Pandemia trouxe novos competidores para o e-commerce

Algoritmos para mapear comportamento nos sites são o ‘novo normal’ do setor.

Empresas / 20:53 - 29 de jul de 2020

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O comércio reabriu na maioria das capitais brasileiras, mas algumas mudanças de comportamento provocadas pela pandemia da Convid-19 vieram para ficar. Dentre elas está o crescimento do uso de tecnologia para o consumo, para além do comércio eletrônico, que buscou soluções para atingir os públicos-alvo e garantir a satisfação do consumidor.

Nestes poucos meses de quarentena, houve um acirramento da disputa pelo consumidor on-line com o ingresso de novos players que antes operavam somente em lojas físicas. Ao mesmo tempo em que ocorreu uma readequação das verbas de marketing para o digital, muitos empresários ainda estão aprendendo como lidar com essa nova realidade”, afirma Thiago Cavalcante, sócio da Adaction, veículo de comunicação especializado em ações de mídia digital e da Inflr, startup especializada em ações com influenciadores digitais que consegue atingir 100% dos seguidores, multissegmentar e direcionar as entregas dentro da audiência de cada influenciador.

Em meio ao processo de transformação digital em curso atualmente, podemos ver o movimento de companhias inteiras se reorganizando para preservar sua relevância no mercado. Empresas de variados portes e setores de atuação, todas estão atentas ao assunto”, afirma Eduardo Peixoto, CEO do CESAR, um dos maiores centros de inovação tecnológica do país. “Para ser transformação de verdade, a inovação precisa produzir uma alteração na estrutura da organização. Isso implica em mudar a forma como ela se relaciona com seus clientes e com seus colaboradores, com seus parceiros de negócios”, pondera o especialista.

Confira cinco tendências usadas para alavancar as vendas online neste novo cenário:

AI para conhecer o consumidor - Conhecer o perfil do consumidor é o primeiro passo para o sucesso online. Os dados disponíveis sobre como as pessoas navegam no site já podem trazer alguns insights, o que só se tornou possível através do aperfeiçoamento dos robôs. Os algoritmos são capazes de analisar como ocorrem as navegações dentro da página para entender como os usuários se comportam e que caminhos buscam fazendo a comparação deste momento de crise em relação aos períodos anteriores sem a crise. “Cerca de 5 mil variáveis, que vão da forma como a pessoa manuseia o mouse à velocidade da digitação, são analisadas para que se encontre padrões de comportamentos”, diz o diretor da Neurotech, Rodrigo Cunha.

Shoppings virtuais - Os marketplaces entraram nas preferências dos brasileiros. De acordo com pesquisa da PwC e UPS, realizada em 2020, no Brasil, 95% dos consumidores que realizam suas compras dentro do ambiente virtual fazem isso por meio de um marketplace e 44% deles afirmaram que farão mais aquisições nessas plataformas dentro de um ano. “Nestes últimos meses marcados pelo isolamento social, houve o aumento da procura de fornecedores por ofertar seus produtos em marketplaces por conta do relativo baixo custo e alta efetividade. Construir uma estrutura nova e consolidá-la é algo oneroso, não só a parte de desenvolvimento, operação e logística, como também os investimentos em aquisições de usuários”, explica Marcelo Nicolau, sócio da Play Studio, consultoria de Inovação e venture building.

Robô do crédito - Os primeiros dias do isolamento social para combater a pandemia do Covid-19 praticamente zeraram a concessão de crédito de muitas varejistas. O distanciamento social demonstrou a necessidade de reinvenção do atendimento. Sem poderem ir às lojas para fazer suas compras ou quitar seus carnês, os clientes também ficaram sem ter como solicitar crédito. Para fazer com que a demanda e a oferta pudessem voltar a se encontrar, empresas do setor varejista recorreram à inteligência artificial. A Neurotech plugou o seu sistema de análise de crédito a bots de WhatsApp que coletam informações necessárias, em uma simples conversa pelo aplicativo, para que o consumidor possa obter seu cartão da loja. Os robôs entrevistam o cliente, solicitam os documentos necessários, fazem a captura dos dados e os submete ao sistema de análise. Todo o processo, do pedido inicial à aprovação do valor do crédito, dura poucos minutos.

Influenciadores Digitais - Por meio de diversas campanhas de marketing realizadas nos primeiros meses deste ano, os chamados influenciadores digitais conseguiram comprovar o potencial de convencimento deste tipo de estratégia e passaram a atrair ainda mais a atenção. No Brasil, a startup Inflr desenvolveu a primeira plataforma que conecta anunciantes a influenciadores dentro de um marketplace. Nela, os anunciantes promovem seus produtos e serviços utilizando a influência dos ‘famosos’ junto a seus seguidores nas redes sociais. As marcas podem se comunicarem com até 100% dos seguidores de cada influenciador, fazer campanhas de remarketing e inclusive multisegmentar essa entrega por idade, sexo, geolocalização, comportamento de compra etc.

Marketing de performance - Na disputa de mercado uma nova ferramenta tem ganhado destaque: a mídia programática por performance. São plataformas digitais que lançam mão de Inteligência Artificial para revolucionar o relacionamento com usuários. O desafio das instituições é interpretar milhões de dados coletados todos os dias, transformá-los em produtos e serviços relevantes e oferecer a solução na hora certa. Na mídia programática, a compra de anúncios é realizada via software, em uma espécie de leilão em tempo real, sem contato com os departamentos comerciais dos sites. Os dados gerados permitem anúncios muito segmentados, olhando perfil do usuário e o seu momento na jornada de compra. “É preciso oferecer um leque de opções tão variadas quanto são as preferências de cada um. É isso o que as plataformas digitais proporcionam”, diz Cavalcante.

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