados geográficos e pesquisas de opinião; e políticas públicas com cronogramas de investimentos para educação e segurança digital.

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