Papai Noel

A perda causada pela não-prorrogação da CPMF vai muito além dos R$ 40 bilhões por ano que a União deixará de arrecadar em 2008. Principal instrumento de combate a sonegação, a CPMF permitiu que a Receita Federal, somente este anos, lavrasse autos de infração de R$ 35 bilhões de pessoas jurídicas e físicas que realizaram movimentação incompatível com a renda declarada ao Fisco. Talvez o número ajude a explicar o sorriso de muitos senadores e empresários que se mobilizaram pelo fim da CPMF e por que setores da mídia consideraram o fim da contribuição um verdadeiro presente de Natal.

Bola com a Fiesp
Alô, Paulo Skaf! Na próxima, quinta-feira, quando se completa uma semana da derrubada da CPMF, o Brasil quer ouvir sua voz anunciando a correspondente queda dos preços industriais e dos demais setores que asseguravam que a contribuição gravava a produção.

TV chapa branca
No Brasil, 1.604 prefeituras municipais detêm outorga de retransmissão de canais de TV privados, segundo pesquisa do Instituto de Estudos e Pesquisas em Comunicação (Epcom) publicada pela Agência Pulsar Brasil (www.brasil.agenciapulsar.org). De acordo com a pesquisa, aquelas prefeituras detêm 3.270 retransmissoras, das quais 95% estão conectadas às empresas privadas da televisão brasileira, especialmente a TV Globo. As retransmissoras são estações de TV de abrangência local que reproduzem a programação das grandes empresas nacionais de mídia. Na prática, as prefeituras usam infra-estrutura e dinheiro público para amplificar uma atividade empresarial privada.

Nas tetas das prefeituras
Os números da pesquisa revelam como as grandes cadeias de televisão dependem das prefeituras para chegar ao país inteiro. De acordo com a Epcom, Globo, Record, Bandeirantes, SBT e Rede TV! têm, em média, 41% de sua abrangência nacional garantidos por essa estrutura pública. Já nas empresas públicas de comunicação – apontadas pela mídia privada como exemplos de desperdício do dinheiro da sociedade – a participação das prefeituras na sua implantação é bem inferior. TV Cultura de São Paulo e Radiobrás têm apenas 10% de sua abrangência nacional garantidos por prefeituras: “Trata-se de uma situação de exploração semiprivada das estruturas públicas”, avalia James Göergen, da Epcom.

Década
O trem-bala ligando Rio a São Paulo não ficará pronto em menos de dez anos, segundo Claude Gevrey, diretor da estatal francesa Systra – que já implantou o trem de alta velocidade (TAV) em cerca de 150 países. O prazo esticado é confirmado, ainda que de forma indireta, por Guilherme Quintela, presidente da ADtrem, empresa que, desde 2006, reúne as fabricantes de TAV e que afirmou que a sociedade brasileira ainda vê o projeto como uma obra de ficção científica e precisa acreditar que o trem é uma realidade: “Parece que estamos falando de disco voador: todo mundo já ouviu falar, muita gente conhece, acredita, poucos viram e quase nenhum andou. Mas a construção do trem de alta velocidade é questão de tempo.”

Busca de cérebros
A Espanha abriu as inscrições para o ano acadêmico 2008-2009 do Becas MAEC (www.becasmae.es), principal programa de bolsas do governo local. O programa oferece 24 opções de bolsas de pós-graduação – especialização, mestrado ou doutorado – para estrangeiros, inclusive brasileiros, que queiram estudar naquele país, e para espanhóis interessados em estudar no exterior. O período de inscrição varia de acordo com a bolsa desejada. A maioria se encerra no próximo dia 28, mas alguns prazos só se encerram em 29 de fevereiro de 2008.

Prospectivo
O Instituto de Política Econômica Aplicada (Ipea) lança, hoje, sua Carta de Conjuntura, que substituirá o Boletim de Conjuntura. Após a apresentação do documento, o diretor de Assuntos Macroeconômicos, João Sicsú, dará entrevista, mas avisa que não responderá a perguntas sobre assuntos administrativos e sobre cenários de curto prazo. O objetivo da nova direção é dedicar os esforços do Ipea ao estudo de políticas estratégicas para o país, em vez de se deter na conjuntura, prática que transformou o instituto em veiculador de posições ideológicas bem vistas pelo mercado financeiro.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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