Pânico midiático causa mais estragos que pandemia

No surto de H1N1, em 2009, número de infectados e mortos foi inferior ao da gripe comum.

Em 19 de julho de 2009, a Folha de S.Paulo estampou na manchete que “a pandemia de gripe provocada pela nova variante do vírus A H1N1 poderá atingir entre 35 milhões e 67 milhões de brasileiros ao longo das próximas cinco a oito semanas. De 3 milhões a 16 milhões desenvolverão algum tipo de complicação a exigir tratamento médico, e entre 205 mil e 4,4 milhões precisarão ser hospitalizados”.

Os números foram logo desmentidos pelo Ministério da Saúde. Alguns anos depois, foram ridicularizados pelos fatos. O Brasil apresentou, em 2009, 88.464 casos de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) confirmados, sendo que 50.482 provocados pelo H1N1 (dados publicados em janeiro de 2012 pela Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde). Em 2010, foram 9.385 casos de SRAG, 973 deles pelo H1N1. A taxa de mortalidade foi estimada por especialistas em 1,1/100 mil habitantes.

Os números servem para evitar alarmismos, ou a repetição deles, como se observa agora com a variante do coronavírus. Os casos confirmados de H1N1 em 2009 representaram 0,14% do número mais baixo publicado pela Folha.

Influenza afeta milhares de brasileiros todos os anos. Em 2007, houve 723 mil internações por influenza e pneumonia (contabilizada junto pois está normalmente associada à gripe), que levaram a 44.200 óbitos, segundo a Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS), do Ministério da Saúde.

Como dito anteriormente, não se trata de menosprezar os riscos do coronavírus, mas evitar uma visão catastrofista que atende a muitos interesses, mas não à verdade. Laboratórios farmacêuticos e o Departamento de Estado norte-americano estão entre os interessados no pânico. Aliás, vale assistir ao filme Contágio (de 2011, com Matt Damon à frente de um elenco de estrelas hollywoodianas, disponível no iTunes e Google Play), conforme sugestão do site Cinegnose.

 

Desvio de rumo

A Operação Zelotes começou em março de 2015 ameaçando uma penca de grandes empresas acusadas de envolvimento com falcatruas no Conselho de Administração de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda responsável por julgar os recursos administrativos de autuações por sonegação fiscal e previdenciária.

Uma a uma, estão todas sendo inocentadas pela justiça. Mas um “desvio” na Zelotes encontrou um filho do ex-presidente Lula. Contra eles, PF, MP e justiça jogam sua mão pesada.

 

Ordem invertida

O anúncio do ex-presidente da Bolívia Evo Morales de que disputará uma vaga no Senado esbarra na manipulação jurídica e policial que o governo boliviano vem fazendo, com objetivo de impedi-lo de ganhar um mandato que, sem a lawfare, seria líquido e certo.

Diferentemente do Brasil, onde a atuação jurídica heterodoxa precedeu o golpe para derrubar a presidente eleita, na Bolívia o movimento foi inverso: golpe primeiro, (in)justiça depois.

 

Tucano voa

A (não) ver o noticiário, a Lava Jato acabou; com ela, a dúvida sobre a conduta de tucanos citados. Aécio, Alckmin, Aloysio, Arminio, FHC, Marconi, Palocci, Richa e Serra: atestado de idoneidade emitido pela República de Curitiba. Pobre (rico) Cabral quando se desfiliou do PSDB!

 

Rápidas

O ministro da Economia, Paulo Guedes, e o secretário de Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, participam do Seminário do Pacto Federativo, no Centro Cultural FGV, nesta sexta-feira, às 8h. Inscrições: portal.fgv.br/eventos/seminario-pacto-federativo *** “Aspectos Contábeis e Tributários da Indústria do Petróleo e Gás”, com Márcia Ramos, é curso no Ibef-Rio, 12 e 13 de fevereiro, das 18h às 22h. Mais informações pelo WhatsApp (21) 96925-0202 *** Caxias Shopping e Passeio Shopping se unem à campanha da Fecomércio RJ de arrecadação de donativos para as vítimas das enchentes que afetaram o Norte e Noroeste do RJ. As doações podem ser realizadas até 16 (Caxias) e 21 de fevereiro (Passeio) *** O Shopping Jardim Guadalupe está arrecadando donativos para as pessoas afetadas pelo transbordamento do Rio Acari, na madrugada no último domingo *** Claudia Sanen, da Transparência Internacional, apresenta o Relatório Anual Índice de Percepção da Corrupção da Transparência Internacional nesta sexta, às 10h30, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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